versatilidade polimorfológica

VERSATILIDADE POLIMORFOLÓGICA

http://theorikondoxas.blogspot.com/

DECIFRA-TE ouTE DEVORAS!
ou dê-cifra-te /ou te-dê-voraz




POESIA sem concessões; ARTISTA autônomo; MÉRITOS sem contrafação ; PRESTÍGIO sem adulações.
O blog que a inveja não deixa ver : seu espaço ultra-seleto! Para pessoas realmente inteligentes, para uma recepção Verdadeiramente Vanguardista!

domingo, 2 de agosto de 2009

BADALO DOS RETRATOS INSOLENTES

Ecos malditos de iconografia degradada
sombra silenciosa de uma memória persistida
indecorosas representações assessórias
e à revelia
timbre malquisto dum abuso qualquer
sem valia aí mesmo
imagem sustenida
da ambiência exorcizada
ceol desvalido
de feixes de escuridão amiúde
o pormenor das nâuseas expurgadas
segue-se o vão desse nada significado




FELLIPE KNOPP

sábado, 1 de agosto de 2009

PREFÁCIO À "POESIA-MAGMA" (à Guimarães Rosa)

Penoso é definir a relação do poeta com sua arte. Minha relação com a Poesia é na verdade uma relação vital. Jamais chegaria a ser um artista de vanguarda, ainda que o quisesse. Tal Poesia tem a rudeza e a rusticidade espontânea de um artista que nasce como um botão valente nas pedras. Ela seja, talvez, distanciada de todo movimento de “arte de ponta” que conhecemos. Esse fazer poético não se pretende uma revolução estética e conceitual, e nem poderia, mesmo que o quisesse. Minha Arte é fundamentalmente uma Declaração, e um registro – é quase documental. Essa Poesia quer apenas falar, pode apenas falar. Falar mais para ensurdecer do que ser ouvida. As bocas emudecidas não querem apenas “Revoluções Estéticas”. Essa arte não dissimula uma arrogância subvertida sob a égide da simplicidade forjada, calculada. Se ela quer-se simples é porque não pode ser de outro jeito senão simples – e talvez aí possa (quem sabe?) haver qualquer coisa de realmente revolucionária, nessa arte bruta e furiosa que tenta, às duras penas, ser honesta. Em respeito de Poesia, poder-se-ía afirmar que poesia é um fazer-dizer restrito ao seu próprio enunciado, autodeterminada segundo sua própria sintaxe. Poesia (poíesis) não é caudatária de nada, não vem a reboque de nada, não admite secundarização locupletar em relação a nenhum outro discurso, só pode ser expressão daquilo que deveras é de si mesma.





FELLIPE KNOPP

Antroridades merdiáticas

À Pivas

Antro de merda
antro de porcos
antro de putas
antro de velhacos
seu meio

a média ponderada de medíocres
copros eqüinvalidos

seu meio

o olho de vosso venerável cu

bocas de culatra

o antro e seus puleiros

ovos de jararacas noduladas



FELLIPE KNOPP

quinta-feira, 30 de julho de 2009


"Aquele que tem ciência e arte tem também religião: o
que não tem nenhuma delas, que tenha religião."


Göeth apud. Freud in: O mal-estar na civilização. (Grifo nosso).



Não é uma crença mística que move necessáriamente um artista, mesmo quando elementos ditos religiosos aparecem relacionados no conteúdo de suas obras. O que move o artista é a idéia que se faz sobre, a partir das impressões que lhe afetam a intuição, em todos os sentidos.




FELLIPE KNOPP

segunda-feira, 27 de julho de 2009

MEDIA ESTATICISTA

mídia, média,
medéia
mediar uma relação
efetivar uma negação
o meio e o medo
não tenhais medo
o mundo
o ponto médio é só estatística
não é ponto senão de aundiência
ou anuência
quase nunca de coerência
ponderação? Alforjada
medíocridade a serviço de quase-nada
extra judicia de falácia
mordaz amordaça
as mordeduras de tantas trapaças
deixam suas marcas
no couro e na caracaça
na carapaça sem carapuça
a quem tenha vergonha na cara!


FELLIPE KNOPP

sábado, 25 de julho de 2009

LOQUAZEDO

Aqui por tudo que fiz
nada que quis
não pertenço a este país
este que nada me diz
o que me vês fazer assim
é o que sei de mim
por mim
posso nem ter dez casas ou sete vidas
trinta calças ou sabe-se lá quantos milhões
mas tenho inúmeros talentos
e uma honra
todas meus
sem espera do agora
da causa
ou da caça
a chuva se dissolve intémperas do solo
a colisão do alfabeta
aceleração das âncoras de cais imaginário
névoa compacta
a chuva brota da relva
onde habita a selva
sublevação de doses de nicotina
o descortinar da evasão
lástima-cal
cosmolito
farofa não é areia
faroleia !
tóxico-menta de pleromia
lixiviação afeto-circunstancivida
densa atmosferato cianeto
Didaskacos
kaos
cerol de fio de pipa-fuego
ceol das oras ogivais
urticurânio radiotelevisivo

Boom !!!




FELLIPE KNOPP

segunda-feira, 20 de julho de 2009

PARAXITONOLÓGICO

Resma de tabaco aspirado
num violão de palha fina a
extensão almerengue mordaz
havia aquela indiazinha balzaquijoviana
mon pipebule saneia toda minha imaginação
clímax poéticointelectual
saltos titânicos ou colossais
a hora-rasante de helvécio em meu bolso
nem calixto nem canastra
nem canalha
Método!
Isso sim
após anos de dedicação algum proveito de mim para mim eu, altermeu (estrutura?)
Moi
Salubre
alguns vermes no lixojuntoàdegradaçãorgânicoética

onde: nem ética, nem estética nem etiqueta
"Est'ética"
ethos do ser-no-mundo
nós poucos
eles não
onde: eles não
inox de assepsia e rágua de vinil
souvenir de giz-de-cera
fósforos de butano

olhos de rapineiros e algumas ressonâncias visuais malditas
na atmosfera dos ares efêmeros do terror
a névoa de um retrato débil
Mas minha mente é São

bramidos fortiurnos flâmulacor das apregnações arredias amentalicalafoaltica
como resmuir esse conceito?
Je n'ai sais pas !

barrocas do coldre-barbárietilêno
alcoolimistas bulas de táblarcaica
vernáculo de cláusula perdida!


Daime de beber ao lado indiazinha!
Prazer perfoito
Merci!





FELLIPE KNOPP

domingo, 19 de julho de 2009

A COERÇÃO-VISUAL, UMA SARAIVA DE NÁUSEA

O odor é repulsivo, a cara hedionda! Lixo subumano, as olheiras mais parecem infladas, escuras feito sangue-pisado. Pelancas e rugas feito fresas esparramam-se pela cara: anta de ferraduras, caminha qual desse pinotes - capiroto de águas podres. Zumbi de papadas, tem a presunção criminosa de revestir-se de uma estopa larga, achando que tem algo a mostrar ao mundo. Ignorante por natureza, não tem o menor senso de rídiculo - gosta de assediar espuriamente gente jovem, para quem, sem sombra de dúvida, o aspecto amorfo de sua carcaça escatológica causava náusea visceral, a regurgitância era sempre iminente frente a ressonância traumática de tal imagem - a lagartixa de hematomas. Pútrida de caráter, a gosma que transpira na cara se assemelha a pus (se não o é!) - se houve feminilidade ali nalgum instante remoto, essa fora de ratazana ou de gambá encarniçado. Vais te mancar, choldra de bolo de merda, porque te atreves a poluir o espaço com vossa débil representação?! (Sorte minha estar de estômago vazio. Teria vomitado ao ter notícia de nojosa e virulenta subsistência patogénica). Esquistossomose ou lepra percrustada? [Rugas profundas por toda cara, a pele mais parece uma sanfona fechada!]




Os carbonetos são fichinhas !






FELLIPE KNOPP
_______________
Alterado em: 07/12/2009 "[ xxxx]" , às 21:12, aproximadamente

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Garcejos


Nem choro nem vela
tampouco veleiros
lambes o sangue deitado
como imolação tenre
verteso breu nos ossos
vertiginomaníaca
escarrastes na mão cariciosa
agora...
fuligem ectoplasmótica
tanto cinismo
roucas de de bagaço boqueteiras
eis infrutos de vosso solo malsão
frente a si
tinheis orquídeas-raras
quisestes limbo de gigogas
cacarejeira
cheiro de garças!




FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 10 de julho de 2009

METANO DESTILADO. CHORUME NAS VEIAS

Breve conto

A Dalton Trevisan


O sinal matinal. A porta se abre. Seis horas da manhã. Sai aquilo com manchas grises na pele. Parecem sardas de lepra incrustada. No umbral outra choldra com cara de asno. Traz um pra mim também! Tá bom, vou trazer, responde a besta rugosa, com cara de papel crepom amassado. Sai aquilo. Com um pouco mais de atenção perce-se bem que usa fralda geriátrica sob a calçola bancarrota. A veiaca também. O cheiro prútrido da merda empastada empestia o corredor. Cheiro de bosta com perfume barato de lavanda e naftalina das mortalhas conservadas no armário. Um festival escatológico de odores e combinações desarmônicas numa estética grotesca. O velho acha que é agente de CIA ou algo assim. A xoroca pensa que tem mediunidade, banca a feiticeira de terreiro. Aquela imagem degradada lembra uma espécie de simbiose de coprofilia. Hematomas, quelóides, valas cutâneas... retrato da degenerescência, uma bitoca ligeira que se trocaram, embrulhou-me o estômago, quase regurgitei. Bichos horrendosos, remeti-me, por força do testemunho visual, à imaginação de uma cópula asquerosa entre nematelmintos - aquela imagem tinha cheiro, exalava um ar insalubre de carniça e latrina revolta. Quase um trauma. Aqueles, quase vermes- quase gente: muita náusea. Violência visual, crime estético. Ele volta com um embrulho. Cheiro de merda nas calçolas - um rastro de cacas no chão do corredor. Ela diz: a mesa já está arrumada, ele ainda no corredor. Ela na porta, com um batom vulgar sobre os lábios murchos cheios de vincos, parece uma lagartixa desidratada. Os borrões de maquiagem de viaduto mal utilizada estendem-se até a testa. As roupas, retalhos de pano-de-chão. Na cabeça, uma bandagem que mais parece um bolo de papel higiênico usado. Eles entram. A coprofagia é iminente.
FELLIPE KNOPP



esses cus leprosos de boçal...

Rasão-social

Ao Prof. Gilberto Felisberto


Não há males que vêm pro-bem
há males pára Bem
há maisleis para bons
há males: pára-bens
não há Malés

deus não é brasileiro
o sol não é brasileiro
eu tembém não

Razão parece não ser
brasileira


brasisneira


Felisberto ! Meu caro !
a Razão nunca será brasileira!
Nós é que não




FELLIPE KNOPP

domingo, 5 de julho de 2009

HONERÁRIOS E MANDOTÁRIOS

Ecos do congresso
ecas no progresso
coisa-pública e seus erários
SECRET [er] ários
peitas aos funcionários
o Est'ado dos perdulários
suplentes, serpentes, e caudatários
chefes-funcionários
cuidando do erário
[era uma vez ...
nunca cumprem seus horários
alto escalão
Sauto Escalado
funcionários cuidam do erário
fora do horário
pra garantir seus honerários


FELLIPE KNOPP

sábado, 4 de julho de 2009

A Instânsia D'Ausente no Essente ou Isso desde Logos


Sou eu aqui

a força da esfera

pedra de toque

o bicho da espera

a fera

a feira

a fera da espera

espora

às portas do agora

soturno e tacituro

o limiar das hora

o sangue gelado

que corre e que gela

atroz e trucida

tortura singela

o bicho das horas

afere

esfera

o sangue sólido da vibração grave da visão de mundo

significantes em simbiose na artéria

o arqueiro das sete artes

corpo elipse de antimatéria

eclipse

alçapão de evocações

método e autoindução

fiocondutor de eletro-ratio

eletroestética

seiva-plúmbea

a antipoesia do anticidadão

anticristo?

anti-isto!

Antes eu do que isso

a fome, a fera e o isso

psicoupisco

um anti-nada requerido ao fisco

as nuvens do solo em clara de neve

gemas podres



(.)



ópio desmemorável



fomemora teu aniversério



essa vida é uma piada



cócóricó:

disseram certas vizinhas





galinhas de rapina

em ramas de coprófilas de criadouro





a instância da madrugada na consciescência

ou a Verdade desde os seres das cavernas



a verdade não nos diz nada?

verdade: é totalitária!



lógica grafada em carne-e-osso



Não quero teu carrocéu

de hipocampos





Fellipe Knopp

quarta-feira, 1 de julho de 2009

18-01-07
Marca D’água

Ou sobre a lista-proibida


Está marcado
Está marcado
Está marcado
Totalmente insulado
Em nome da verdade foi ousado
E entrou para a “lista-negra” do Mercado
coitado(?)
Ousado
dificilmente será empregado
(mesmo com méritos comprovados)

Seus negócios serão boicotados
Fora até ameaçado
Por conta de seu desacato

a "contrabanda" e os confrades

liga e sindicato


e os arautos





FELLIPE KNOPP

Párias, Pátridas e Precá[tá]rios

Covardes são os mitos
mito é medo
infeliz de quem os cria!
lascam-se pedras
lustram-se cacos
criam-se deuses
não se vêem sintomas
forjam-se movimentos escalafobéticos
senhas e códigos
evocam ilusões
chamam-lhes Natureza !
A outras chamam religião
Não!
Depois de tudo !
Ninguém ouse chamar-me amigo
tampouco irmão
deste só tenho dois
já me são mais que suficientes
O maior arrependimento de minha vida
é ter sido brasileiro
pelo menos em caráter nominal
sinto-me escória: RG ...
Irmãos... ah!
essas pieguicíes não me afetam
os dois cossanguineos que tenho
me são mas que suficientes
Amigos?
quais se encontram no pantanal ...


Fellipe Knopp

domingo, 28 de junho de 2009

Febres e calabolsos

Tuas

cédulas de escombros

colunas de vosso colosso áureo

sedimentado com sangue

alhágrimas coaguladas ...

essa sedinha vulgar

que não passa de toga barata

de papel higiênico usado

vergonha eclipsada de demérito

exaltação do pífio

e nem têm a menor dimensão

do que tenho passado em toda minha vida,

a julgar, tão levianos

[opróbrios de furúnculos



alicerces de vossos templos de copropatifarias

teus filhos?



Ah! Por tão nada eles se desesperam

saem desembestados feito porcos selvagens



E vós mesmos,

quanto suportariam da situação?

[sem deplorar-se



Contemplem vossa chancela de merda emplastada

pra que tuas "niñas" abram cada vez mais as pernas

para cada vez mais cães leprosos

e teus filhos o rabo !



Contempleis vosso surto-circuito

escândalo desesperado de não-zerlar-se



A lata do lixo estará sempre aberta



Vossa jogata saltimbanca

arquebanca



cédulas de pus

em lentes de gelatina podre



Deixei de ser brasileiro

ao perceber-me que sempre aqui fui apátrida

por força das "circulunstânsias"



a comida enche o estômago

mas o estômago não esvazia a lembrança

a barriga sai da miséria

mas sai não sai da alma



enquanto o estômago permanece vazio

a alma se empanturra de estômago ...



Devora-se suas demandas

violento órgão ermo!



estrelas aeradas no prato

um soufflé de pacotes ôcos

relva



ali nenhuma agonia

lost time

a endorfina já o dominara!



[integralmente!





... Pas de quoi !






Fellipe Knopp

sexta-feira, 26 de junho de 2009

BEZERRO DE OURO


Registro:768.889 Livro:729 Folha: 531



05-07-04




Bronze mais que a terra
Nos meus olhos mais que o ar
Sangue mais que os céus
Desse inferno nesse mar
Fogo mais que o mundo...
Todo mundo é fogo
Morto
Lava esse sangue
Lava a alma escorrendo
Queimando,subindo,descendo
Lava a alma com bronze
Mais que terra
Feche a caverna com mármore e tersol
Tome seu licor gole a gole
Matando Vênus de seu amor e de seu ódio
De sua fúria de seu desprezo
Bronze mais que a terra
Lava a alma com pastilhas
Onde está teu sorriso!
No teu nariz, nos teus pulmões
No teu fígado, na tua bexiga
Na ponta de tua caneta
Eu perdi
Fui vencido com um Cheque-mate classe A
Cruzado, cruzada
Rainha, não
Cheque-mate classe A
Beba esse café gole a gole
Frio assim mesmo
Feche essa caverna
Com porta de aço
E sinta a brisa no rosto pela 1a vez
Como a nuvem
E lava o corpo e lava os lábios
Lava a alma
Sonho e saudade, pois não e não e não...
Bronze mais que terra
Ouro mais que tudo
Gole a gole teu sonho dourado
Lava a alma me desce a boca
Sinto a brisa tocar
(pétalas lisas pétalas)
Docemente as amargo águas
Rascantemente as engulo e
As bebo licores fortes como metal fervendo[1]
Níquel-solvo rasgando uretra
Substância de minha poesia-gel
Quero criar a poesia-gel (perfeita)
Para caramelar e degustar docemente pouco a pouco
( Pétalas lisas pétalas )
Gole a gole seu sonho dourado
Lava a alma desce a minha boca
Tua casa tem porta de aço ganhaste
Chave-de-ouro
E lava o corpo e lava os lábios
E não e não...
Frio assim mesmo
Esse café, cruzada, cruzado
Cheque-mate, pétalas lindas pétalas
Ouro mais que tudo
Beba mais um gole esse café
Pouco a pouco frio assim mesmo
Como metal fervendo
Como níquel-solvo (rainha)
Poesia-gel sem ouro
E não e não
Sinto a brisa pela primeira vez
Ela prenuncia o inverno







FELLIPE KNOPP



“Muito mais que ferro e fogo de adorno em podres corpos, temos HONRA’’
[1] - Rimbaud, Arthur. Uma Estadia no Inferno. Ed. Martin Claret.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

PULSOS, PULSAÇÕES E PUSILÂNIMES



Noites do asfalto fino
em salivas coaguladas
carburação em fuligem de fumo
queimando parafina enluarada
sonido das lamúrias desoladas
garoando rapinas de porvir
até as galinhas quiseram voar alto
capim e cerveja
ósculos de neblina-relva
assimétricas
calígula desbotado
separatas de maldicções
amálgamas de soletude
brisas aleatórias noturnas e galvanizadas
sua corrosão catoptrônica
lendas de contos de bolso
umas guias de mameluco, resíduos de mortiferação
populações inteiras em chalés de água-funda

antologias de ruas de lama
as pedras transpiram

fumo no copo
cinzas no copo
breu no copo

cópula dos ascos-aniquilados

penumbra dum raio-de-sola
alísios odores latrinos

solistas de calabouço

e um inalador de xisto




FELLIPE KNOPP

domingo, 21 de junho de 2009

SIMBIOSE ABJETAL

21-06-2009
Vis as mesas sórdidas ao derredor
conjugando farsas e excreméticas
simbiose da putrefação
nefanda, nefasta
Rio de abjetos
o odor insalubre de azedo-saturado
iconolatria degradatária
amnésia anistiadora?
indecência depredadora!

Achastes que me esquecera?
mas lembro-me tudo
de cada detalhe pérfido
e não perdôo nenhum!

Não estamos quites !
mas vós estois kitsch

Os olhares sorrateiros a torcer pelo fracasso

Quanto a incoerência não há compreensão !

Quisestes que eu me facrificasse

e roubar meus proventos

só se crê em amor com barriga-cheia

O shampoo reluz o brilho falso de tuas primícias
assovio de levitação


sequer procurou-se saber se eu estava com fome!


Meus anéis são feitos de dna




FELLIPE KNOPP

sábado, 20 de junho de 2009

Augurio das Expressões

20-06-2009
Sintaxe da catatonia
no vão dos olhos
vão
todos os olhares
decupados por arestas luzernas
qual espelho
imagens fluidas em furta-cor [opaca
a órbita do caos
pétalas de carne em copa de magmas
brasas de tormenta
uma catatonia cenrtípeta
o assovio do siêncio
nas tímidas canaletas
suando levigante: decompõe-se
fios de pulsão
circuito indefinido
flechas encandescentes em movimentos circulares
regulando o efêmero
a intermitência das certezas
congratulando o luto do dia-a-dia
acenos turvos ao morador ausente
casa de constelações frígidas
sangue betuminoso em meia-luz
meia-sola
meia-noite

arestas do infinito

[necrotério das emoções


empuxo das aflições

das cinzas do corpo jaz o teu pão !

suave adeus
feito vento da alta madrugada

A FOME DESTRUTIVA DOS INSTANTES !



FELLIPE KNOPP

quarta-feira, 17 de junho de 2009

EM MEMÓRIA

A BUSSUNDA (CASSETA E PLANETA) e JOHN COLTRANE ( " O 'ANJO' DO JAZZ), cujos falecimentos completam anos na presente data, os quais muito representaram ao mundo, uma modesta, mas meritória homenagem.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Registro: 286.540 Livro:518 Folha: 200




É próprio da industria cultural apresentar apenas seu produto finalizado, que é o supra-sumo simplificado de uma produção determinada.



18-10-02


NOBRES DE TOGA



És suja, és podre
Como outra qualquer.
Te adornas por fora,
O povo lhe quer.

Aí também há gases;
Aí também há fezes;
Teus homens também urinam;
Defecam sim tuas mulheres.

Mulheres lindas,
Mas defecam ainda;
Também se limpam;
Também vomitam.

Também as nádegas
Lhes cobrem o ânus,
E envelhecem,
Lhes passam os anos.

Também mau cheiro;
Fétido odor;
Cheiro de esgoto;
Podre fedor.

Tu és altiva
Por ter riquezas;
Acha-se muito
Por ter belezas.

Aí também há doenças;
Sangram-se teus cortes;
Aí também há desgraças;
Também não escapas à morte.

Aí também há tristeza;
Teus filhos também pecam;
Teus homens também têm fraquezas;
Tuas lindas mulheres defecam.

Escondes teu podre organismo,
Teu câncer, vaidade, altivez.
Atrás dos teus prédios cinismo,
Soberba, "charutos", xadrez.

A "nódoa" de teu preconceito,
Racismo, elitismo a expandir-se.
Pois se vejam teus malfeitos,
Teu fígado, pâncreas ferir-se.

Tu chamas horror poesia,
De um velho ignoto a cantar,
Que esqueceu o devir d’um dia,
Tuas fortunas a desmoronar

Tu julgas melhor teu destino?
Tu pensas da morte escapar?
Pensas não ter fezes por dentro?
Pensas não ter qu’ir defecar?

Tens gente ativa, tens gente à-toa,
Tens coisas más e tens coisas boas.
“Litoral”! “Litoral”!
Também há pessoas.


FELLIPE KNOPP
_______________________

terça-feira, 28 de abril de 2009

28-04-2009


Lacânicos e Lacônicos


Frontispício:
Quem não for "louco" vá pro hospício
nem fico nem corro
Eu não morro
Só quem morre
É o Outro
mas alguém fica aqui
já que ninguém morre pra si !

Fellipe Knopp

sexta-feira, 24 de abril de 2009

24-04-2009


Bojonojo


Tanto sacrifício não pretendido
pra nehum despojo (?)
E o pior
é ter, ainda, de suportar
a cara de quem tenho nojo !


Fellipe Knopp

quinta-feira, 23 de abril de 2009

"Nota de Rodapé"

O que ocorre com toda produção discursiva e os juízos estéticos de nossa geração? Os enunciados discorrem em analogia a partir das schematas estereotípicas configuradas conforme o determinismo da indústria cultural, cuja a heterogeneidade converge a um modelo técnico de organização e a uma estrtura formal da produção dos conteúdos - cada enunciado tem de adequar-se a uma e mesma sintaxe dos construtos culturais que condicionem o Imaginário. As variações que se dão tão somente em nível de uma morfologia superficial malogram à ilusão de variáveis em larga oferta no âmbito repertorial, mas que não produz polifonia suficiente no nível substancial do discurso - suas variantes maquiadas são apenas a confirmação plástica de suas formações basais, em autorremissão disfarçada.


Fellipe Knopp

segunda-feira, 20 de abril de 2009

AS DOZE BADALADAS (fase "religiosa")

04-11-1999
Registro: 271.717 Livro: 488 Folha: 377



O que fazemos aqui, nesse mundo voraz, nessa salva humana?
Descaso e impiedade, calúnias e falsidade
Cansamos de mentiras, queremos a verdade!
Mostram-nos o azul do mar e os encantos do verão
Mas não mostram os capatazes, não mostram a escravidão!
Fábrica de ilusões, indústria dos sonhos impossíveis
Show dos megalomaníacos, atos plausíveis.
As ondas desfizeram nosso castelo de areia
Foram-se junto com ele os sonhos de realeza.
Qual é nosso papel nesse mundo de fantasias
Onde o mais importante é desprezado
E o descartável vale mais?
Teu incensório tem cheiro de sono;
o teu altar tem sangue de bode;
teu templo é um jazigo de mortos;
teu alimento é rapina dos porcos.
Tua sabedoria é vã;
tua maturidade é infantil;
não enxerga a verdadeira beleza;
só exalta o que é podre e vil !
Estais cegos e quereis conduzir a multidão?!
O brilho de vosso ouro vos cegou;
o cheiro do vosso perfume atrai os abutres;
Fostes traídos por vossos próprios desejos (?)
não ouvirdes a décima segunda badalada;
Vossa porção fora lançada ao fogo?
Vossos atos vos condenam.



FELLIPE KNOPP
________________________
Data descrita acima corresponde à produção do Poema, cuja averbação foi lavrada em 17 de Julho de 2002 [FNB/EDA], na cidade do Rio de Janeiro, como parte do conteúdo da série intitulada "Mais-valia e outros poemas" (cf. lista de produções no menu de links).

domingo, 19 de abril de 2009

26-04-06


RATOS VOADORES


Rasgado de ponta-a-ponta
Era um tecido, um papel, ou um monte de carne?
Aspergia por todo o chão, viscoso e bruto
Como leite coalhado no bucho
Regurgitando como golfada no colo
Vestido de pano puído
Apenas “vermezinhos” dessa gente
Eles choram apontando a vossa culpa
Eles sofrem sentenciando vossos atos
Eles subsistem deplorando vossos delírios
Eles morrem lançando-vos no fogo
Eles voltam, visitando-vos à angústia

A fonte que transborda não mais deu água
O arraial está desolado
O gado vai perecendo

Não posso almejar-te à boca, oh Cristine
Meu hálito cheira tão mal, tão podre
Tem cheiro de estômago vazio há dias
Suas paredes quase se tocam
Não posso amar-te aos seios
Meus lábios estão feridos profundamente
Abertos em carne e brasa
E minha língua cola-se ao céu-da-boca
Na grossura de minha saliva
Na secura de minha gengiva
Não posso de modo amar-te, Cristine
Teu colo está sempre tapado
E teu rosto virado pra lá

Apanho bebida nos cactos
Busco uma farta refeição
Mas me entalo com torrada velha
Soluço com farinha seca

Olha da janela, Cristine!
O duro preço da paz!
Apressa-te, pois, já vêm!
Já vêm às ruínas da porta
Já chegam às ruínas do prédio
Lá embaixo o duro preço da “paz”
E chegam com milícias
Com corvos e bestas selvagens
Vêm de surpresa
Com as caras cobertas


Vê Cristine, calcanhares levantam-se alhures
E as bocas calaram-se todas
Ao bel prazer da covardia e desprezo
Há sempre gentinha lacaia
Querendo mostrar serviço
E muitos se dão à sua lábia
Falam com os membros
Mentem com os dedos
Acenam com os pés
Enganam com os olhos
Tentando me convencer de que estou louco
Querendo me enlouquecer
Mas, os que levantaram o calcanhar
Comiam comigo!


Olhe Cristine, os leitos parecem túmulos
O leite das mães envenena os filhos
Há órgãos em cada cesto de lixo
Sangue em cada copo
Em cada cuspe
Eles vomitam fezes
Espirram furúnculos
Tossem porcarias, imundícies
Seus olhos aspiram ganâncias
Seus cofres amontoam roubos
Seus bolsos transbordam subornos

Vê Cristine, temos todos paz
Vê Cristine, as bocas costuradas
Os olhos vendados, os ventres mortificados
Tudo isso é paz!

Há olhos saltando às mãos
Sangue escorrendo pelas paredes
Há feridos por todo lado
E tudo está em paz
Há farinha seca para todos
E há soluço também
Vê Cristine... Vê Cristine


FELLIPE KNOPP

Viram-me perecendo, nada fizestes ou dissestes; me vistes sedento, vos saciardes frente meus olhos; me vistes definhar faminto, vos fartardes em glutonarias diante de mim! Levantardes o calcanhar ?! ¹
1 - DENOTAÇÃO ! [ou DETONAÇÃO (?) ]
Registro: 263.279 Livro: 471 Folha:439

27-06-00


PROGRESSO NA MADRUGADA


"Chora" garoto, "chora"
"Chora" de tristeza e dor.
Não sabe o que vai ser de si
Não sabe o que deve fazer
Está perdido agora
Não tem a quem recorrer
Não tem com quem contar
"Agora é só você"
É "garoto", agora é "só você".
Tem de traçar o seu destino
Seguir um rumo na vida
Tem de ser forte agora
Sábio e maduro
É hora de se encontrar
É hora de decidir.
Lágrimas salgadas
Escorrem dos teus olhos
Contornam teu rosto
Descascando a própria pele
Saliva amarga na boca
O horror da "tragédia" te fere
Te fere e te tomba
Parece que vai te matar
Parece querer tua vida
Mas o que quer então,
não o pode tirar.
Agora você enfrenta o medo
O terror e as mazelas
Angústia e tormento
Miséria e sarcasmo.
Você está fraco, acabou sua comida
Pede ajuda quase prostrado
Mas parece não haver ninguém
Você clama aos seus semelhantes
Mas parecem ser tão diferentes
Você chama a seus próximos
Mas já parecem estar distantes.
Ar frio que vem do norte
Denso e arrasador
É a escuridão dos "últimos" dias
E um botão aflorou.
“Chora” garoto, “chora”
Teus amigos não estão mais aqui
“Chora” garoto, “chora”
Até o dia em que possa sorrir
“Chora” garoto, “chora”
Destruição é tudo o que vê
“Chora” garoto, “chora”
Isso é tudo o que pode fazer (?)


FELLIPE KNOPP


Fiz este poeminha quando acabara de completar 17 anos de idade (antecipando-me a possíveis questioamentos, afirmo que todas as datas prescritas são autênticas), numa fase muito "conturbada" da minha vida. Momentos mui difíceis! (e por mais que haja pessoas à volta e até mesmo próximas, se está só na Angústia, qualquer que seja a causa!). É pertinente apresentá-lo à quem possa interessar.
(Há muito, já "passado" e "cumprido")

sábado, 18 de abril de 2009

Euteridade





25-12-2007


Euteridade

Da série Poesia de Expurgação




Eu


Se não existe o Outro


Quem é você?





FELLIPE KNOPP
25-12-07


Sertania do Desejo

Da série Poesia de Expurgação



O que seria isso?
A escória do universo
Lugar do diverso
Ou do inverso?
Que exalta o canalha perverso
Em prosa e verso
Teus santos se corromperam
Nenhum Senhor-do-Céu apareceu nas nuvens
Teu salvador, que mataste,
Nunca retornará
Papai-noel-messias
Nos lombos dum jumento
Adentra o chão rachado do Sertão
Não levando um boneco,
Mas um balde d’água, arroz e feijão
Uma mãe que chora
Suas crianças sorrirão
Ao menos por uma noite
Homens e suas obras
Estendem aos céus colossos profanos
A um deus moribundo
Sonhado por eles para servi-los
Enquanto bocas secas e colentas
Beijam a terra quente e rasgada
Como se houvesse ali a única garantia
De uma reciprocidade sincera
Que velasse, ao menos para si,
Sua miséria
No árido ar do Sertão
Das capitanias desoladas,
Dos arrendamentos saqueados e baldios
De sua alma desidratada
E cada vez que o céu se vira
Eu penso ver aqueles olhos brilharem
Num firmamento plúmbeo,
Quando então eu corro pra janela
E espero que caia neve


FELLIPE KNOPP

domingo, 7 de setembro de 2008

31-12-07


Sintomática do Supra-Sensível


Da série Poesia de Expurgação



Flerte com o incognoscível
Sem outro significado

[ e conteúdo



Pura impossibilidade lógica
Se pudesse – grau zero do pensamento



Vai anjinho pomposo
Vai diabinho marchoso
Vai teozinho espetaculoso
Vai solzinho espalhafatoso
Já dão sentido à sua tosse

N E U R O S 3 !



FELLIPE KNOPP

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

05-04-2009
Resíduos de Algum verão

Lembranças de alguém


Vieste
Atei-me às chagas
(lazarento?)
Foste
e chorei todos os mortos

Fellipe Knopp



25-01-2003



“Alvorada”

As formiguinhas vão trabalhando
Para o inverno se prevenindo
As formiguinhas todas, marchando,
Num mesmo passo estão seguindo

Estão guardando seus alimentos
Em tempo hábil, pois, é verão
E o gafanhoto olhando atento
Está na espreita, presta atenção!

As formiguinhas vão inocentes
Levando o fruto de seu trabalho,
E o gafanhoto sorri contente
Malandro, encontra um bom atalho

Esperto, fica esperando
A hora em que vão passar
O alimento elas vão levando
E o gafanhoto foi lhes tirar

As formiguinhas, inconformadas
À sanguessuga foram falar,
A sanguessuga, também esperta
Ao gafanhoto foi-se juntar

Outros insetos souberam que
O gafanhoto se dera bem
Todos vadios e preguiçosos
Foram até lá a roubar também !

As formiguinhas foram trabalhar
Achando que tudo ia mudar
Inocentes, elas davam duro
E outros, insetos, comiam tudo !



FELLIPE KNOPP





23-04-02



O GRANDE SÁBIO



Como explicar o furor?
Como explicar o ódio ou o amor?
Essa relação de ternura e terror?
Ou uma mesma coisa causar prazer e dor?
Os olhos contemplam o horizonte;
Nosso pensamento tenta ir além dos montes;
Vacilamo-nos em nossas próprias pretensões, e,
Para tudo o que há buscamos explicações.
Combatemos numa guerra desleal,
O tempo nos prende em seus nós,
E por mais que tenhamos companhia estamos sós.
Mas o tempo que nos persegue e não tem bandeira,
Não é intruso, está em nós.
Ao presente tentamos entender – teorizamos.
Ao futuro tentamos prever – idealizamos.
Ao passado queremos saber – buscamos indício.
E o fim, do qual, tanto fugimos, começa ali, no início.
Induzimo-nos num sono profundo
E os meus olhos transpiram, pois, meu coração geme.
Chora inconsoladamente à inconsciência,
Que nos condicionava ao estado de inocência
E nos anistiava de toda penitência,
Isentando-nos à responsabilidade sobre ação e conseqüência.
Anestesiamo-nos com sexo e fábulas
E suas licitudes nos escondem as máculas.
Camuflam o engano e a prisão
E nos ajudam a suportar a separação,
De uma existência segmentar e convergente,
De uma história sem precedentes.
Toda a humanidade chora
O estado calamitoso de se ter consciência,
De se sentir a dor
Que trouxeram a sabedoria e a inteligência.
E tudo que se percebe e vê
É que então o fim chegara
E nada podemos fazer.
E que por mais que soframos com isso,
Não podemos fugir,
Pois, somos feitos disso.


FELLIPE KNOPP




28-12-07


Canção do Alívio 
(Ou Um por Todos e Todos Contra Um)


Da série Poesia de Expurgação


"Direito de Resposta"




Minha terra tem trincheiras
Onde deus não pode entrar
Se há corvos, que aqui gorjeiam,
Só gorjeiam pr'agourar

Nesse céu não há estrelas
Nessas várzeas só horrores
Nesses bosques não há vida
Quando vida, só rancores

Em cismar sozinho à noite
Que prazer encontro eu cá ?!!
Minha terra tem lugares
Onde deus não quer entrar

Minha terra tem odores
Que não dá pra suportar
Em cismar sozinho à noite
Que prazer encontro eu cá ?!!
Minha terra tem lugares
Onde o Amor nunca estará

Já permita alguém que eu saia
Sem que volte para cá
Pra que não sinta as desgraças
Que nunca mais quero olhar
Nesse esgoto de trincheiras
Onde nem o Sol quer brilhar

FELLIPE KNOPP