versatilidade polimorfológica

VERSATILIDADE POLIMORFOLÓGICA

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DECIFRA-TE ouTE DEVORAS!
ou dê-cifra-te /ou te-dê-voraz




POESIA sem concessões; ARTISTA autônomo; MÉRITOS sem contrafação ; PRESTÍGIO sem adulações.
O blog que a inveja não deixa ver : seu espaço ultra-seleto! Para pessoas realmente inteligentes, para uma recepção Verdadeiramente Vanguardista!

domingo, 20 de setembro de 2009

-10

A dívida impagável deste país para comigo !
O que fazer?
O que se fez não é nominável !
Foda-se teus velhos astênicos
e teus vermes de colo
A vida que destruíram
injustificavelmente
não foi a de um velho
que quase tudo já vivera
foi a de um jovem honesto e honrado
Quem devolverá meu tempo? [ perdido
Os anos que me arrancaram não foram os da velhice
foram os da aurora da mocidade
Sei que nem que todo sangue podre deste país
deitasse duma só vez
eu estaria compensado
A eles não seria mais do que o merecido
[se merecem algo, é só isso
Que escorra todo esse sangue vil
como minha juventude escorreu de minhas mãos
como minhas lágrimas escorreram de minha sede
como meu reflexo se escondeu de mim
e meu ódio congelou!
Derrame um turbilhão de sangue
à contramedida em que represou-se minha angústia
fez-se força
Deite todo esse sangue
como deitada fica a fome
Escorra
como de minha boca escorreu-se a sombra
a fuligem a substituir o nada
escorreu-se o beijo e o prato sem pão

O tempo acerta as coisas?

Mas com o tempo roubado furtou-se o perdão!

C'est trop tard !

Só me vale o que me é devido
Disso não abro mão,
nem uma só fagulha !




FELLIPE KNOPP

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