05-04-2009
Resíduos de Algum verão
Lembranças de alguém
Vieste
Atei-me às chagas
(lazarento?)
Foste
e chorei todos os mortos
Fellipe Knopp
25-01-2003
“Alvorada”
As formiguinhas vão trabalhando
Para o inverno se prevenindo
As formiguinhas todas, marchando,
Num mesmo passo estão seguindo
Estão guardando seus alimentos
Em tempo hábil, pois, é verão
E o gafanhoto olhando atento
Está na espreita, presta atenção!
As formiguinhas vão inocentes
Levando o fruto de seu trabalho,
E o gafanhoto sorri contente
Malandro, encontra um bom atalho
Esperto, fica esperando
A hora em que vão passar
O alimento elas vão levando
E o gafanhoto foi lhes tirar
As formiguinhas, inconformadas
À sanguessuga foram falar,
A sanguessuga, também esperta
Ao gafanhoto foi-se juntar
Outros insetos souberam que
O gafanhoto se dera bem
Todos vadios e preguiçosos
Foram até lá a roubar também !
As formiguinhas foram trabalhar
Achando que tudo ia mudar
Inocentes, elas davam duro
E outros, insetos, comiam tudo !
FELLIPE KNOPP
23-04-02
O GRANDE SÁBIO
Como explicar o furor?
Como explicar o ódio ou o amor?
Essa relação de ternura e terror?
Ou uma mesma coisa causar prazer e dor?
Os olhos contemplam o horizonte;
Nosso pensamento tenta ir além dos montes;
Vacilamo-nos em nossas próprias pretensões, e,
Para tudo o que há buscamos explicações.
Combatemos numa guerra desleal,
O tempo nos prende em seus nós,
E por mais que tenhamos companhia estamos sós.
Mas o tempo que nos persegue e não tem bandeira,
Não é intruso, está em nós.
Ao presente tentamos entender – teorizamos.
Ao futuro tentamos prever – idealizamos.
Ao passado queremos saber – buscamos indício.
E o fim, do qual, tanto fugimos, começa ali, no início.
Induzimo-nos num sono profundo
E os meus olhos transpiram, pois, meu coração geme.
Chora inconsoladamente à inconsciência,
Que nos condicionava ao estado de inocência
E nos anistiava de toda penitência,
Isentando-nos à responsabilidade sobre ação e conseqüência.
Anestesiamo-nos com sexo e fábulas
E suas licitudes nos escondem as máculas.
Camuflam o engano e a prisão
E nos ajudam a suportar a separação,
De uma existência segmentar e convergente,
De uma história sem precedentes.
Toda a humanidade chora
O estado calamitoso de se ter consciência,
De se sentir a dor
Que trouxeram a sabedoria e a inteligência.
E tudo que se percebe e vê
É que então o fim chegara
E nada podemos fazer.
E que por mais que soframos com isso,
Não podemos fugir,
Pois, somos feitos disso.
FELLIPE KNOPP
28-12-07
Canção do Alívio
(Ou Um por Todos e Todos Contra Um)
Da série Poesia de Expurgação
"Direito de Resposta"
Minha terra tem trincheiras
Onde deus não pode entrar
Se há corvos, que aqui gorjeiam,
Só gorjeiam pr'agourar
Nesse céu não há estrelas
Nessas várzeas só horrores
Nesses bosques não há vida
Quando vida, só rancores
Em cismar sozinho à noite
Que prazer encontro eu cá ?!!
Minha terra tem lugares
Onde deus não quer entrar
Minha terra tem odores
Que não dá pra suportar
Em cismar sozinho à noite
Que prazer encontro eu cá ?!!
Minha terra tem lugares
Onde o Amor nunca estará
Já permita alguém que eu saia
Sem que volte para cá
Pra que não sinta as desgraças
Que nunca mais quero olhar
Nesse esgoto de trincheiras
Onde nem o Sol quer brilhar
FELLIPE KNOPP
Atei-me às chagas
(lazarento?)
Foste
e chorei todos os mortos
Fellipe Knopp
25-01-2003
“Alvorada”
As formiguinhas vão trabalhando
Para o inverno se prevenindo
As formiguinhas todas, marchando,
Num mesmo passo estão seguindo
Estão guardando seus alimentos
Em tempo hábil, pois, é verão
E o gafanhoto olhando atento
Está na espreita, presta atenção!
As formiguinhas vão inocentes
Levando o fruto de seu trabalho,
E o gafanhoto sorri contente
Malandro, encontra um bom atalho
Esperto, fica esperando
A hora em que vão passar
O alimento elas vão levando
E o gafanhoto foi lhes tirar
As formiguinhas, inconformadas
À sanguessuga foram falar,
A sanguessuga, também esperta
Ao gafanhoto foi-se juntar
Outros insetos souberam que
O gafanhoto se dera bem
Todos vadios e preguiçosos
Foram até lá a roubar também !
As formiguinhas foram trabalhar
Achando que tudo ia mudar
Inocentes, elas davam duro
E outros, insetos, comiam tudo !
FELLIPE KNOPP
23-04-02
O GRANDE SÁBIO
Como explicar o furor?
Como explicar o ódio ou o amor?
Essa relação de ternura e terror?
Ou uma mesma coisa causar prazer e dor?
Os olhos contemplam o horizonte;
Nosso pensamento tenta ir além dos montes;
Vacilamo-nos em nossas próprias pretensões, e,
Para tudo o que há buscamos explicações.
Combatemos numa guerra desleal,
O tempo nos prende em seus nós,
E por mais que tenhamos companhia estamos sós.
Mas o tempo que nos persegue e não tem bandeira,
Não é intruso, está em nós.
Ao presente tentamos entender – teorizamos.
Ao futuro tentamos prever – idealizamos.
Ao passado queremos saber – buscamos indício.
E o fim, do qual, tanto fugimos, começa ali, no início.
Induzimo-nos num sono profundo
E os meus olhos transpiram, pois, meu coração geme.
Chora inconsoladamente à inconsciência,
Que nos condicionava ao estado de inocência
E nos anistiava de toda penitência,
Isentando-nos à responsabilidade sobre ação e conseqüência.
Anestesiamo-nos com sexo e fábulas
E suas licitudes nos escondem as máculas.
Camuflam o engano e a prisão
E nos ajudam a suportar a separação,
De uma existência segmentar e convergente,
De uma história sem precedentes.
Toda a humanidade chora
O estado calamitoso de se ter consciência,
De se sentir a dor
Que trouxeram a sabedoria e a inteligência.
E tudo que se percebe e vê
É que então o fim chegara
E nada podemos fazer.
E que por mais que soframos com isso,
Não podemos fugir,
Pois, somos feitos disso.
FELLIPE KNOPP
28-12-07
Canção do Alívio
(Ou Um por Todos e Todos Contra Um)
Da série Poesia de Expurgação
"Direito de Resposta"
Minha terra tem trincheiras
Onde deus não pode entrar
Se há corvos, que aqui gorjeiam,
Só gorjeiam pr'agourar
Nesse céu não há estrelas
Nessas várzeas só horrores
Nesses bosques não há vida
Quando vida, só rancores
Em cismar sozinho à noite
Que prazer encontro eu cá ?!!
Minha terra tem lugares
Onde deus não quer entrar
Minha terra tem odores
Que não dá pra suportar
Em cismar sozinho à noite
Que prazer encontro eu cá ?!!
Minha terra tem lugares
Onde o Amor nunca estará
Já permita alguém que eu saia
Sem que volte para cá
Pra que não sinta as desgraças
Que nunca mais quero olhar
Nesse esgoto de trincheiras
Onde nem o Sol quer brilhar
FELLIPE KNOPP
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