Não lamenteis
pois tiverdeis todo tempo
a reparar
mas a vaidade insana vos cegou!
contra vós todo desprezo
vermes asquerozos
não há prazo que dure pra sempre
a lei é a da compensação!
ver-se-á aos milhares
as vísceras de vosas crianças cozendo em seus ventres!
sangue talhado e ácido lácteo
se não se importam com justiça não se indignarão
os vermes não têm princípio
não lamentam seus mortos jamais
nem incoerências
não acham absurdo um paradoxo torpe
serão as tripas de vossos enfantes!
uma fachada revestida de plaquetas
hematophilia
estética de uma Arte grená
não vos preocupeis
jamais a justiça lhes foi uma questão
Importar-se-ão por quê?
hemácias de ópio
de cor condensada
betume que desce
na noite gelada
em banhos de náusea
em rinhos de nada
bezzerros ocos suturados
saturados de fórmica
filhotes-carbonetos
de brancos e pretos
brancos de tão pretos
e pretos
***
já eu tão preto de tão cinza
sem cinzas
veias pardas
***
a miséria entranhará vossas narinas podres
pobres merdas incoerentes!
furúnculos de tuas tetas leprosas
vosso rabo necrosado!
feito vossa cara!
****
Culotes não anistiam calotes
nem calotas de carro
***
Souberam sempre meus motivos
minhas razões
minhas justificações
***
Mas justiça nunca lhes foi questão
logo não farão questão:
vossas crianças se consumirão
***
Consumação em tormentas tenebrosas
a carne em pólvora
apavoradas
apolvoradas!
***
Lembrar-se-ão pra sempre
***
vossas crianças...
vísceras cozidas nos próprios ventres
e nem mesmo saberão o que são ventres
só vísceras
mas já cedo e tarde demais
como vós a justiça
a dança da balança
o eterno-retorno
pois tiverdeis todo tempo
a reparar
mas a vaidade insana vos cegou!
contra vós todo desprezo
vermes asquerozos
não há prazo que dure pra sempre
a lei é a da compensação!
ver-se-á aos milhares
as vísceras de vosas crianças cozendo em seus ventres!
sangue talhado e ácido lácteo
se não se importam com justiça não se indignarão
os vermes não têm princípio
não lamentam seus mortos jamais
nem incoerências
não acham absurdo um paradoxo torpe
serão as tripas de vossos enfantes!
uma fachada revestida de plaquetas
hematophilia
estética de uma Arte grená
não vos preocupeis
jamais a justiça lhes foi uma questão
Importar-se-ão por quê?
hemácias de ópio
de cor condensada
betume que desce
na noite gelada
em banhos de náusea
em rinhos de nada
bezzerros ocos suturados
saturados de fórmica
filhotes-carbonetos
de brancos e pretos
brancos de tão pretos
e pretos
***
já eu tão preto de tão cinza
sem cinzas
veias pardas
***
a miséria entranhará vossas narinas podres
pobres merdas incoerentes!
furúnculos de tuas tetas leprosas
vosso rabo necrosado!
feito vossa cara!
****
Culotes não anistiam calotes
nem calotas de carro
***
Souberam sempre meus motivos
minhas razões
minhas justificações
***
Mas justiça nunca lhes foi questão
logo não farão questão:
vossas crianças se consumirão
***
Consumação em tormentas tenebrosas
a carne em pólvora
apavoradas
apolvoradas!
***
Lembrar-se-ão pra sempre
***
vossas crianças...
vísceras cozidas nos próprios ventres
e nem mesmo saberão o que são ventres
só vísceras
mas já cedo e tarde demais
como vós a justiça
a dança da balança
o eterno-retorno
FELLIPE KNOPP,
Ateu

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