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sábado, 18 de abril de 2009

25-12-07


Sertania do Desejo

Da série Poesia de Expurgação



O que seria isso?
A escória do universo
Lugar do diverso
Ou do inverso?
Que exalta o canalha perverso
Em prosa e verso
Teus santos se corromperam
Nenhum Senhor-do-Céu apareceu nas nuvens
Teu salvador, que mataste,
Nunca retornará
Papai-noel-messias
Nos lombos dum jumento
Adentra o chão rachado do Sertão
Não levando um boneco,
Mas um balde d’água, arroz e feijão
Uma mãe que chora
Suas crianças sorrirão
Ao menos por uma noite
Homens e suas obras
Estendem aos céus colossos profanos
A um deus moribundo
Sonhado por eles para servi-los
Enquanto bocas secas e colentas
Beijam a terra quente e rasgada
Como se houvesse ali a única garantia
De uma reciprocidade sincera
Que velasse, ao menos para si,
Sua miséria
No árido ar do Sertão
Das capitanias desoladas,
Dos arrendamentos saqueados e baldios
De sua alma desidratada
E cada vez que o céu se vira
Eu penso ver aqueles olhos brilharem
Num firmamento plúmbeo,
Quando então eu corro pra janela
E espero que caia neve


FELLIPE KNOPP

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