Croniqueta
Às vezes, na noite, nas mesas de botecos que frequentei aqui no Rio de Janeiro, observava discretamente, os jovens de minha geração, da faixa etária dos vinte aos quarenta anos. É bem engraçado por um lado, mas enfadonho de outro, os rituais de flertagem, todas as macaquíces que envolvem essa ritualística, à qual quase nunca vemos com distanciamento crítico, por se estar até o pescoço atalodo em tal cerimmonial. A maioria da pessoas fica verdadeiramente infantilóide nessa situação-paquera. E o momento é tratado, de modo idiota, socialmente como hora solene, qualquer interferência espontanea, involuntária, ou urgente torna-se uma espécie de profanação - "não interromper os pombinhos" - é uma imbecilidade tácita compartilhada, os indivíduos são solidários em suas futilidades! Mais a mais, os procedimentos do flerte não passam de uma espécie de reconhecimento de código, declamação de senhas, se presumir e dizer exatamente aquilo que o par pretendido espera ouvir mediante um menu discursivo pobretão, prescrito - a ousadia não é propriamente proposicional, é mero alvoroço animalesco de bobalhões tentando bancar palhaços de comédias baratas de Hollywood, um tipo de repertório B. As cantadas são horendas, entre o kitsche e a insolência, não são mais do que clichês vulgares a traçar alusões ou analogismo baratos entre traços de personalidade, composição estética (com esses termos eles nem reconhecem o que fazem) e frutas popularescas.
Quereis que eu prossiga?
Quereis que eu prossiga?
FELLIPE KNOPP
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