versatilidade polimorfológica

VERSATILIDADE POLIMORFOLÓGICA

http://theorikondoxas.blogspot.com/

DECIFRA-TE ouTE DEVORAS!
ou dê-cifra-te /ou te-dê-voraz




POESIA sem concessões; ARTISTA autônomo; MÉRITOS sem contrafação ; PRESTÍGIO sem adulações.
O blog que a inveja não deixa ver : seu espaço ultra-seleto! Para pessoas realmente inteligentes, para uma recepção Verdadeiramente Vanguardista!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Comutação subliminar


Comutação subliminar e adequação morfossintática: a intersecção repertorial transindivíduo.
Afrouxa-se o recalque,
abre o input,
elabora-se o estímulo,
que sai no output.
Sai como pode
fiz como pude.
Nada se refina àquele que é rude.
Busca em sua quiquilharia,
o que lhe tenha valia,
para corresponder o mais próximo
do dado qual não sabia;
lhe atravessa à revelia,
o Outro lhe a-parece como magia,
no que não (A)visa:
tem que compatibilizar o verbo
que não se familiariza!

FELLIPE KNOPP


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cantos, contos, canetas, e canalhetas


Não sou político;
não sou ladrão;
não sou funcionário público;
[não tenho colher de chá
não sou marajá;
não sou judiciário;
não sou prevaricário;
tudo aquilo que aqui se viu
foi aquilo que este que vos escreve produziu
sozinho, Viu!
não sou babaca
nem vil!
nunca ninguém me deu nada
vamos acabar com essa palhaçada
(não me useis em vossa trambicada
de publicidade falsa e malgrada)
nem relógio trabalha de graça
não sou parasitário
e nem caio em conto de vigário
(não sou otário)
Até breve
estou no meu horário
já que nunca recebo nada vindo do erário
(nem vicgário)

FELLIPE KNOPP

sábado, 9 de outubro de 2010

"Tempo para compreender"

"Deixe que os seus julgamentos tenham a sua evolução natural, silenciosa. Não se oponha a esta evolução que, como todo o aperfeiçoamento, deve vir do âmago do seu ser e não pode suportar nem coação nem pressa (...) É necessário deixar cada impressão, cada germe de sentimento, amadurecer em si, na treva, no inexprimível (...) Ao simples fiéis, a Arte exige tanto como aos criadores"

(R. M. Rilke: Cartas a um jovem poeta, III).

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Farolas e bordéis

Sonho de uma madrugada [?
passada
em claro
faróis psicológicos
passados a limpo
passando a limo
do limbo ao rizoma
é hora de acordar?
sem dormir
com dormência
sem acordo
ou acorde
vou tomar um café:
em qualquer padaria deste país                        


se paga o sonho com o real





FELLIPE KNOPP


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A nebulosa do fogo

negros olhos
ulha seca
em fundo preto
contraste-nebulosa
descifrada
em preto-e-negra
e escuro
fumaça sangrenta da inquietude
pulverização
de moléculas de estigmas
pó de basalto
pétalas de sussurro
ou as trens e poupas da madrugada
haurida ventilação
lançados aos ares
os poros vertiginosos
entupidos de neblina condensada:
são as lágrimas de um vulcão!
enquanto a carne do chão dorme

FELLIPE KNOPP


sexta-feira, 11 de junho de 2010

RIO VERMELHO

sexta-feira, 11 de junho de 2010


RIO VERMELHO


Forte denso pulsando dentro
pulsando pulsando querendo dizer
com sede de sangue com sede de sangue com sede de sangue
segue firme
cortando tudo
navalha afiada
os dentes ranger
com sede de sangue com sede de sangue com sede de sangue com sede de sangue
das veias ao hipotálamo
irriga os sentidos
desejo ferinono
ares sombrios
os nervos arder
tem sede de sangue tem sede de sangue tem sede de sangue tem sede de sangue tem sede de sangue
do ódio a vingança
do fígado à ira
da febre a caça
e nada mais passa
perdão então graça
perdão para quê?

tem sede de sangue tem sede de sangue tem sede de sangue tem sede de sangue tem sede de sangue tem sede de sangue tem sede de sangue
nem o freio de cá
com sua autoridade
faz ele parar:
Shiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
FELLIPE KNOPP,
Ateu

Postado por THEORIKÓNDOXAS

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ARTE-PLÁSTICA

Que ironia
pra fazer cirurgia estética
ter de tomar anestesia
o ponto sensível
do moral
melhorar o visual
no sentido radical
não se deve sentir nada
antes do final
a cirurgia acaba
e a anestsia local
passa
e mesmo que contemplado tudo
não sentiu nada
hipersenso do ajuizamento performático

FELLIPE KNOPP

domingo, 16 de maio de 2010

EXPRESSÃO

Este é um poema selecionado pelo autor de sua primeira fase, infância de sua poesia. Nele (poema) as questões radicais do Sujeito se elaboram de modo a ganhar sua forma de expressão propriamente poética: transformar o enigma em manifestação estética. Enigma do Homem, do Sujeito, enigma este que se confunde com sua própria formação, logo, sem solução definitiva! O Poeta não deixa de ser uma espécie de Édipo, aquele que reconhece que é ele mesmo sua própria esfinge! "Decifra-te ou te devoras". Produzido em 1994, quando o autor tinha ainda 11 anos de idade, um dos raros poemas dessa fase que vem brindar os leitores (também um dos poucos que o poeta recita de cor). É um poema ainda imaturo, verdade é, mas cosidere-se a tenra idade do jovem autor, ainda um menino engatinhando e tropeçando nas pernas das letras. Entretanto é extremamente precoce ao se admitir o que há de significativo na história da literatura para poetas dessa faixa etária, sobretudo na atualidade. Aprecieis.




1994


Em minha poesia


expresso minha angústia e dor


talvez nem seja bom poeta


por não saber bem falar de amor


não penso frases perfeitas


apenas transbordo no papel sentimentos


em forma de poema


que fluem em meu pensamento


as pessoas muitas vezes não compreendem


o que minhas letras querem dizer


se alegria pode ser tristeza


e angústia possa ser prazer


só tenho um [verdadeiro] concorrente


a quem nunca irei odiar


meu concorente sou eu mesmo


a quem devo superar


chegara ao fim de mais uma poesia


seu limite


a conclusão


restaram apenas sentimentos ocultos


atrás de uma expressão




FELLIPE KNOPP

sábado, 15 de maio de 2010

AOS LEITORES

Os leitores de "BOHEMANDO" também podem ler os poemas num sítio alternativo logado em http://www.webartigos.com/authors/12630/FELLIPE-KNOPP. Lá, além de alguns poemas não expostos neste espaço, encontrarão belas epígrafes aos poemas, escritas pelo próprio autor (eu): faço questão sempre de redigí-las em terceira pessoa!

FELLIPE KNOPP

quarta-feira, 12 de maio de 2010

CERDOMECHANISMUS

Você
que nada entende
atolado em vil crença
[se atente
bicho também sente
só não pensa!





FELLIPE KNOPP

terça-feira, 11 de maio de 2010

LIBRAS"

Não lamenteis
pois tiverdeis todo tempo
a reparar
mas a vaidade insana vos cegou!
contra vós todo desprezo
vermes asquerozos
não há prazo que dure pra sempre
a lei é a da compensação!
ver-se-á aos milhares
as vísceras de vosas crianças cozendo em seus ventres!
sangue talhado e ácido lácteo
se não se importam com justiça não se indignarão
os vermes não têm princípio
não lamentam seus mortos jamais
nem incoerências
não acham absurdo um paradoxo torpe
serão as tripas de vossos enfantes!
uma fachada revestida de plaquetas
hematophilia
estética de uma Arte grená
não vos preocupeis
jamais a justiça lhes foi uma questão
Importar-se-ão por quê?
hemácias de ópio
de cor condensada
betume que desce
na noite gelada
em banhos de náusea
em rinhos de nada
bezzerros ocos suturados
saturados de fórmica
filhotes-carbonetos
de brancos e pretos
brancos de tão pretos
e pretos
***
já eu tão preto de tão cinza
sem cinzas
veias pardas
***
a miséria entranhará vossas narinas podres
pobres merdas incoerentes!
furúnculos de tuas tetas leprosas
vosso rabo necrosado!
feito vossa cara!
****
Culotes não anistiam calotes
nem calotas de carro
***
Souberam sempre meus motivos
minhas razões
minhas justificações
***
Mas justiça nunca lhes foi questão
logo não farão questão:
vossas crianças se consumirão
***
Consumação em tormentas tenebrosas
a carne em pólvora
apavoradas
apolvoradas!
***
Lembrar-se-ão pra sempre
***
vossas crianças...
vísceras cozidas nos próprios ventres
e nem mesmo saberão o que são ventres
só vísceras
mas já cedo e tarde demais
como vós a justiça
a dança da balança
o eterno-retorno
FELLIPE KNOPP,
Ateu

domingo, 9 de maio de 2010

VÉRTICE

quinta-feira, 22 de abril de 2010

VÉRTICE

Não faça caso

justificar teus atos

por mero acaso

Não faças de teus desvios

erro ainda mais crasso

não desgraço!

Não me mostraste

do que não soube por mim

Se a coincidência que me atentou

vos irritou

foi ao ver que eu já estava atento

Não fosse assim

a coincidência não me seria percebida!

Foi percebida

ao atestar minha atenção

até a mínima alteração

Só não há coincidências para histerias e desatenções!

Mas o que se revela na coincidência pode ir mais além

pode até revelar [Outro caso

a repetição sistemática do Sujeito

FELLIPE KNOPP,

Ateu





domingo, 25 de abril de 2010

Devotação

Covardes de manada
não me dizem nada
chantagem de bando
me diz tanto quanto
outra coisa aventando
cada coisa em seu canto
não sigo a vida cantando
mas sigo andando



FELLIPE KNOPP

ORAS TRANSBORDADAS


Já é excessivamente tarde;
não vou fingir que é cedo;
você derramou o tempo;
o qual teve inteiro;
soma exorbitante;
disperdiçara vezes;
escarro ao escasso;
nem raridade;
pi-pi-pi-pi-pi-pi-pi

FELLIPE KNOPP

quinta-feira, 11 de março de 2010

LÍVIDO

Tua dívida
não espere dádiva
vadia
dia-a-dia
nada me vale
tua vida
valia nada
não divido
não alivio
vá limpar o teu cu
tua carne cortada
não recomporta a minha
nem me reconforta
feche tuas pernas
putinhas pós-modernas!
viadinhos de trapos
em país de lacaios-podres
[seus filhos de putas, suas putas, viados assoviados, tuas tripas pagarão vossos crimes, pobres malandros, elite sodomita de americano, esquerda topeirizada de marxismo de galpão de oficina, artistas de lonacultural, poetas-de-algodão doce, adivinhas com chip no cu, feiticeiros de informação comprada]
nem pobres
nem gorjetas
nem amor
nem patriotismo
de ti só aceito dinheiro!


FELLIPE KNOPP,
Ateu

sábado, 27 de fevereiro de 2010

SETECISMO

19-04-03


Registro: 286.540 Livro:518 Folha:200




A William Knopp, meu saudoso pai



Às vezes a dor nos apanha
Há dias em que a vida parece estranha
Há tempos em que o tempo parece astuto
Há horas em que a vida está de luto

Há vida na vida das pessoas?
Há boas coisas nas coisas boas?
E aqueles que esperam por tantas coisas
Será que não esperam por tanto à-toa?

Nos dias de angústia meu eco ouvi
Minhas carnes tremiam, o pranto engoli
Minhas mãos sacudiam, a cor eu perdi
Meu sangue gelava, nas veias senti!

Era medo,
Medo de mais uma vez não ver a saída
De todas as chances estarem perdidas
De todas as forças estarem rendidas
De estar combatendo em uma “luta renhida”

Por mais que soubesse ter qu’ir, num instante
Tive medo, era apavorante
Por mais que soubesse quão era importante
Eu quis passar o cálice adiante

Quem tem a magia da vida eterna que me tire do sofrimento!
O grande poder da magia é o desconhecimento!
O poder que traz alívio está na inocência
E a mágica da magia na falta de ciência

Também participo contigo
Contigo faço comunhão
Também já bebi desse vinho
Também já bebi desse pão

Também já senti as chagas no corpo
O peso que carrego da vida me parece demais
Por que não termino nada sem ficar com a sensação
De deixar tanta coisa pra trás

Feri-me e sangrei com teu sangue
Andei, pois, levado em teus passos
Senti me passarem as estacas
E vi os buracos nos braços

Me envolvi em teu ideal
Agarrei-me aos sonhos que lavras
Talvez a única coisa que ainda me emociona
É ouvir tuas palavras

Assumia sabendo do preço
Sabia o quanto era difícil
Todavia não estava pronto
Pra hora do sacrifício

Sentia o sangue escorrer
Os irmãos pranteavam tal sorte
Sentia a dor do saber
Derramava a alma na morte

Cada palavra falava com lagrimas
Cada verso com sangue escrevia
Por chagas formavam-se as páginas
Dissertava o horror que se via

Prefacio de sua descrença
Prenunciava sua sorte
Por tal decretava a sentença
Da descrença à sentença de morte

Soluçava olhando calcado
Seu destino já sabia
Ninguém mais estava ao seu lado
E o espírito rendia

E o espírito rendia
E o espírito rendia
E a voz ofegava
E o corpo sentia
E as pernas andavam
E as chagas doíam
E o espírito rendia
Ninguém o sabia



FELLIPE KNOPP,
Ateu

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

FLORES AO VENTO

Registro:271.717 Livro:488 Folha:377 [FNB/EDA]
29-08-2002


A minha amiga (e ex-psicanalista) Betty Grinman




Na distância o pensamento,
a dor que há tanto sentia.
Tristeza a não revelar-se,
no coração, então, se esvairia.

Afixionava-se noite e dia,
permeado pela melodia.
O tom grave feria-lhe adentro,
labor e melancolia.

O tempo suas moléstias;
gotas não se precipitam;
marcado a ferro e fogo;
os membros, pois, se lhe agitam.

Temor ao que estava adiante,
a dor que há tanto um problema.
Pulsava veloz e constante,
irresolutível, tal, seu dilema.

Palavras levava consigo,
como pedras afogueadas,
as conhecia como ninguém,
e o vindo e suas ciladas.

A dor, que há tanto, um segredo,
Há muito era medo do nada,
Agora nem nada, nem medo,
Nem dor, nem amor, nem palavras.


FELLIPE KNOPP

PINOTES

Pensas saber sem ver
pensas que não precisa ver pra crer!
saiba não ser sufciente nem mesmo ver
"São Tomé" viu
mas a dúvida persistiu
queria de fato saber
o mais próximo fora tocar
para crer
pensar saber
Mas você afirma coisas que não leu
Aquele o engodou
e você se deu
Introjetou-lhe a mentira pelas costas
você nem viu e creu!

Um salto de burríce!

FELLIPE KNOPP

domingo, 21 de fevereiro de 2010

ARCABOCLO

não...
Grão de voz
sem dilema
não lanceis pérolas aos porcos!






FELLIPE KNOPP

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Aporão das guarnições

ou a espiral descendente do inferno

Tintila

relva maldita

canareiras empoçadas

é leve o ar que leva o doce às narinas

cólido

enjoativo dos átrios

aos pulmões

zona tórrida do âmago

brotos de vísceras solutas

leve é o doce

ar intempestivo

rubrante

a valsa de morte das estrelas

Stella

Salete

Canaleta

embruscarrada de coágulos sentimentais

mucosa áspera das doutrinas coronárias

abstortas

indiferença visceral

sagrado-sentimento

O ar leve condensou-se-lhes nas narinas:

monções!

sem alusão?

Azulão coagrulaudo

as estrelas zombaram num balé infernal

outrora

cornetas-vagabundas

sinfonia espiral

[esperial?

aporão de caraçocas

vai a moça em teias de aranha

rodando yo-yo

ao olho do furacão

acomete-se de um pranto

sem prato

sem patota

nem patavinas

ou luxúria

Não vem além

não fora

sombras de 1 kg

no mel pneumático

sem solitude alguma

nenhum destroncamento nem ossos de galinhas

se decobriu precocemente todas cínicas

valores

rebarbas de livro morno

o ranger sustenido do silêncio da noite

pedra de cal

num lote baldio

ranger

Cautério translúcido das agonias exacerbadas!

FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

SUBIMUNDOS

Bordas camélias

em pano de prato

pratas ocos

ocasião

bordesejo

pratileiras

saco-vazio

insaço

insosso

prateirogenese

pruteiria

pára-prato

SUBMUNDANO

FELLIPE KNOPP

domingo, 31 de janeiro de 2010

NÃODEGAS

Não
derrrisão Verdade
moção mínima de uma palavra
com um só sem-sentido
Nada sem angústia
augustinado
angustinada
vazio desertificado
cheio de si
grande rebelação primordial

BOOMMMMMMMMM


FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

AUPREGNASSÃONTOSE

Rascquício

resquistossosmose

zamófilosophie

sintaxmático

taximática telecomúrias

aborissão

gabirosca

biga-rosca

moscascos os mordançam

maçandalhas saladinásticas

mochilhas e bandolinhos

algaravioletas

saleta salteaodores

serodaltos soltos ao sóton

soturnasnotas nostálginosas

sasoníferas ninferáceas rascasinhas

L'
oucos-raquíticos neurasteimosíacos!

__________



FELLIPE KNOPP

domingo, 17 de janeiro de 2010

CHANCELA D'ESCAMADA

Exulteis vossa canção

no enlevo indecisivo dessa escansão

Cada contra se contém

um ponto radical

se o sentido não evolui

ao cessar descontínuo

seu modo inapreensível de Ser

ter de se ver com esse haver

que transborda à falta de arestas

falta-se assim

mim]

Vive-se-morre até o fim

FELLIPE KNOPP

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O POETA

A respeito do fazer poético e sua indeterminação,
o Ser Poético e sua condição.
À quem possa entender

23-06-2002


Você me pergunta o que é Ser Poeta, eu te respondo:
Ser poeta é num dia de chuva abrir a janela
Entrar em casa e deixar a porta aberta
Fechar os olhos e enxergar o que nos cerca
É dormir, mas estar sempre em alerta
Ser poeta é querer
É tudo desejar e nada ter
É não ser bom, é não ser mau
Apenas Ser
Ser Poeta pode ser achar os homens lindos
e as mulheres maravilhosas
Despir-se de preconceitos
E quem sabe usar roupas rosas
Ser Poeta, meu amor
É não fugir da dor
É encarar o pavor
É não ter certeza
Apenas ver a beleza
De um novo dia que aflorou
Ser Poeta não é uma escolha
Mais um destino
É estar velho e sentir-se um menino
É ver as formas deformas diferentes
Achar semelhanças em coisas divergentes-
Ser Poeta não se entende!
O Poeta não é compreendido
Quando muito é reconhecido
O Poeta não tem um caminho
O Poeta não segue um sentido
Você me pergunta e eu tento explicar,
Mas não pode acreditar
Não tem a sensibilidade
De enxergar além da verdade
Mas que verdade é essa
A quem você tanto preza?!!
Eu tento e explicar
Mas não consegues assimilar!
Você se ri, debocha
Pensa que sou viado
Pergunta por meu namorado
Não compreende, não entende
Que o Poeta apenas é gente
Não é homem nem mulher
É um ser purificado!

FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Erro exático

Não foi um erro

Helvética

apaixonar-me por ti

se tinha que ter apaixonado-me por alguém

seria mesmo você

[a pesar já do que não fiz

você, helvétika que não me quis

a pessoa certa pra eu saber

de tudo mais além

que não devia mesmo

ter-me enamorado de ninguém

além de mim

a melhor relação de todas

do início ao afim

é justo então que seja assim

quase tudo se degrada

até por ações alheias

maliciosas

qual tua imagem desbotada

agora

com gente perniciosa

Paroxítonos disjuntivos de um velcro desfiado

a soma absurda das sombras binárias

medonhas furtivas de ransos recrusdecidos

mas é sempre possível reconhecer as diferenças

entre o queijo e o mofo

entre o alho e o espantalho

e a ilusão

FELLIPE KNOPP

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Arestas luzernas

Minha casa não é tua


meus livros não são teus


meus saberes não são nosso


nossos amigos não são só teus


meus sintomas são meus


não são meus e seus


suas são tuas coisas


aquelas de que nada me deu


se porventura mas desses


seriam aquelas algo já meu!


Não são teus os meus vocábulos


são da língua que no mundo recebi


com essa língua no mundo em que nasci


meu repertório que existindo constituí.


Minha história não é tua dádiva


é dádiva do que é com que vivi


se há semelhanças ou coisas em comum


é apenas porque é


no que posto reconheci


a instância do saber não é um lugar


muito menos esse suposto lugar é teu


meu saber é com a língua que eu falo


no que comunica diferente


não é teu também o que calo


se no que há em comum


já são todos ou nenhum


minha minha casa


meus meus livros


meus saberes meus saberes


tua tuarrogância


não ponha cercados no que não são tuas instâncias!



FELLIPE KNOPP





domingo, 27 de dezembro de 2009

MANDALATO

O Silva
na selva
medonho
na relva
um manto
sem Santo
um brado
sem canto
sem cantico
sem júbilo
e sem degraus
tua escada
escaldada
de cada isca ...
manto na relva
sem santo na selva
onde já si vil!
harpa desafinada
da serafinada do trono
Silva a serpente
foste um eleito neurótico
mas agora um pagão perverso

FELLIPE KNOPP,

Ateu

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

POERSEGUIDO

O mundo-não-acabou

nem os mundos

num só natal:

um só cristo não fazem uma "Nova-Jerusalém"

fazem-Além

o mundo-não-acabou

nem o Poeta morreu

Poetas sim são eternos

desde que eles mesmos queiram

não é necessário sentimentos

se é dom não-vem de deus

não é necessário sentimentos

É POESIA QUE SE SEGUE

[também

FELLIPE KNOPP,

Ateu

sábado, 19 de dezembro de 2009

LAMALMÁ


O breu está na rua,


na alma e na lama


em volta da mala


onde está a alma


enlamiada


enlAlmiada


a cegueira a tudo alcança: nada quer ver


Libra deturpada


ascese de bacanas


pseudoascese


pseudobacanas


sou jovem e tenho calos


insensíveis


Calos são cicatrizes amalgamadas


Não tenteis sensibilizá-los


Já foram feridas cruas algum dia !


Já foram Nervo-exposto ao breu clangoroso do Sol


Foram teus velhos indolentes em si mesmos: não é minha culpa!


ascético é meu calo!


Nervos austeros


Já tive fome de adulto


Sendo menino recebi comida de criancinha


aprendi a cozer! uma papa inchada de meu voraz estômago!


Serão sempre tuas crianças infantes: não é culpa minha


vosso espelho


jamais viram o deserto


minha couraça é a própria pele que curti


não m'ambicioneis !


das flores não tive o tempo


de vossos ingênuos diários de normalismo Secundário


Teus 20 anos foram aos meus 11


nababesca-insolência de vossa cobiça sordida!


Eldoro-de-tolo


Não vos sou indulgente !


se vossas futilidades vos consumiram todo tempo útil


O meu não consumirão


porque estive alerta o tempo todo


desde moleque!


adormecerdes em berço-esplêndido


e agora alcovam ratos


brincaram sempre sem porvir


Vermes de madrugada!


Multidões de Covardes!


Jamais souberam a autoinvestigação


sem anistia!



tem a balança de se equiparar!



FELLIPE KNOPP



sábado, 12 de dezembro de 2009

EU INTERIOR, O ESTRANHEIRO

Gostam de Big B... invasão de privacidade, querem sentir-se "íntimos"? Querem algo vindo do meu interior? Comam minha merda e bebam minha urina que vêm de dentro de mim (M. Fonseca: outras situações) - participareis, assim, de minha "intimidade". E é democrático, está disponível a todos, basta fuçar os esgotos.


FELLIPE KNOPP

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A LUA NÃO FAZ O CÉU

Choraste teu soro-vertigo
cínica condolência
sotêrro ossuário
todas indulgentes fingindo chorar amor
lágrimas de colírio
requereis o que nunca destes
e jamais quiserdes
tendo sempre
não foi ira
foi glaciação
a cruz não matou ninguém
foi um beijo!
Negativo
catéteres de turbina
carburação de cata-ventos
quiserdes amor?
falaste de dor
pisaste meus átrios!



FELLIPE KNOPP