14-05-03
CAPITULARES
Vi aqueles homens de gravata,
sorriam e bebiam, como no Olimpo.
De cara suja, mas terno limpo,
esperavam a hora exata.
Quem são aqueles homens que se chamam Zeus,
que temem mais a mão do mercado do que a mão de Deus?
Quem são eles que decidem a vida dos outros, que se acham acima de todos?
Anunciai ao povo que o reino está em franca expansão,
não haverá tolerância pra qualquer dissolução, nem heresia, nem dissensão,
as Capitulares já estão promulgadas, anunciai à população!
Agora somos livres, podemos ir embora para qualquer lado, para qualquer condado!
Mas quem ficar vai ter de trabalhar dobrado e pelo mesmo pago!
Contudo somos livres, foi o conde quem disse!
Se ficarmos temos de obedecer, mas somos livres, o barão disse!
Nem dissensões, nem heresia, o rei dizia.
Sim ele disse, mas quem pensou tudo foi o “missi dominici”.
Quem são aqueles homens que vivem ali sentados,
que largaram as leis de Deus pra guardarem as leis de mercado?
Leis de Deus, leis de mercado, mercado de almas, decreto assinado.
Um passo em falso e as leis são aplicadas, e Deus é implacável, sua lei intolerável!
Nada pode dar errado, tudo tem de ser muito bem pensado!
Queimemos incenso, façamos uns holocaustos
à Deus, mercado!
Tudo estará pronto até que a trombeta soe
e que a mão invisível de Deus nos abençoe.
CAPITULARES
Vi aqueles homens de gravata,
sorriam e bebiam, como no Olimpo.
De cara suja, mas terno limpo,
esperavam a hora exata.
Quem são aqueles homens que se chamam Zeus,
que temem mais a mão do mercado do que a mão de Deus?
Quem são eles que decidem a vida dos outros, que se acham acima de todos?
Anunciai ao povo que o reino está em franca expansão,
não haverá tolerância pra qualquer dissolução, nem heresia, nem dissensão,
as Capitulares já estão promulgadas, anunciai à população!
Agora somos livres, podemos ir embora para qualquer lado, para qualquer condado!
Mas quem ficar vai ter de trabalhar dobrado e pelo mesmo pago!
Contudo somos livres, foi o conde quem disse!
Se ficarmos temos de obedecer, mas somos livres, o barão disse!
Nem dissensões, nem heresia, o rei dizia.
Sim ele disse, mas quem pensou tudo foi o “missi dominici”.
Quem são aqueles homens que vivem ali sentados,
que largaram as leis de Deus pra guardarem as leis de mercado?
Leis de Deus, leis de mercado, mercado de almas, decreto assinado.
Um passo em falso e as leis são aplicadas, e Deus é implacável, sua lei intolerável!
Nada pode dar errado, tudo tem de ser muito bem pensado!
Queimemos incenso, façamos uns holocaustos
à Deus, mercado!
Tudo estará pronto até que a trombeta soe
e que a mão invisível de Deus nos abençoe.
FELLIPE KNOPP
2 comentários:
Fellipe,
Realmente o clã dos Knopp leva um talento e tanto para as palavras.
Muito bom os poemas. Críticos, sutis e sarcásticos, acompanhados de grande riqueza de rimas. Tem até um belo soneto, o que indica um interessante estudo de métrica, algo já abandonado por tantos, mas importantíssimo na poesia.
Abraços!
Obrigado, Rodolfo Muanis. Na ocasião de teu comentário quis agardecê-lo em teu blog, bem como postar lá meu comentário a respeito de teus belos poemas, mas em tua página não há essa prerrogativa. Na verdade, só após ver esse mecanismo de réplica (a partir da mesma página) no blog de um colega, tão simples, mas eficaz, pude reproduzí-lo no meu. Soluções tão simples que às vezes não cogitamos!Sinto muio pelo falecimento de teu irmão. Acompanhei, na ocasião,pelos noticiários, fiqueiperplexo quando meu irmão, e teu amigo, Glauco, disse-me tratar-se de teu familiar. Minhas sinceras condolências, ainda que extemporâneas. Glauco gosta bastante de ti, e lamenta muito o lastimável, e covarde, acontecimento! Também li um de teus livros que Glauco mostrou-me, deferi meinhas congratulações por mei dele, que espero as tenha comunicado. Li também tua ode a teu irmão no blog, e pergunto-me como é possível que sofrimento possa produzir beleza. Mas produz, mesmo que não se compense. Parabéns, força e felicidades!Poesia sempre!
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