versatilidade polimorfológica

VERSATILIDADE POLIMORFOLÓGICA

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O blog que a inveja não deixa ver : seu espaço ultra-seleto! Para pessoas realmente inteligentes, para uma recepção Verdadeiramente Vanguardista!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

BEZERRO DE OURO


Registro:768.889 Livro:729 Folha: 531



05-07-04




Bronze mais que a terra
Nos meus olhos mais que o ar
Sangue mais que os céus
Desse inferno nesse mar
Fogo mais que o mundo...
Todo mundo é fogo
Morto
Lava esse sangue
Lava a alma escorrendo
Queimando,subindo,descendo
Lava a alma com bronze
Mais que terra
Feche a caverna com mármore e tersol
Tome seu licor gole a gole
Matando Vênus de seu amor e de seu ódio
De sua fúria de seu desprezo
Bronze mais que a terra
Lava a alma com pastilhas
Onde está teu sorriso!
No teu nariz, nos teus pulmões
No teu fígado, na tua bexiga
Na ponta de tua caneta
Eu perdi
Fui vencido com um Cheque-mate classe A
Cruzado, cruzada
Rainha, não
Cheque-mate classe A
Beba esse café gole a gole
Frio assim mesmo
Feche essa caverna
Com porta de aço
E sinta a brisa no rosto pela 1a vez
Como a nuvem
E lava o corpo e lava os lábios
Lava a alma
Sonho e saudade, pois não e não e não...
Bronze mais que terra
Ouro mais que tudo
Gole a gole teu sonho dourado
Lava a alma me desce a boca
Sinto a brisa tocar
(pétalas lisas pétalas)
Docemente as amargo águas
Rascantemente as engulo e
As bebo licores fortes como metal fervendo[1]
Níquel-solvo rasgando uretra
Substância de minha poesia-gel
Quero criar a poesia-gel (perfeita)
Para caramelar e degustar docemente pouco a pouco
( Pétalas lisas pétalas )
Gole a gole seu sonho dourado
Lava a alma desce a minha boca
Tua casa tem porta de aço ganhaste
Chave-de-ouro
E lava o corpo e lava os lábios
E não e não...
Frio assim mesmo
Esse café, cruzada, cruzado
Cheque-mate, pétalas lindas pétalas
Ouro mais que tudo
Beba mais um gole esse café
Pouco a pouco frio assim mesmo
Como metal fervendo
Como níquel-solvo (rainha)
Poesia-gel sem ouro
E não e não
Sinto a brisa pela primeira vez
Ela prenuncia o inverno







FELLIPE KNOPP



“Muito mais que ferro e fogo de adorno em podres corpos, temos HONRA’’
[1] - Rimbaud, Arthur. Uma Estadia no Inferno. Ed. Martin Claret.

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