Este se pretende um espaço destinado a exposição de produções poético-literárias e crítico-filosóficas.Pretende-se ampliar os horizontes do pensamento e do fazer poético, bem como problematizar deliberadamente suas proposições inerentes, de tal forma palatável e prazeroza para quem produz e para quem lê. O que se verá é mais que uma espécie de "poesia de artesanato".Mas tamBem
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
LOGOS PÓIESIS
domingo, 20 de setembro de 2009
-10
O que fazer?
O que se fez não é nominável !
Foda-se teus velhos astênicos

e teus vermes de colo
A vida que destruíram
injustificavelmente
não foi a de um velho
que quase tudo já vivera
foi a de um jovem honesto e honrado
Quem devolverá meu tempo? [ perdido
Os anos que me arrancaram não foram os da velhice
foram os da aurora da mocidade
Sei que nem que todo sangue podre deste país
deitasse duma só vez
eu estaria compensado
A eles não seria mais do que o merecido
[se merecem algo, é só isso
Que escorra todo esse sangue vil
como minha juventude escorreu de minhas mãos
como minhas lágrimas escorreram de minha sede
como meu reflexo se escondeu de mim
e meu ódio congelou!
Derrame um turbilhão de sangue
à contramedida em que represou-se minha angústia
fez-se força
Deite todo esse sangue
como deitada fica a fome
Escorra
como de minha boca escorreu-se a sombra
a fuligem a substituir o nada
escorreu-se o beijo e o prato sem pão
O tempo acerta as coisas?
Mas com o tempo roubado furtou-se o perdão!
C'est trop tard !
Só me vale o que me é devido
Disso não abro mão,
nem uma só fagulha !
domingo, 16 de agosto de 2009
Foneplastisintaxe: escalafobia e desagradação (?)
domingo, 9 de agosto de 2009
Homenagem a William Knopp
Frente a imensidão do que se tem de falar não é sempre que se consegue a proesa tão emanadora de encontrar as perfeitas e sublimes palavras para descrever ao que foge à propria limitação do termo, plenitude - essa palavra talvez seja impassível de ser compreendida e ter seu significado compartilhado. Perder-se no limiar absoluto onde tudo encontra lá sua derrisão, talvez se aproxime da "essência" radical de todas as coisas, contudo não a toca, não a exprime. Plenitude, vejo-me tão redutivamente anulado pela insuficiência da expressão que me define - aí nesse indizível tudo torna-se defnitivamente nada - a vida esvai-se junto ao paradoxo que sempre permaneceu em seus meandros e seu curso. Quem sabe a vida, na sua essência, se esta houver, não seja algo limítrofe ao paradoxo?
FELLIPE KNOPP
1 - Debord, Guy. PANEGÍRICO (p12). Conrad Editora do Brasil, 2002. São Paulo, SP.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
ARQUIPELADOS
Aforismos de chão-asco
zumbis-de-clichê
sofismas de ocasião

cospe afora
emporcalhado no chão
com seu verbo-fiasco
seu discurso sofismático
combinados ao mero acaso
camuflam contradição
numa situação débil
em que os agentes da passiva
divagam por sua vida
sonâmbulos pelo solo
sem densidade de seu pó
farelos do sono vocabular
significantes insulares
arquipélagos insones das horas abissais
domingo, 2 de agosto de 2009
La logique du hic et nunc
Acho que fui sempre mesmo precoce
desde moleque não tenho sonhos

ao que chamavam sonho
aprendi desde cedo a nomear correto: desejo
o limite da vontade
concreto no que pode
efetivo no que se consegue devidamente
jamais tive Sonho
no mais ilusório devaneio -
Pesadelos
o caos é o pesadalo que à revelia se efetuou
um antidesejo objetivado à sua própria moção
Papai Noel?
Jamais senti sua falta
nunca recebi sua visita
jamais presumi sua presença
o real sempre excluiu o noel!
deus? fora apenas um mero equívoco
um erro corrigível, óbivio
ao contrário do que possa parecer
não estou aqui a esperar coisa alguma!
(aliás, aqui designa lugar e não situação - lugar refere-se a espaço, e não condição)
estou em curso: segue-se a ambigüidade
e a polivalência
Por que não?
quando moleque sonhava sempre com o diabo
ele voava e dizia querer capturar-me
Hoje eu rio
pouco entendia
diabo é apenas metáfora
sintoma do mundo
o Inferno, esse sim parece ser-real
mas e daí ?
nomes, apelidos...
o mundo está posto
e nós postos no mundo
Imposto
impostura mundana
mundanação
nem me comprazo nem resigno-me
sonhos não tenho
até os mais trivialescos dos desejos são às vezes infrutíferos
mas não se deve superestimá-los
estão aí como quase tudo que há
não são melhores só porque não se os têm
são melhores que Eu os "mais-validos" ?
mais-valho Eu
entendo-o
e já sou entre os melhores
mundo está posto
não estou eu sobre este?
até me pleonarizo
Eu sou o que Sou
já que tudo mais é sintoma
BADALO DOS RETRATOS INSOLENTES
sombra silenciosa de uma memória persistida

indecorosas representações assessórias
e à revelia
timbre malquisto dum abuso qualquer
sem valia aí mesmo
imagem sustenida
da ambiência exorcizada
ceol desvalido
de feixes de escuridão amiúde
o pormenor das nâuseas expurgadas
segue-se o vão desse nada significado
sábado, 1 de agosto de 2009
PREFÁCIO À "POESIA-MAGMA" (à Guimarães Rosa)
Antroridades merdiáticas
antro de porcos
antro de putas
antro de velhacos
seu meio
a média ponderada de medíocres
copros eqüinvalidos
seu meio
o olho de vosso venerável cu
bocas de culatra
o antro e seus puleiros
ovos de jararacas noduladas
quinta-feira, 30 de julho de 2009

segunda-feira, 27 de julho de 2009
MEDIA ESTATICISTA
medéia
mediar uma relação
efetivar uma negação
o meio e o medo
não tenhais medo
o mundo
o ponto médio é só estatística
não é ponto senão de aundiência
ou anuência
quase nunca de coerência
ponderação? Alforjada
medíocridade a serviço de quase-nada
extra judicia de falácia
mordaz amordaça
as mordeduras de tantas trapaças
deixam suas marcas
no couro e na caracaça
na carapaça sem carapuça
a quem tenha vergonha na cara!
sábado, 25 de julho de 2009
LOQUAZEDO
nada que quis
não pertenço a este país
este que nada me diz
o que me vês fazer assim
é o que sei de mim
por mim
posso nem ter dez casas ou sete vidas
trinta calças ou sabe-se lá quantos milhões
mas tenho inúmeros talentos
e uma honra
todas meus
sem espera do agora
da causa
ou da caça
a chuva se dissolve intémperas do solo
a colisão do alfabeta
aceleração das âncoras de cais imaginário
névoa compacta
a chuva brota da relva
onde habita a selva
sublevação de doses de nicotina
o descortinar da evasão
lástima-cal
cosmolito
farofa não é areia
faroleia !
tóxico-menta de pleromia
lixiviação afeto-circunstancivida
densa atmosferato cianeto
Didaskacos
kaos
cerol de fio de pipa-fuego
ceol das oras ogivais
urticurânio radiotelevisivo
Boom !!!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
PARAXITONOLÓGICO
num violão de palha fina a
extensão almerengue mordaz
havia aquela indiazinha balzaquijoviana
mon pipebule saneia toda minha imaginação
clímax poéticointelectual
saltos titânicos ou colossais
a hora-rasante de helvécio em meu bolso
nem calixto nem canastra
nem canalha
Método!
Isso sim
após anos de dedicação algum proveito de mim para mim eu, altermeu (estrutura?)
Moi
Salubre
alguns vermes no lixojuntoàdegradaçãorgânicoética
onde: nem ética, nem estética nem etiqueta
"Est'ética"
ethos do ser-no-mundo
nós poucos
eles não
onde: eles não
inox de assepsia e rágua de vinil
souvenir de giz-de-cera
fósforos de butano
olhos de rapineiros e algumas ressonâncias visuais malditas
na atmosfera dos ares efêmeros do terror
a névoa de um retrato débil
Mas minha mente é São
bramidos fortiurnos flâmulacor das apregnações arredias amentalicalafoaltica
como resmuir esse conceito?
Je n'ai sais pas !
barrocas do coldre-barbárietilêno
alcoolimistas bulas de táblarcaica
vernáculo de cláusula perdida!
Daime de beber ao lado indiazinha!
Prazer perfoito
Merci!
domingo, 19 de julho de 2009
A COERÇÃO-VISUAL, UMA SARAIVA DE NÁUSEA
O odor é repulsivo, a cara hedionda! Lixo subumano, as olheiras mais parecem infladas, escuras feito sangue-pisado. Pelancas e rugas feito fresas esparramam-se pela cara: anta de ferraduras, caminha qual desse pinotes - capiroto de águas podres. Zumbi de papadas, tem a presunção criminosa de revestir-se de uma estopa larga, achando que tem algo a mostrar ao mundo.
Ignorante por natureza, não tem o menor senso de rídiculo - gosta de assediar espuriamente gente jovem, para quem, sem sombra de dúvida, o aspecto amorfo de sua carcaça escatológica causava náusea visceral, a regurgitância era sempre iminente frente a ressonância traumática de tal imagem - a lagartixa de hematomas. Pútrida de caráter, a gosma que transpira na cara se assemelha a pus (se não o é!) - se houve feminilidade ali nalgum instante remoto, essa fora de ratazana ou de gambá encarniçado. Vai
s te mancar, choldra de bolo de merda, porque te atreves
a poluir o espaço com vossa débil representação?! (Sorte minha estar de estômago vazio. Teria vomitado ao ter notícia de nojosa e virulenta subsistência patogénica). Esquistossomose ou lepra percrustada? [Rugas profundas por toda cara, a pele mais parece uma sanfona fechada!]FELLIPE KNOPP
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Garcejos
Nem choro nem vela
tampouco veleiros
lambes o sangue deitado

como imolação tenre
verteso breu nos ossos
vertiginomaníaca
escarrastes na mão cariciosa
agora...
fuligem ectoplasmótica
tanto cinismo
roucas de de bagaço boqueteiras
eis infrutos de vosso solo malsão
frente a si
tinheis orquídeas-raras
quisestes limbo de gigogas
cacarejeira
cheiro de garças!
sexta-feira, 10 de julho de 2009
METANO DESTILADO. CHORUME NAS VEIAS
O sinal matinal. A porta se abre. Seis horas da manhã. Sai aquilo com manchas grises na pele. Parecem sardas de lepra incrustada. No umbral outra choldra com cara de asno. Traz um pra mim também! Tá bom, vou trazer, responde a besta rugosa, com cara de papel crepom amassado. Sai aquilo. Com um pouco mais de atenção perce-se bem que usa fralda geriátrica sob a calçola bancarrota. A veiaca também. O cheiro prútrido da merda empastada empestia o corredor. Cheiro de bosta com perfume barato de lavanda e naftalina das mortalhas conservadas no armário. Um festival escatológico de odores e combinações desarmônicas numa estética grotesca. O velho acha que é agente de CIA ou algo assim. A xoroca pensa que tem mediunidade, banca a feiticeira de terreiro. Aquela imagem degradada lembra uma espécie de simbiose de coprofilia. Hematomas, quelóides, valas cutâneas... retrato da degenerescência, uma bitoca ligeira que se trocaram, embrulhou-me o estômago, quase regurgitei. Bichos horrendosos, remeti-me, por força do testemunho visual, à imaginação de uma cópula asquerosa entre nematelmintos - aquela imagem tinha cheiro, exalava um ar insalubre de carniça e latrina revolta. Quase um trauma. Aqueles, quase vermes- quase gente: muita náusea. Violência visual, crime estético. Ele volta com um embrulho. Cheiro de merda nas calçolas - um rastro de cacas no chão do corredor. Ela diz: a mesa já está arrumada, ele ainda no corredor. Ela na porta, com um batom vulgar sobre os lábios murchos cheios de vincos, parece uma lagartixa desidratada. Os borrões de maquiagem de viaduto mal utilizada estendem-se até a testa. As roupas, retalhos de pano-de-chão. Na cabeça, uma bandagem que mais parece um bolo de papel higiênico usado. Eles entram. A coprofagia é iminente.Rasão-social
Não há males que vêm pro-bem
há males pára Bem
há maisleis para bons
há males: pára-bens
não há Malés
deus não é brasileiro
o sol não é brasileiro
eu tembém não
Razão parece não ser
brasileira
brasisneira
Felisberto ! Meu caro !
a Razão nunca será brasileira!
Nós é que não
domingo, 5 de julho de 2009
HONERÁRIOS E MANDOTÁRIOS
sábado, 4 de julho de 2009
A Instânsia D'Ausente no Essente ou Isso desde Logos
Sou eu aqui
a força da esfera
pedra de toque
o bicho da espera
a fera
a feira
a fera da espera
espora
às portas do agora
soturno e tacituro
o limiar das hora
o sangue gelado
que corre e que gela
atroz e trucida
tortura singela
o bicho das horas
afere
esfera
o sangue sólido da vibração grave da visão de mundo
significantes em simbiose na artéria
o arqueiro das sete artes
corpo elipse de antimatéria
eclipse
alçapão de evocações
método e autoindução
fiocondutor de eletro-ratio
eletroestética
seiva-plúmbea
a antipoesia do anticidadão
anticristo?
anti-isto!
Antes eu do que isso
a fome, a fera e o isso
psicoupisco
um anti-nada requerido ao fisco
as nuvens do solo em clara de neve
gemas podres
(.)
ópio desmemorável
fomemora teu aniversério
essa vida é uma piada
cócóricó:
disseram certas vizinhas
galinhas de rapina
em ramas de coprófilas de criadouro
a instância da madrugada na consciescência
ou a Verdade desde os seres das cavernas
a verdade não nos diz nada?
verdade: é totalitária!
lógica grafada em carne-e-osso
Não quero teu carrocéu
de hipocampos
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Está marcado

Está marcado
Totalmente insulado
Em nome da verdade foi ousado
E entrou para a “lista-negra” do Mercado
coitado(?)
Ousado
dificilmente será empregado
(mesmo com méritos comprovados)
Fora até ameaçado
Por conta de seu desacato
Párias, Pátridas e Precá[tá]rios
mito é medo
infeliz de quem os cria!
lascam-se pedras
lustram-se cacos
criam-se deuses
não se vêem sintomas
forjam-se movimentos escalafobéticos
senhas e códigos
evocam ilusões
chamam-lhes Natureza !
A outras chamam religião
Não!
Depois de tudo !
Ninguém ouse chamar-me amigo
tampouco irmão
deste só tenho dois
já me são mais que suficientes
O maior arrependimento de minha vida
é ter sido brasileiro
pelo menos em caráter nominal
sinto-me escória: RG ...
Irmãos... ah!
essas pieguicíes não me afetam
os dois cossanguineos que tenho
me são mas que suficientes
Amigos?
quais se encontram no pantanal ...
domingo, 28 de junho de 2009
Febres e calabolsos
cédulas de escombros
colunas de vosso colosso áureo
sedimentado com sangue
alhágrimas coaguladas ...
essa sedinha vulgar
que não passa de toga barata
de papel higiênico usado
vergonha eclipsada de demérito
exaltação do pífio
e nem têm a menor dimensão
do que tenho passado em toda minha vida,
a julgar, tão levianos
[opróbrios de furúnculos
alicerces de vossos templos de copropatifarias
teus filhos?
Ah! Por tão nada eles se desesperam
saem desembestados feito porcos selvagens
E vós mesmos,
quanto suportariam da situação?
[sem deplorar-se
Contemplem vossa chancela de merda emplastada
pra que tuas "niñas" abram cada vez mais as pernas
para cada vez mais cães leprosos
e teus filhos o rabo !
Contempleis vosso surto-circuito
escândalo desesperado de não-zerlar-se
A lata do lixo estará sempre aberta
Vossa jogata saltimbanca
arquebanca
cédulas de pus
em lentes de gelatina podre
Deixei de ser brasileiro
ao perceber-me que sempre aqui fui apátrida
por força das "circulunstânsias"
a comida enche o estômago
mas o estômago não esvazia a lembrança
a barriga sai da miséria
mas sai não sai da alma
enquanto o estômago permanece vazio
a alma se empanturra de estômago ...
Devora-se suas demandas
violento órgão ermo!
estrelas aeradas no prato
um soufflé de pacotes ôcos
relva
ali nenhuma agonia
lost time
a endorfina já o dominara!
[integralmente!
... Pas de quoi !
sexta-feira, 26 de junho de 2009
BEZERRO DE OURO
Registro:768.889 Livro:729 Folha: 531
05-07-04
Nos meus olhos mais que o ar
Sangue mais que os céus
Desse inferno nesse mar
Fogo mais que o mundo...
Todo mundo é fogo
Morto
Lava esse sangue
Lava a alma escorrendo
Queimando,subindo,descendo
Lava a alma com bronze
Mais que terra
Feche a caverna com mármore e tersol
Tome seu licor gole a gole
Matando Vênus de seu amor e de seu ódio
De sua fúria de seu desprezo
Bronze mais que a terra
Lava a alma com pastilhas
Onde está teu sorriso!

No teu nariz, nos teus pulmões
No teu fígado, na tua bexiga
Na ponta de tua caneta
Eu perdi
Fui vencido com um Cheque-mate classe A
Cruzado, cruzada
Rainha, não
Cheque-mate classe A
Beba esse café gole a gole
Frio assim mesmo
Feche essa caverna
Com porta de aço
E sinta a brisa no rosto pela 1a vez
Como a nuvem
E lava o corpo e lava os lábios
Lava a alma
Sonho e saudade, pois não e não e não...
Bronze mais que terra
Ouro mais que tudo
Gole a gole teu sonho dourado
Lava a alma me desce a boca
Sinto a brisa tocar
(pétalas lisas pétalas)
Docemente as amargo águas
Rascantemente as engulo e
As bebo licores fortes como metal fervendo[1]
Níquel-solvo rasgando uretra
Substância de minha poesia-gel
Quero criar a poesia-gel (perfeita)
Para caramelar e degustar docemente pouco a pouco
( Pétalas lisas pétalas )
Gole a gole seu sonho dourado
Lava a alma desce a minha boca
Tua casa tem porta de aço ganhaste
Chave-de-ouro
E lava o corpo e lava os lábios
E não e não...
Frio assim mesmo
Esse café, cruzada, cruzado
Cheque-mate, pétalas lindas pétalas
Ouro mais que tudo
Beba mais um gole esse café
Pouco a pouco frio assim mesmo
Como metal fervendo
Como níquel-solvo (rainha)
Poesia-gel sem ouro
E não e não
Sinto a brisa pela primeira vez
Ela prenuncia o inverno
“Muito mais que ferro e fogo de adorno em podres corpos, temos HONRA’’
[1] - Rimbaud, Arthur. Uma Estadia no Inferno. Ed. Martin Claret.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
PULSOS, PULSAÇÕES E PUSILÂNIMES
Noites do asfalto fino
em salivas coaguladas
carburação em fuligem de fumo
queimando parafina enluarada
sonido das lamúrias desoladas
garoando rapinas de porvir
até as galinhas quiseram voar alto
capim e cerveja
ósculos de neblina-relva
assimétricas
calígula desbotado
separatas de maldicções
amálgamas de soletude
brisas aleatórias noturnas e galvanizadas
sua corrosão catoptrônica
lendas de contos de bolso
umas guias de mameluco, resíduos de mortiferação
populações inteiras em chalés de água-funda
antologias de ruas de lama
as pedras transpiram
fumo no copo
cinzas no copo
breu no copo
cópula dos ascos-aniquilados
penumbra dum raio-de-sola
alísios odores latrinos
solistas de calabouço
e um inalador de xisto
domingo, 21 de junho de 2009
SIMBIOSE ABJETAL
conjugando farsas e excreméticas
simbiose da putrefação
nefanda, nefasta
Rio de abjetos
o odor insalubre de azedo-saturado
iconolatria degradatária
amnésia anistiadora?
indecência depredadora!
Achastes que me esquecera?
mas lembro-me tudo
de cada detalhe pérfido
e não perdôo nenhum!
Não estamos quites !
mas vós estois kitsch
Os olhares sorrateiros a torcer pelo fracasso
Quanto a incoerência não há compreensão !
Quisestes que eu me facrificasse
e roubar meus proventos
só se crê em amor com barriga-cheia
O shampoo reluz o brilho falso de tuas primícias
assovio de levitação
sequer procurou-se saber se eu estava com fome!
Meus anéis são feitos de dna
sábado, 20 de junho de 2009
Augurio das Expressões
arestas do infinito
[necrotério das emoções
empuxo das aflições
das cinzas do corpo jaz o teu pão !
suave adeus
feito vento da alta madrugada
A FOME DESTRUTIVA DOS INSTANTES !
FELLIPE KNOPP
quarta-feira, 17 de junho de 2009
EM MEMÓRIA
segunda-feira, 1 de junho de 2009
NOBRES DE TOGA
És suja, és podre
Como outra qualquer.
Te adornas por fora,
O povo lhe quer.
Aí também há gases;
Aí também há fezes;
Teus homens também urinam;
Defecam sim tuas mulheres.
Mulheres lindas,
Mas defecam ainda;
Também se limpam;
Também vomitam.
Também as nádegas
Lhes cobrem o ânus,
E envelhecem,
Lhes passam os anos.
Também mau cheiro;
Fétido odor;
Cheiro de esgoto;
Podre fedor.
Tu és altiva
Por ter riquezas;
Acha-se muito
Por ter belezas.
Aí também há doenças;
Sangram-se teus cortes;
Aí também há desgraças;
Também não escapas à morte.
Aí também há tristeza;
Teus filhos também pecam;
Teus homens também têm fraquezas;
Tuas lindas mulheres defecam.
Escondes teu podre organismo,
Teu câncer, vaidade, altivez.
Atrás dos teus prédios cinismo,
Soberba, "charutos", xadrez.
A "nódoa" de teu preconceito,
Racismo, elitismo a expandir-se.
Pois se vejam teus malfeitos,
Teu fígado, pâncreas ferir-se.
Tu chamas horror poesia,
De um velho ignoto a cantar,
Que esqueceu o devir d’um dia,
Tuas fortunas a desmoronar
Tu julgas melhor teu destino?
Tu pensas da morte escapar?
Pensas não ter fezes por dentro?
Pensas não ter qu’ir defecar?
Tens gente ativa, tens gente à-toa,
Tens coisas más e tens coisas boas.
“Litoral”! “Litoral”!
Também há pessoas.
terça-feira, 28 de abril de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
"Nota de Rodapé"
Fellipe Knopp
