versatilidade polimorfológica

VERSATILIDADE POLIMORFOLÓGICA

http://theorikondoxas.blogspot.com/

DECIFRA-TE ouTE DEVORAS!
ou dê-cifra-te /ou te-dê-voraz




POESIA sem concessões; ARTISTA autônomo; MÉRITOS sem contrafação ; PRESTÍGIO sem adulações.
O blog que a inveja não deixa ver : seu espaço ultra-seleto! Para pessoas realmente inteligentes, para uma recepção Verdadeiramente Vanguardista!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Arestas luzernas

Minha casa não é tua


meus livros não são teus


meus saberes não são nosso


nossos amigos não são só teus


meus sintomas são meus


não são meus e seus


suas são tuas coisas


aquelas de que nada me deu


se porventura mas desses


seriam aquelas algo já meu!


Não são teus os meus vocábulos


são da língua que no mundo recebi


com essa língua no mundo em que nasci


meu repertório que existindo constituí.


Minha história não é tua dádiva


é dádiva do que é com que vivi


se há semelhanças ou coisas em comum


é apenas porque é


no que posto reconheci


a instância do saber não é um lugar


muito menos esse suposto lugar é teu


meu saber é com a língua que eu falo


no que comunica diferente


não é teu também o que calo


se no que há em comum


já são todos ou nenhum


minha minha casa


meus meus livros


meus saberes meus saberes


tua tuarrogância


não ponha cercados no que não são tuas instâncias!



FELLIPE KNOPP





domingo, 27 de dezembro de 2009

MANDALATO

O Silva
na selva
medonho
na relva
um manto
sem Santo
um brado
sem canto
sem cantico
sem júbilo
e sem degraus
tua escada
escaldada
de cada isca ...
manto na relva
sem santo na selva
onde já si vil!
harpa desafinada
da serafinada do trono
Silva a serpente
foste um eleito neurótico
mas agora um pagão perverso

FELLIPE KNOPP,

Ateu

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

POERSEGUIDO

O mundo-não-acabou

nem os mundos

num só natal:

um só cristo não fazem uma "Nova-Jerusalém"

fazem-Além

o mundo-não-acabou

nem o Poeta morreu

Poetas sim são eternos

desde que eles mesmos queiram

não é necessário sentimentos

se é dom não-vem de deus

não é necessário sentimentos

É POESIA QUE SE SEGUE

[também

FELLIPE KNOPP,

Ateu

sábado, 19 de dezembro de 2009

LAMALMÁ


O breu está na rua,


na alma e na lama


em volta da mala


onde está a alma


enlamiada


enlAlmiada


a cegueira a tudo alcança: nada quer ver


Libra deturpada


ascese de bacanas


pseudoascese


pseudobacanas


sou jovem e tenho calos


insensíveis


Calos são cicatrizes amalgamadas


Não tenteis sensibilizá-los


Já foram feridas cruas algum dia !


Já foram Nervo-exposto ao breu clangoroso do Sol


Foram teus velhos indolentes em si mesmos: não é minha culpa!


ascético é meu calo!


Nervos austeros


Já tive fome de adulto


Sendo menino recebi comida de criancinha


aprendi a cozer! uma papa inchada de meu voraz estômago!


Serão sempre tuas crianças infantes: não é culpa minha


vosso espelho


jamais viram o deserto


minha couraça é a própria pele que curti


não m'ambicioneis !


das flores não tive o tempo


de vossos ingênuos diários de normalismo Secundário


Teus 20 anos foram aos meus 11


nababesca-insolência de vossa cobiça sordida!


Eldoro-de-tolo


Não vos sou indulgente !


se vossas futilidades vos consumiram todo tempo útil


O meu não consumirão


porque estive alerta o tempo todo


desde moleque!


adormecerdes em berço-esplêndido


e agora alcovam ratos


brincaram sempre sem porvir


Vermes de madrugada!


Multidões de Covardes!


Jamais souberam a autoinvestigação


sem anistia!



tem a balança de se equiparar!



FELLIPE KNOPP



sábado, 12 de dezembro de 2009

EU INTERIOR, O ESTRANHEIRO

Gostam de Big B... invasão de privacidade, querem sentir-se "íntimos"? Querem algo vindo do meu interior? Comam minha merda e bebam minha urina que vêm de dentro de mim (M. Fonseca: outras situações) - participareis, assim, de minha "intimidade". E é democrático, está disponível a todos, basta fuçar os esgotos.


FELLIPE KNOPP

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A LUA NÃO FAZ O CÉU

Choraste teu soro-vertigo
cínica condolência
sotêrro ossuário
todas indulgentes fingindo chorar amor
lágrimas de colírio
requereis o que nunca destes
e jamais quiserdes
tendo sempre
não foi ira
foi glaciação
a cruz não matou ninguém
foi um beijo!
Negativo
catéteres de turbina
carburação de cata-ventos
quiserdes amor?
falaste de dor
pisaste meus átrios!



FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Órbita plurissingular

Dedicado às respectivas memórias de Guy Debord, e Jean Baudrillard



Todo ano se anuncia
nasceum
alguém faz aniversário

Nascem singularidades
totalidades incompletadas

sciclolaridades
unidades plurais

Não se despojam singularidades
suas semelhanças são imcomparáveis

todaparte
difracionário

todos partidos
apartidiários
parte de meu dia

Não se trocam identidades: identificam-se!

Não há igualdade a um mínimo desvio
a diferença produz algo mais: semelhança

Palavra é diferente da coisa-viva!

O maior tecido do corpo não revela intenção alguma
órgão-carenagem

Não se passa ao lugar do Outro:
eu vou à outro lugar

parte de um todonão-fechado

E o Pensamento

Universo particular

múltiplas variáveis infinitesemais
Quem sabe ao certo o que sonha?

Plurivariantes dicotomizadas

Indentificam-se as diferenças

Anunciação do incalculável silêncio orbital

FELLIPE KNOPP

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A terceira margem do abismo

Nos dias atuais já não se justifica falar em "poesia marginal": a Poesia mesma é agora marginal. O resíduo da produção dacantado na vida social é marginal. A produção acabou e com ela o próprio fazer poético, amiúde, tornou-se uma atopia. A Poesia faz-se extemporânea de si mesma porque tudo que se chamava por produção tornou-se anacrônico. A Arte é um trabalho, mas como todo trabalho social, foi anulada pela revolução do código na reprodução dos signos da produção. O lúdico da poesia já não consegue promover nem ludismo às impressões receptoras mais incômodas.


FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Assonância incógnita

Não se sabe ao certo
de certo modo
o que significa um silêncio
Mas um silêncio não é pecado
a quem nada fez de errado
Seja ou não
uma forma de recado
que se diga, ao menos
caso encerrado
ou obrigado
FELLIPE KNOPP

HELVÉTIKA

Remissivo ao verão de 2007/2008, um augúrio seco




Passara-se nosso tempo
teu e meutempo começam
como são
São ou temprano
temporão
contemporaneos
mundo insano

Vibração fugidia de uma luxação mnêmica
lastro irrastreável
dolor rarefeito
Pressão vertical da gelida pradaria
febre do caos

Insípida moribunda dos mananciais séquidos
vertigem e colisão

éter viscoroso em lua-de-queijo

A noite do porvir nas lacunas das hiâncias
o aceno contido
plataforma silenciosa
não se sabe quando outra vez
não se soube
não sebemos se se saberá
não sabemos
jamais o soubemos

Porque a raridade fusionou-se à escassez
fez-se uma mitologia de vertigo e sentimento
Helvecioso
Foi assim naquele tempo
eu mesmo vi
Uma lenda que nós dois criamos
para nós dois que a criamos
não a cremos
porque eu nos criamos
não crieu amor
Helveciosa
O mito que quiz lenda
humana

Meu coração gemeu nosso não
meu sentimento foi o nosso, helvética
naquele tempo, me lembro
eu vi

Magia não cri, tu fostes

Helvética, forasteira

Teu mês me durou mais de um ano
naqueles dias

Não tiveste vibração
a tivera por toda

Meus poemas não tiveram réplica
o que dizer de teu silêncio?
naquele tempo
Helvética

És-me toda em poema
Helvética

A memória apaga o tempo da memória
da memória do tempo
a distância
dinstante

Helvética

Três cds e saudade
naquele tempo

Qual neve me desliza à testa,
Helvética?

Foi-se que não fostes
Viera-me

a solenidade ríspida do real
sem prelúdio, sem sonho, sem ti

Helvética


FELLIPE KNOPP

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Registro: 286.540 Livro:488 Folha:200 [FBN/EDA]


27-05-2003


Quando uma coincidência ocorre estranhamos,
quando esse mesmo estranhamento se repete ficamos atentos




CHAMAS DO PURGATÓRIO*
(fase religiosa)


Gritos e chamas de vela
advindos do purgatório,
do inferno no consultório,
que coisa é aquela?

Chamas e gritos, da vela,
de dentro do consultório,
de fato o diabo existe,
foi criado em laboratório.

Habita zonas abissais,
no fogo que consome,
em tudo querido além mais,
nas frases, nos nomes.

Em ofensas, em mentiras,
em lágrimas de agonia,
em elementos que permeiam
nossa vã filosofia.

Adentrando zonas escuras
do querer além mais,
deram sopro à escultura,
deram vida à satanás.

Deram velas, deram gritos,
deram todos os elementos.
Deram à luz as trevas, um algo,
constituído por pensamentos.

Fica o mesmo espreitando,
tentando minar a calma,
esgotando a resistência,
tentando comprar minh’alma.

Ao inferno desceu,
no lugar onde fora forjado.
Tentaram criar a deus
e acabaram criando o Diabo.

http://vocaroo.com/?media=vCfqB6RMAXTMepFqu
FELLIPE KNOPP,
O Ateu
___________________
* A respeito da proposição atribuída a Voltaire: "se deus não existe, precisamos inventá-lo"
(A data corresponde autenticamente à produção do poema disposto acima)

sábado, 17 de outubro de 2009

OS BOBOS DO ACORTE

Croniqueta
Às vezes, na noite, nas mesas de botecos que frequentei aqui no Rio de Janeiro, observava discretamente, os jovens de minha geração, da faixa etária dos vinte aos quarenta anos. É bem engraçado por um lado, mas enfadonho de outro, os rituais de flertagem, todas as macaquíces que envolvem essa ritualística, à qual quase nunca vemos com distanciamento crítico, por se estar até o pescoço atalodo em tal cerimmonial. A maioria da pessoas fica verdadeiramente infantilóide nessa situação-paquera. E o momento é tratado, de modo idiota, socialmente como hora solene, qualquer interferência espontanea, involuntária, ou urgente torna-se uma espécie de profanação - "não interromper os pombinhos" - é uma imbecilidade tácita compartilhada, os indivíduos são solidários em suas futilidades! Mais a mais, os procedimentos do flerte não passam de uma espécie de reconhecimento de código, declamação de senhas, se presumir e dizer exatamente aquilo que o par pretendido espera ouvir mediante um menu discursivo pobretão, prescrito - a ousadia não é propriamente proposicional, é mero alvoroço animalesco de bobalhões tentando bancar palhaços de comédias baratas de Hollywood, um tipo de repertório B. As cantadas são horendas, entre o kitsche e a insolência, não são mais do que clichês vulgares a traçar alusões ou analogismo baratos entre traços de personalidade, composição estética (com esses termos eles nem reconhecem o que fazem) e frutas popularescas.

Quereis que eu prossiga?

FELLIPE KNOPP

PURGATORIUM

Repentinamente, a imagem asquerosa. Algum signo escatológico qual não percebera deve ter evocado aquela cara nauseante. Mal consigo conter a ânsia regurgitante, o sangue-pisado na parte inferior dos olhos daquela coisa, boca de sapão desembeiçado... haja estômago! Pelancas de iguana sob o queixo ou algo símile a um dragão de comodo com as carnes podres. Acho que meu estomago quase virou-se ao avesso naquele instante, daí racionalizo - é só uma imagem, mnemônica, tal bosta nem me tocará. Sinto-me aliviado, a imagem grotesca se esvai. Ufa !!! Lembro-me da necessidade de um estoque de Plasil e/ou Dramin na caixinha de remédios da minha casa. Imagem estritamente mental, mas parece até exalar um cheiro podre de foça entupida. Pele de tartaruga desidratada, corpo de cambaxirra ressequida e cara de caramujo vomitado, tanta escatologia numa só coisa... enfim, não devo temer a podridão, a bosta deve ser removida, e não temida! Eu sigo...
FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

LOGOS PÓIESIS

A Poesia parte de uma simples idéia e logo a ultrapassa. A poesia mais fiel sempre trai o poeta! A poesia não é mais do que a negação das condições de sua produção! É a afirmação de seu produtor para além dessa condição - reapropria o poeta de seu além expropriado pelo trabalho social ou pela religião - é a única ilusão propriamente concreta, talvez a única transcendência individual que seja materialista e estritamente histórica. A poesia nega a produção sem suprimir seu produtor: reconcilia o Homem consigo mesmo - é o religare propriamente humanista! Há poesiA !
FELLIPE KNOPP

domingo, 20 de setembro de 2009

-10

A dívida impagável deste país para comigo !
O que fazer?
O que se fez não é nominável !
Foda-se teus velhos astênicos
e teus vermes de colo
A vida que destruíram
injustificavelmente
não foi a de um velho
que quase tudo já vivera
foi a de um jovem honesto e honrado
Quem devolverá meu tempo? [ perdido
Os anos que me arrancaram não foram os da velhice
foram os da aurora da mocidade
Sei que nem que todo sangue podre deste país
deitasse duma só vez
eu estaria compensado
A eles não seria mais do que o merecido
[se merecem algo, é só isso
Que escorra todo esse sangue vil
como minha juventude escorreu de minhas mãos
como minhas lágrimas escorreram de minha sede
como meu reflexo se escondeu de mim
e meu ódio congelou!
Derrame um turbilhão de sangue
à contramedida em que represou-se minha angústia
fez-se força
Deite todo esse sangue
como deitada fica a fome
Escorra
como de minha boca escorreu-se a sombra
a fuligem a substituir o nada
escorreu-se o beijo e o prato sem pão

O tempo acerta as coisas?

Mas com o tempo roubado furtou-se o perdão!

C'est trop tard !

Só me vale o que me é devido
Disso não abro mão,
nem uma só fagulha !




FELLIPE KNOPP

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

" Eu sou um escritor,


eu lido com coisas emblemáticas


e símbolos"




[ Ariano Suassuna

domingo, 16 de agosto de 2009

Foneplastisintaxe: escalafobia e desagradação (?)

Pouco a pouco fui criando um percurso dentro da evolução da história poético-literária, a partir da perspectiva romântica (e neo-romântica), que meus poemas hoje chegaram ao chamado "pós-modernismo". O que venho percebendo, "naturalmente", é a redução de minhas construções a uma experiência com a materialidade linguística cujo efeito estético mais evidente é eminentemente fonemático, a plástica tem se reduzido a essas nuances que privilegiam consequentemente o aspecto fonético a partir do imbricamento e fusão, arbitrária até, dessas partículas: mas quero ainda ver qual será a conseqüência máxima dessas operações em minha poesia, a tal ponto que busco reduzi-la a uma experiência (meio "esquizofrência") das materialidades puras em jogos de aposições significantes, com critérios propriamente fonéticos, obviamente, pois do contrário, recairia na perspectiva de uma "poesia visual" a que o concretismo já postulou e talvez tenha haurido. Quero ver de que maneira a sintaxe poética se evidenciará a partir dessas minhas construções, obliterando quase totalmente os padrões morfológicos (o que também não é novidade), como inerente da função de eterno retorno com a recepção - que sentido desconfortável será susceptível brotar nessa relação em que a sintaxe não comparecerá como imanente, mas como reflexão? é o que pretendo descobrir em minha poesia.
FELLIPE KNOPP

domingo, 9 de agosto de 2009

Homenagem a William Knopp

Frente a imensidão do que se tem de falar não é sempre que se consegue a proesa tão emanadora de encontrar as perfeitas e sublimes palavras para descrever ao que foge à propria limitação do termo, plenitude - essa palavra talvez seja impassível de ser compreendida e ter seu significado compartilhado. Perder-se no limiar absoluto onde tudo encontra lá sua derrisão, talvez se aproxime da "essência" radical de todas as coisas, contudo não a toca, não a exprime. Plenitude, vejo-me tão redutivamente anulado pela insuficiência da expressão que me define - aí nesse indizível tudo torna-se defnitivamente nada - a vida esvai-se junto ao paradoxo que sempre permaneceu em seus meandros e seu curso. Quem sabe a vida, na sua essência, se esta houver, não seja algo limítrofe ao paradoxo?
Colher verbos num mar de pseudo-essências fora sempre um empreendimento frustrante para designar o ser a seu próprio termo! Insuficiência, tão modesto quanto heróico, eu me abstenho em tentar inferir qualquer definição ao que seu nome não é capaz de manifestar - incognoscível. Assim me parece a morte e eu não tenho o que dizer a respeito, mas a partir dela posso falar sobre algo não-pleno e muito mais-valoroso: "falarei do que amei"¹. A morte que em sua potência me mostrou importância de quem nela foi absorvido para me oferecer seu valor integral. Escrevo nessa ocasião lado a lado com o filósofo - falarei do que amei. Falarei de meu saudoso pai cujo desaparecimento revalida o mérito verdadeiro do afeto que em vida lhe conferi e logrei demonstrar do modo como pude. Meu pai, cuja carne misturou-se à terra junto à sua alma, solo de minha peculiaridade. Meu pai em cuja vida devotei respeito leal e jamais subserviência, qual nunca me fora requisitada. Seu deixar-de-ser elevou seu fico, um modo meu de conferir enternidade de sua existência em minha própria alma: ele totalizou-se sua história e eu não compreendo tal absoluto. A instância etérea de sua figura está já inscrita na alma: minha escrituração o testemunha - escrevo aqui sobre aquilo que amei, meu Pai.


FELLIPE KNOPP





1 - Debord, Guy. PANEGÍRICO (p12). Conrad Editora do Brasil, 2002. São Paulo, SP.



segunda-feira, 3 de agosto de 2009

ARQUIPELADOS


COSMOS, COSMÉTICOS E KOSMYTHYKOS


Aforismos de chão-asco
zumbis-de-clichê
sofismas de ocasião
cospe afora
emporcalhado no chão
com seu verbo-fiasco
seu discurso sofismático
combinados ao mero acaso
camuflam contradição
numa situação débil
em que os agentes da passiva
divagam por sua vida
sonâmbulos pelo solo
sem densidade de seu pó
farelos do sono vocabular
significantes insulares
arquipélagos insones das horas abissais




FELLIPE KNOPP

domingo, 2 de agosto de 2009

La logique du hic et nunc



"Sonhos" que você mesmo tem de realizar

não são sonhos, são projetos -

das mais humanas perspectivas




Acho que fui sempre mesmo precoce
desde moleque não tenho sonhos
ao que chamavam sonho
aprendi desde cedo a nomear correto: desejo
o limite da vontade
concreto no que pode
efetivo no que se consegue devidamente
jamais tive Sonho
no mais ilusório devaneio -
Pesadelos
o caos é o pesadalo que à revelia se efetuou
um antidesejo objetivado à sua própria moção
Papai Noel?
Jamais senti sua falta
nunca recebi sua visita
jamais presumi sua presença
o real sempre excluiu o noel!
deus? fora apenas um mero equívoco
um erro corrigível, óbivio
ao contrário do que possa parecer
não estou aqui a esperar coisa alguma!
(aliás, aqui designa lugar e não situação - lugar refere-se a espaço, e não condição)
estou em curso: segue-se a ambigüidade
e a polivalência
Por que não?
quando moleque sonhava sempre com o diabo
ele voava e dizia querer capturar-me
Hoje eu rio
pouco entendia
diabo é apenas metáfora
sintoma do mundo
o Inferno, esse sim parece ser-real
mas e daí ?
nomes, apelidos...
o mundo está posto
e nós postos no mundo
Imposto
impostura mundana
mundanação
nem me comprazo nem resigno-me
sonhos não tenho
até os mais trivialescos dos desejos são às vezes infrutíferos
mas não se deve superestimá-los
estão aí como quase tudo que há
não são melhores só porque não se os têm
são melhores que Eu os "mais-validos" ?
mais-valho Eu
entendo-o
e já sou entre os melhores
mundo está posto
não estou eu sobre este?
até me pleonarizo
Eu sou o que Sou
já que tudo mais é sintoma






FELLIPE KNOPP

BADALO DOS RETRATOS INSOLENTES

Ecos malditos de iconografia degradada
sombra silenciosa de uma memória persistida
indecorosas representações assessórias
e à revelia
timbre malquisto dum abuso qualquer
sem valia aí mesmo
imagem sustenida
da ambiência exorcizada
ceol desvalido
de feixes de escuridão amiúde
o pormenor das nâuseas expurgadas
segue-se o vão desse nada significado




FELLIPE KNOPP

sábado, 1 de agosto de 2009

PREFÁCIO À "POESIA-MAGMA" (à Guimarães Rosa)

Penoso é definir a relação do poeta com sua arte. Minha relação com a Poesia é na verdade uma relação vital. Jamais chegaria a ser um artista de vanguarda, ainda que o quisesse. Tal Poesia tem a rudeza e a rusticidade espontânea de um artista que nasce como um botão valente nas pedras. Ela seja, talvez, distanciada de todo movimento de “arte de ponta” que conhecemos. Esse fazer poético não se pretende uma revolução estética e conceitual, e nem poderia, mesmo que o quisesse. Minha Arte é fundamentalmente uma Declaração, e um registro – é quase documental. Essa Poesia quer apenas falar, pode apenas falar. Falar mais para ensurdecer do que ser ouvida. As bocas emudecidas não querem apenas “Revoluções Estéticas”. Essa arte não dissimula uma arrogância subvertida sob a égide da simplicidade forjada, calculada. Se ela quer-se simples é porque não pode ser de outro jeito senão simples – e talvez aí possa (quem sabe?) haver qualquer coisa de realmente revolucionária, nessa arte bruta e furiosa que tenta, às duras penas, ser honesta. Em respeito de Poesia, poder-se-ía afirmar que poesia é um fazer-dizer restrito ao seu próprio enunciado, autodeterminada segundo sua própria sintaxe. Poesia (poíesis) não é caudatária de nada, não vem a reboque de nada, não admite secundarização locupletar em relação a nenhum outro discurso, só pode ser expressão daquilo que deveras é de si mesma.





FELLIPE KNOPP

Antroridades merdiáticas

À Pivas

Antro de merda
antro de porcos
antro de putas
antro de velhacos
seu meio

a média ponderada de medíocres
copros eqüinvalidos

seu meio

o olho de vosso venerável cu

bocas de culatra

o antro e seus puleiros

ovos de jararacas noduladas



FELLIPE KNOPP

quinta-feira, 30 de julho de 2009


"Aquele que tem ciência e arte tem também religião: o
que não tem nenhuma delas, que tenha religião."


Göeth apud. Freud in: O mal-estar na civilização. (Grifo nosso).



Não é uma crença mística que move necessáriamente um artista, mesmo quando elementos ditos religiosos aparecem relacionados no conteúdo de suas obras. O que move o artista é a idéia que se faz sobre, a partir das impressões que lhe afetam a intuição, em todos os sentidos.




FELLIPE KNOPP

segunda-feira, 27 de julho de 2009

MEDIA ESTATICISTA

mídia, média,
medéia
mediar uma relação
efetivar uma negação
o meio e o medo
não tenhais medo
o mundo
o ponto médio é só estatística
não é ponto senão de aundiência
ou anuência
quase nunca de coerência
ponderação? Alforjada
medíocridade a serviço de quase-nada
extra judicia de falácia
mordaz amordaça
as mordeduras de tantas trapaças
deixam suas marcas
no couro e na caracaça
na carapaça sem carapuça
a quem tenha vergonha na cara!


FELLIPE KNOPP

sábado, 25 de julho de 2009

LOQUAZEDO

Aqui por tudo que fiz
nada que quis
não pertenço a este país
este que nada me diz
o que me vês fazer assim
é o que sei de mim
por mim
posso nem ter dez casas ou sete vidas
trinta calças ou sabe-se lá quantos milhões
mas tenho inúmeros talentos
e uma honra
todas meus
sem espera do agora
da causa
ou da caça
a chuva se dissolve intémperas do solo
a colisão do alfabeta
aceleração das âncoras de cais imaginário
névoa compacta
a chuva brota da relva
onde habita a selva
sublevação de doses de nicotina
o descortinar da evasão
lástima-cal
cosmolito
farofa não é areia
faroleia !
tóxico-menta de pleromia
lixiviação afeto-circunstancivida
densa atmosferato cianeto
Didaskacos
kaos
cerol de fio de pipa-fuego
ceol das oras ogivais
urticurânio radiotelevisivo

Boom !!!




FELLIPE KNOPP

segunda-feira, 20 de julho de 2009

PARAXITONOLÓGICO

Resma de tabaco aspirado
num violão de palha fina a
extensão almerengue mordaz
havia aquela indiazinha balzaquijoviana
mon pipebule saneia toda minha imaginação
clímax poéticointelectual
saltos titânicos ou colossais
a hora-rasante de helvécio em meu bolso
nem calixto nem canastra
nem canalha
Método!
Isso sim
após anos de dedicação algum proveito de mim para mim eu, altermeu (estrutura?)
Moi
Salubre
alguns vermes no lixojuntoàdegradaçãorgânicoética

onde: nem ética, nem estética nem etiqueta
"Est'ética"
ethos do ser-no-mundo
nós poucos
eles não
onde: eles não
inox de assepsia e rágua de vinil
souvenir de giz-de-cera
fósforos de butano

olhos de rapineiros e algumas ressonâncias visuais malditas
na atmosfera dos ares efêmeros do terror
a névoa de um retrato débil
Mas minha mente é São

bramidos fortiurnos flâmulacor das apregnações arredias amentalicalafoaltica
como resmuir esse conceito?
Je n'ai sais pas !

barrocas do coldre-barbárietilêno
alcoolimistas bulas de táblarcaica
vernáculo de cláusula perdida!


Daime de beber ao lado indiazinha!
Prazer perfoito
Merci!





FELLIPE KNOPP

domingo, 19 de julho de 2009

A COERÇÃO-VISUAL, UMA SARAIVA DE NÁUSEA

O odor é repulsivo, a cara hedionda! Lixo subumano, as olheiras mais parecem infladas, escuras feito sangue-pisado. Pelancas e rugas feito fresas esparramam-se pela cara: anta de ferraduras, caminha qual desse pinotes - capiroto de águas podres. Zumbi de papadas, tem a presunção criminosa de revestir-se de uma estopa larga, achando que tem algo a mostrar ao mundo. Ignorante por natureza, não tem o menor senso de rídiculo - gosta de assediar espuriamente gente jovem, para quem, sem sombra de dúvida, o aspecto amorfo de sua carcaça escatológica causava náusea visceral, a regurgitância era sempre iminente frente a ressonância traumática de tal imagem - a lagartixa de hematomas. Pútrida de caráter, a gosma que transpira na cara se assemelha a pus (se não o é!) - se houve feminilidade ali nalgum instante remoto, essa fora de ratazana ou de gambá encarniçado. Vais te mancar, choldra de bolo de merda, porque te atreves a poluir o espaço com vossa débil representação?! (Sorte minha estar de estômago vazio. Teria vomitado ao ter notícia de nojosa e virulenta subsistência patogénica). Esquistossomose ou lepra percrustada? [Rugas profundas por toda cara, a pele mais parece uma sanfona fechada!]




Os carbonetos são fichinhas !






FELLIPE KNOPP
_______________
Alterado em: 07/12/2009 "[ xxxx]" , às 21:12, aproximadamente

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Garcejos


Nem choro nem vela
tampouco veleiros
lambes o sangue deitado
como imolação tenre
verteso breu nos ossos
vertiginomaníaca
escarrastes na mão cariciosa
agora...
fuligem ectoplasmótica
tanto cinismo
roucas de de bagaço boqueteiras
eis infrutos de vosso solo malsão
frente a si
tinheis orquídeas-raras
quisestes limbo de gigogas
cacarejeira
cheiro de garças!




FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 10 de julho de 2009

METANO DESTILADO. CHORUME NAS VEIAS

Breve conto

A Dalton Trevisan


O sinal matinal. A porta se abre. Seis horas da manhã. Sai aquilo com manchas grises na pele. Parecem sardas de lepra incrustada. No umbral outra choldra com cara de asno. Traz um pra mim também! Tá bom, vou trazer, responde a besta rugosa, com cara de papel crepom amassado. Sai aquilo. Com um pouco mais de atenção perce-se bem que usa fralda geriátrica sob a calçola bancarrota. A veiaca também. O cheiro prútrido da merda empastada empestia o corredor. Cheiro de bosta com perfume barato de lavanda e naftalina das mortalhas conservadas no armário. Um festival escatológico de odores e combinações desarmônicas numa estética grotesca. O velho acha que é agente de CIA ou algo assim. A xoroca pensa que tem mediunidade, banca a feiticeira de terreiro. Aquela imagem degradada lembra uma espécie de simbiose de coprofilia. Hematomas, quelóides, valas cutâneas... retrato da degenerescência, uma bitoca ligeira que se trocaram, embrulhou-me o estômago, quase regurgitei. Bichos horrendosos, remeti-me, por força do testemunho visual, à imaginação de uma cópula asquerosa entre nematelmintos - aquela imagem tinha cheiro, exalava um ar insalubre de carniça e latrina revolta. Quase um trauma. Aqueles, quase vermes- quase gente: muita náusea. Violência visual, crime estético. Ele volta com um embrulho. Cheiro de merda nas calçolas - um rastro de cacas no chão do corredor. Ela diz: a mesa já está arrumada, ele ainda no corredor. Ela na porta, com um batom vulgar sobre os lábios murchos cheios de vincos, parece uma lagartixa desidratada. Os borrões de maquiagem de viaduto mal utilizada estendem-se até a testa. As roupas, retalhos de pano-de-chão. Na cabeça, uma bandagem que mais parece um bolo de papel higiênico usado. Eles entram. A coprofagia é iminente.
FELLIPE KNOPP



esses cus leprosos de boçal...

Rasão-social

Ao Prof. Gilberto Felisberto


Não há males que vêm pro-bem
há males pára Bem
há maisleis para bons
há males: pára-bens
não há Malés

deus não é brasileiro
o sol não é brasileiro
eu tembém não

Razão parece não ser
brasileira


brasisneira


Felisberto ! Meu caro !
a Razão nunca será brasileira!
Nós é que não




FELLIPE KNOPP

domingo, 5 de julho de 2009

HONERÁRIOS E MANDOTÁRIOS

Ecos do congresso
ecas no progresso
coisa-pública e seus erários
SECRET [er] ários
peitas aos funcionários
o Est'ado dos perdulários
suplentes, serpentes, e caudatários
chefes-funcionários
cuidando do erário
[era uma vez ...
nunca cumprem seus horários
alto escalão
Sauto Escalado
funcionários cuidam do erário
fora do horário
pra garantir seus honerários


FELLIPE KNOPP