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É próprio da industria cultural apresentar apenas seu produto finalizado, que é o supra-sumo simplificado de uma produção determinada.
NOBRES DE TOGA
És suja, és podre
Como outra qualquer.
Te adornas por fora,
O povo lhe quer.
Aí também há gases;
Aí também há fezes;
Teus homens também urinam;
Defecam sim tuas mulheres.
Mulheres lindas,
Mas defecam ainda;
Também se limpam;
Também vomitam.
Também as nádegas
Lhes cobrem o ânus,
E envelhecem,
Lhes passam os anos.
Também mau cheiro;
Fétido odor;
Cheiro de esgoto;
Podre fedor.
Tu és altiva
Por ter riquezas;
Acha-se muito
Por ter belezas.
Aí também há doenças;
Sangram-se teus cortes;
Aí também há desgraças;
Também não escapas à morte.
Aí também há tristeza;
Teus filhos também pecam;
Teus homens também têm fraquezas;
Tuas lindas mulheres defecam.
Escondes teu podre organismo,
Teu câncer, vaidade, altivez.
Atrás dos teus prédios cinismo,
Soberba, "charutos", xadrez.
A "nódoa" de teu preconceito,
Racismo, elitismo a expandir-se.
Pois se vejam teus malfeitos,
Teu fígado, pâncreas ferir-se.
Tu chamas horror poesia,
De um velho ignoto a cantar,
Que esqueceu o devir d’um dia,
Tuas fortunas a desmoronar
Tu julgas melhor teu destino?
Tu pensas da morte escapar?
Pensas não ter fezes por dentro?
Pensas não ter qu’ir defecar?
Tens gente ativa, tens gente à-toa,
Tens coisas más e tens coisas boas.
“Litoral”! “Litoral”!
Também há pessoas.
FELLIPE KNOPP
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