Penoso é definir a relação do poeta com sua arte. Minha relação com a Poesia é na verdade uma relação vital. Jamais chegaria a ser um artista de vanguarda, ainda que o quisesse. Tal Poesia tem a rudeza e a rusticidade espontânea de um artista que nasce como um botão valente nas pedras. Ela seja, talvez, distanciada de todo movimento de “arte de ponta” que conhecemos. Esse fazer poético não se pretende uma revolução estética e conceitual, e nem poderia, mesmo que o quisesse. Minha Arte é fundamentalmente uma Declaração, e um registro – é quase documental. Essa Poesia quer apenas falar, pode apenas falar. Falar mais para ensurdecer do que ser ouvida. As bocas emudecidas não querem apenas “Revoluções Estéticas”. Essa arte não dissimula uma arrogância subvertida sob a égide da simplicidade forjada, calculada. Se ela quer-se simples é porque não pode ser de outro jeito senão simples – e talvez aí possa (quem sabe?) haver qualquer coisa de realmente revolucionária, nessa arte bruta e furiosa que tenta, às duras penas, ser honesta. Em respeito de Poesia, poder-se-ía afirmar que poesia é um fazer-dizer restrito ao seu próprio enunciado, autodeterminada segundo sua própria sintaxe. Poesia (poíesis) não é caudatária de nada, não vem a reboque de nada, não admite secundarização locupletar em relação a nenhum outro discurso, só pode ser expressão daquilo que deveras é de si mesma.
FELLIPE KNOPP
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