
Este se pretende um espaço destinado a exposição de produções poético-literárias e crítico-filosóficas.Pretende-se ampliar os horizontes do pensamento e do fazer poético, bem como problematizar deliberadamente suas proposições inerentes, de tal forma palatável e prazeroza para quem produz e para quem lê. O que se verá é mais que uma espécie de "poesia de artesanato".Mas tamBem
quinta-feira, 30 de julho de 2009

segunda-feira, 27 de julho de 2009
MEDIA ESTATICISTA
medéia
mediar uma relação
efetivar uma negação
o meio e o medo
não tenhais medo
o mundo
o ponto médio é só estatística
não é ponto senão de aundiência
ou anuência
quase nunca de coerência
ponderação? Alforjada
medíocridade a serviço de quase-nada
extra judicia de falácia
mordaz amordaça
as mordeduras de tantas trapaças
deixam suas marcas
no couro e na caracaça
na carapaça sem carapuça
a quem tenha vergonha na cara!
sábado, 25 de julho de 2009
LOQUAZEDO
nada que quis
não pertenço a este país
este que nada me diz
o que me vês fazer assim
é o que sei de mim
por mim
posso nem ter dez casas ou sete vidas
trinta calças ou sabe-se lá quantos milhões
mas tenho inúmeros talentos
e uma honra
todas meus
sem espera do agora
da causa
ou da caça
a chuva se dissolve intémperas do solo
a colisão do alfabeta
aceleração das âncoras de cais imaginário
névoa compacta
a chuva brota da relva
onde habita a selva
sublevação de doses de nicotina
o descortinar da evasão
lástima-cal
cosmolito
farofa não é areia
faroleia !
tóxico-menta de pleromia
lixiviação afeto-circunstancivida
densa atmosferato cianeto
Didaskacos
kaos
cerol de fio de pipa-fuego
ceol das oras ogivais
urticurânio radiotelevisivo
Boom !!!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
PARAXITONOLÓGICO
num violão de palha fina a
extensão almerengue mordaz
havia aquela indiazinha balzaquijoviana
mon pipebule saneia toda minha imaginação
clímax poéticointelectual
saltos titânicos ou colossais
a hora-rasante de helvécio em meu bolso
nem calixto nem canastra
nem canalha
Método!
Isso sim
após anos de dedicação algum proveito de mim para mim eu, altermeu (estrutura?)
Moi
Salubre
alguns vermes no lixojuntoàdegradaçãorgânicoética
onde: nem ética, nem estética nem etiqueta
"Est'ética"
ethos do ser-no-mundo
nós poucos
eles não
onde: eles não
inox de assepsia e rágua de vinil
souvenir de giz-de-cera
fósforos de butano
olhos de rapineiros e algumas ressonâncias visuais malditas
na atmosfera dos ares efêmeros do terror
a névoa de um retrato débil
Mas minha mente é São
bramidos fortiurnos flâmulacor das apregnações arredias amentalicalafoaltica
como resmuir esse conceito?
Je n'ai sais pas !
barrocas do coldre-barbárietilêno
alcoolimistas bulas de táblarcaica
vernáculo de cláusula perdida!
Daime de beber ao lado indiazinha!
Prazer perfoito
Merci!
domingo, 19 de julho de 2009
A COERÇÃO-VISUAL, UMA SARAIVA DE NÁUSEA
O odor é repulsivo, a cara hedionda! Lixo subumano, as olheiras mais parecem infladas, escuras feito sangue-pisado. Pelancas e rugas feito fresas esparramam-se pela cara: anta de ferraduras, caminha qual desse pinotes - capiroto de águas podres. Zumbi de papadas, tem a presunção criminosa de revestir-se de uma estopa larga, achando que tem algo a mostrar ao mundo.
Ignorante por natureza, não tem o menor senso de rídiculo - gosta de assediar espuriamente gente jovem, para quem, sem sombra de dúvida, o aspecto amorfo de sua carcaça escatológica causava náusea visceral, a regurgitância era sempre iminente frente a ressonância traumática de tal imagem - a lagartixa de hematomas. Pútrida de caráter, a gosma que transpira na cara se assemelha a pus (se não o é!) - se houve feminilidade ali nalgum instante remoto, essa fora de ratazana ou de gambá encarniçado. Vai
s te mancar, choldra de bolo de merda, porque te atreves
a poluir o espaço com vossa débil representação?! (Sorte minha estar de estômago vazio. Teria vomitado ao ter notícia de nojosa e virulenta subsistência patogénica). Esquistossomose ou lepra percrustada? [Rugas profundas por toda cara, a pele mais parece uma sanfona fechada!]FELLIPE KNOPP
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Garcejos
Nem choro nem vela
tampouco veleiros
lambes o sangue deitado

como imolação tenre
verteso breu nos ossos
vertiginomaníaca
escarrastes na mão cariciosa
agora...
fuligem ectoplasmótica
tanto cinismo
roucas de de bagaço boqueteiras
eis infrutos de vosso solo malsão
frente a si
tinheis orquídeas-raras
quisestes limbo de gigogas
cacarejeira
cheiro de garças!
sexta-feira, 10 de julho de 2009
METANO DESTILADO. CHORUME NAS VEIAS
O sinal matinal. A porta se abre. Seis horas da manhã. Sai aquilo com manchas grises na pele. Parecem sardas de lepra incrustada. No umbral outra choldra com cara de asno. Traz um pra mim também! Tá bom, vou trazer, responde a besta rugosa, com cara de papel crepom amassado. Sai aquilo. Com um pouco mais de atenção perce-se bem que usa fralda geriátrica sob a calçola bancarrota. A veiaca também. O cheiro prútrido da merda empastada empestia o corredor. Cheiro de bosta com perfume barato de lavanda e naftalina das mortalhas conservadas no armário. Um festival escatológico de odores e combinações desarmônicas numa estética grotesca. O velho acha que é agente de CIA ou algo assim. A xoroca pensa que tem mediunidade, banca a feiticeira de terreiro. Aquela imagem degradada lembra uma espécie de simbiose de coprofilia. Hematomas, quelóides, valas cutâneas... retrato da degenerescência, uma bitoca ligeira que se trocaram, embrulhou-me o estômago, quase regurgitei. Bichos horrendosos, remeti-me, por força do testemunho visual, à imaginação de uma cópula asquerosa entre nematelmintos - aquela imagem tinha cheiro, exalava um ar insalubre de carniça e latrina revolta. Quase um trauma. Aqueles, quase vermes- quase gente: muita náusea. Violência visual, crime estético. Ele volta com um embrulho. Cheiro de merda nas calçolas - um rastro de cacas no chão do corredor. Ela diz: a mesa já está arrumada, ele ainda no corredor. Ela na porta, com um batom vulgar sobre os lábios murchos cheios de vincos, parece uma lagartixa desidratada. Os borrões de maquiagem de viaduto mal utilizada estendem-se até a testa. As roupas, retalhos de pano-de-chão. Na cabeça, uma bandagem que mais parece um bolo de papel higiênico usado. Eles entram. A coprofagia é iminente.Rasão-social
Não há males que vêm pro-bem
há males pára Bem
há maisleis para bons
há males: pára-bens
não há Malés
deus não é brasileiro
o sol não é brasileiro
eu tembém não
Razão parece não ser
brasileira
brasisneira
Felisberto ! Meu caro !
a Razão nunca será brasileira!
Nós é que não
domingo, 5 de julho de 2009
HONERÁRIOS E MANDOTÁRIOS
sábado, 4 de julho de 2009
A Instânsia D'Ausente no Essente ou Isso desde Logos
Sou eu aqui
a força da esfera
pedra de toque
o bicho da espera
a fera
a feira
a fera da espera
espora
às portas do agora
soturno e tacituro
o limiar das hora
o sangue gelado
que corre e que gela
atroz e trucida
tortura singela
o bicho das horas
afere
esfera
o sangue sólido da vibração grave da visão de mundo
significantes em simbiose na artéria
o arqueiro das sete artes
corpo elipse de antimatéria
eclipse
alçapão de evocações
método e autoindução
fiocondutor de eletro-ratio
eletroestética
seiva-plúmbea
a antipoesia do anticidadão
anticristo?
anti-isto!
Antes eu do que isso
a fome, a fera e o isso
psicoupisco
um anti-nada requerido ao fisco
as nuvens do solo em clara de neve
gemas podres
(.)
ópio desmemorável
fomemora teu aniversério
essa vida é uma piada
cócóricó:
disseram certas vizinhas
galinhas de rapina
em ramas de coprófilas de criadouro
a instância da madrugada na consciescência
ou a Verdade desde os seres das cavernas
a verdade não nos diz nada?
verdade: é totalitária!
lógica grafada em carne-e-osso
Não quero teu carrocéu
de hipocampos
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Está marcado

Está marcado
Totalmente insulado
Em nome da verdade foi ousado
E entrou para a “lista-negra” do Mercado
coitado(?)
Ousado
dificilmente será empregado
(mesmo com méritos comprovados)
Fora até ameaçado
Por conta de seu desacato
Párias, Pátridas e Precá[tá]rios
mito é medo
infeliz de quem os cria!
lascam-se pedras
lustram-se cacos
criam-se deuses
não se vêem sintomas
forjam-se movimentos escalafobéticos
senhas e códigos
evocam ilusões
chamam-lhes Natureza !
A outras chamam religião
Não!
Depois de tudo !
Ninguém ouse chamar-me amigo
tampouco irmão
deste só tenho dois
já me são mais que suficientes
O maior arrependimento de minha vida
é ter sido brasileiro
pelo menos em caráter nominal
sinto-me escória: RG ...
Irmãos... ah!
essas pieguicíes não me afetam
os dois cossanguineos que tenho
me são mas que suficientes
Amigos?
quais se encontram no pantanal ...
domingo, 28 de junho de 2009
Febres e calabolsos
cédulas de escombros
colunas de vosso colosso áureo
sedimentado com sangue
alhágrimas coaguladas ...
essa sedinha vulgar
que não passa de toga barata
de papel higiênico usado
vergonha eclipsada de demérito
exaltação do pífio
e nem têm a menor dimensão
do que tenho passado em toda minha vida,
a julgar, tão levianos
[opróbrios de furúnculos
alicerces de vossos templos de copropatifarias
teus filhos?
Ah! Por tão nada eles se desesperam
saem desembestados feito porcos selvagens
E vós mesmos,
quanto suportariam da situação?
[sem deplorar-se
Contemplem vossa chancela de merda emplastada
pra que tuas "niñas" abram cada vez mais as pernas
para cada vez mais cães leprosos
e teus filhos o rabo !
Contempleis vosso surto-circuito
escândalo desesperado de não-zerlar-se
A lata do lixo estará sempre aberta
Vossa jogata saltimbanca
arquebanca
cédulas de pus
em lentes de gelatina podre
Deixei de ser brasileiro
ao perceber-me que sempre aqui fui apátrida
por força das "circulunstânsias"
a comida enche o estômago
mas o estômago não esvazia a lembrança
a barriga sai da miséria
mas sai não sai da alma
enquanto o estômago permanece vazio
a alma se empanturra de estômago ...
Devora-se suas demandas
violento órgão ermo!
estrelas aeradas no prato
um soufflé de pacotes ôcos
relva
ali nenhuma agonia
lost time
a endorfina já o dominara!
[integralmente!
... Pas de quoi !
sexta-feira, 26 de junho de 2009
BEZERRO DE OURO
Registro:768.889 Livro:729 Folha: 531
05-07-04
Nos meus olhos mais que o ar
Sangue mais que os céus
Desse inferno nesse mar
Fogo mais que o mundo...
Todo mundo é fogo
Morto
Lava esse sangue
Lava a alma escorrendo
Queimando,subindo,descendo
Lava a alma com bronze
Mais que terra
Feche a caverna com mármore e tersol
Tome seu licor gole a gole
Matando Vênus de seu amor e de seu ódio
De sua fúria de seu desprezo
Bronze mais que a terra
Lava a alma com pastilhas
Onde está teu sorriso!

No teu nariz, nos teus pulmões
No teu fígado, na tua bexiga
Na ponta de tua caneta
Eu perdi
Fui vencido com um Cheque-mate classe A
Cruzado, cruzada
Rainha, não
Cheque-mate classe A
Beba esse café gole a gole
Frio assim mesmo
Feche essa caverna
Com porta de aço
E sinta a brisa no rosto pela 1a vez
Como a nuvem
E lava o corpo e lava os lábios
Lava a alma
Sonho e saudade, pois não e não e não...
Bronze mais que terra
Ouro mais que tudo
Gole a gole teu sonho dourado
Lava a alma me desce a boca
Sinto a brisa tocar
(pétalas lisas pétalas)
Docemente as amargo águas
Rascantemente as engulo e
As bebo licores fortes como metal fervendo[1]
Níquel-solvo rasgando uretra
Substância de minha poesia-gel
Quero criar a poesia-gel (perfeita)
Para caramelar e degustar docemente pouco a pouco
( Pétalas lisas pétalas )
Gole a gole seu sonho dourado
Lava a alma desce a minha boca
Tua casa tem porta de aço ganhaste
Chave-de-ouro
E lava o corpo e lava os lábios
E não e não...
Frio assim mesmo
Esse café, cruzada, cruzado
Cheque-mate, pétalas lindas pétalas
Ouro mais que tudo
Beba mais um gole esse café
Pouco a pouco frio assim mesmo
Como metal fervendo
Como níquel-solvo (rainha)
Poesia-gel sem ouro
E não e não
Sinto a brisa pela primeira vez
Ela prenuncia o inverno
“Muito mais que ferro e fogo de adorno em podres corpos, temos HONRA’’
[1] - Rimbaud, Arthur. Uma Estadia no Inferno. Ed. Martin Claret.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
PULSOS, PULSAÇÕES E PUSILÂNIMES
Noites do asfalto fino
em salivas coaguladas
carburação em fuligem de fumo
queimando parafina enluarada
sonido das lamúrias desoladas
garoando rapinas de porvir
até as galinhas quiseram voar alto
capim e cerveja
ósculos de neblina-relva
assimétricas
calígula desbotado
separatas de maldicções
amálgamas de soletude
brisas aleatórias noturnas e galvanizadas
sua corrosão catoptrônica
lendas de contos de bolso
umas guias de mameluco, resíduos de mortiferação
populações inteiras em chalés de água-funda
antologias de ruas de lama
as pedras transpiram
fumo no copo
cinzas no copo
breu no copo
cópula dos ascos-aniquilados
penumbra dum raio-de-sola
alísios odores latrinos
solistas de calabouço
e um inalador de xisto
domingo, 21 de junho de 2009
SIMBIOSE ABJETAL
conjugando farsas e excreméticas
simbiose da putrefação
nefanda, nefasta
Rio de abjetos
o odor insalubre de azedo-saturado
iconolatria degradatária
amnésia anistiadora?
indecência depredadora!
Achastes que me esquecera?
mas lembro-me tudo
de cada detalhe pérfido
e não perdôo nenhum!
Não estamos quites !
mas vós estois kitsch
Os olhares sorrateiros a torcer pelo fracasso
Quanto a incoerência não há compreensão !
Quisestes que eu me facrificasse
e roubar meus proventos
só se crê em amor com barriga-cheia
O shampoo reluz o brilho falso de tuas primícias
assovio de levitação
sequer procurou-se saber se eu estava com fome!
Meus anéis são feitos de dna
sábado, 20 de junho de 2009
Augurio das Expressões
arestas do infinito
[necrotério das emoções
empuxo das aflições
das cinzas do corpo jaz o teu pão !
suave adeus
feito vento da alta madrugada
A FOME DESTRUTIVA DOS INSTANTES !
FELLIPE KNOPP
quarta-feira, 17 de junho de 2009
EM MEMÓRIA
segunda-feira, 1 de junho de 2009
NOBRES DE TOGA
És suja, és podre
Como outra qualquer.
Te adornas por fora,
O povo lhe quer.
Aí também há gases;
Aí também há fezes;
Teus homens também urinam;
Defecam sim tuas mulheres.
Mulheres lindas,
Mas defecam ainda;
Também se limpam;
Também vomitam.
Também as nádegas
Lhes cobrem o ânus,
E envelhecem,
Lhes passam os anos.
Também mau cheiro;
Fétido odor;
Cheiro de esgoto;
Podre fedor.
Tu és altiva
Por ter riquezas;
Acha-se muito
Por ter belezas.
Aí também há doenças;
Sangram-se teus cortes;
Aí também há desgraças;
Também não escapas à morte.
Aí também há tristeza;
Teus filhos também pecam;
Teus homens também têm fraquezas;
Tuas lindas mulheres defecam.
Escondes teu podre organismo,
Teu câncer, vaidade, altivez.
Atrás dos teus prédios cinismo,
Soberba, "charutos", xadrez.
A "nódoa" de teu preconceito,
Racismo, elitismo a expandir-se.
Pois se vejam teus malfeitos,
Teu fígado, pâncreas ferir-se.
Tu chamas horror poesia,
De um velho ignoto a cantar,
Que esqueceu o devir d’um dia,
Tuas fortunas a desmoronar
Tu julgas melhor teu destino?
Tu pensas da morte escapar?
Pensas não ter fezes por dentro?
Pensas não ter qu’ir defecar?
Tens gente ativa, tens gente à-toa,
Tens coisas más e tens coisas boas.
“Litoral”! “Litoral”!
Também há pessoas.
terça-feira, 28 de abril de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
"Nota de Rodapé"
Fellipe Knopp
segunda-feira, 20 de abril de 2009
AS DOZE BADALADAS (fase "religiosa")
O que fazemos aqui, nesse mundo voraz, nessa salva humana?
Descaso e impiedade, calúnias e falsidade
Cansamos de mentiras, queremos a verdade!
Mostram-nos o azul do mar e os encantos do verão
Mas não mostram os capatazes, não mostram a escravidão!
Fábrica de ilusões, indústria dos sonhos impossíveis
Show dos megalomaníacos, atos plausíveis.
As ondas desfizeram nosso castelo de areia
Foram-se junto com ele os sonhos de realeza.
Qual é nosso papel nesse mundo de fantasias
Onde o mais importante é desprezado
E o descartável vale mais?
Teu incensório tem cheiro de sono;
o teu altar tem sangue de bode;
teu templo é um jazigo de mortos;
teu alimento é rapina dos porcos.
Tua sabedoria é vã;
tua maturidade é infantil;
não enxerga a verdadeira beleza;
só exalta o que é podre e vil !
Estais cegos e quereis conduzir a multidão?!
O brilho de vosso ouro vos cegou;
o cheiro do vosso perfume atrai os abutres;
Fostes traídos por vossos próprios desejos (?)
não ouvirdes a décima segunda badalada;
Vossa porção fora lançada ao fogo?
Vossos atos vos condenam.
domingo, 19 de abril de 2009
RATOS VOADORES
Rasgado de ponta-a-ponta
Era um tecido, um papel, ou um monte de carne?
Aspergia por todo o chão, viscoso e bruto
Como leite coalhado no bucho
Regurgitando como golfada no colo
Vestido de pano puído
Apenas “vermezinhos” dessa gente
Eles choram apontando a vossa culpa
Eles sofrem sentenciando vossos atos
Eles subsistem deplorando vossos delírios
Eles morrem lançando-vos no fogo
Eles voltam, visitando-vos à angústia
A fonte que transborda não mais deu água
O arraial está desolado
O gado vai perecendo
Não posso almejar-te à boca, oh Cristine
Meu hálito cheira tão mal, tão podre
Tem cheiro de estômago vazio há dias
Suas paredes quase se tocam
Não posso amar-te aos seios
Meus lábios estão feridos profundamente
Abertos em carne e brasa
E minha língua cola-se ao céu-da-boca
Na grossura de minha saliva
Na secura de minha gengiva
Não posso de modo amar-te, Cristine
Teu colo está sempre tapado
E teu rosto virado pra lá
Apanho bebida nos cactos
Busco uma farta refeição
Mas me entalo com torrada velha
Soluço com farinha seca
Olha da janela, Cristine!
O duro preço da paz!
Apressa-te, pois, já vêm!
Já vêm às ruínas da porta
Já chegam às ruínas do prédio
Lá embaixo o duro preço da “paz”
E chegam com milícias
Com corvos e bestas selvagens
Vêm de surpresa
Com as caras cobertas
Vê Cristine, calcanhares levantam-se alhures
E as bocas calaram-se todas
Ao bel prazer da covardia e desprezo
Há sempre gentinha lacaia
Querendo mostrar serviço
E muitos se dão à sua lábia
Falam com os membros
Mentem com os dedos
Acenam com os pés
Enganam com os olhos
Tentando me convencer de que estou louco
Querendo me enlouquecer
Mas, os que levantaram o calcanhar
Comiam comigo!
Olhe Cristine, os leitos parecem túmulos
O leite das mães envenena os filhos
Há órgãos em cada cesto de lixo
Sangue em cada copo
Em cada cuspe
Eles vomitam fezes
Espirram furúnculos
Tossem porcarias, imundícies
Seus olhos aspiram ganâncias
Seus cofres amontoam roubos
Seus bolsos transbordam subornos
Vê Cristine, temos todos paz
Vê Cristine, as bocas costuradas
Os olhos vendados, os ventres mortificados
Tudo isso é paz!
Há olhos saltando às mãos
Sangue escorrendo pelas paredes
Há feridos por todo lado
E tudo está em paz
Há farinha seca para todos
E há soluço também
Vê Cristine... Vê Cristine
FELLIPE KNOPP
27-06-00
PROGRESSO NA MADRUGADA
"Chora" garoto, "chora"
"Chora" de tristeza e dor.
Não sabe o que vai ser de si
Não sabe o que deve fazer
Está perdido agora
Não tem a quem recorrer
Não tem com quem contar
"Agora é só você"
É "garoto", agora é "só você".
Tem de traçar o seu destino
Seguir um rumo na vida
Tem de ser forte agora
Sábio e maduro
É hora de se encontrar
É hora de decidir.
Lágrimas salgadas
Escorrem dos teus olhos
Contornam teu rosto
Descascando a própria pele
Saliva amarga na boca
O horror da "tragédia" te fere
Te fere e te tomba
Parece que vai te matar
Parece querer tua vida
Mas o que quer então,
não o pode tirar.
Agora você enfrenta o medo
O terror e as mazelas
Angústia e tormento
Miséria e sarcasmo.
Você está fraco, acabou sua comida
Pede ajuda quase prostrado
Mas parece não haver ninguém
Você clama aos seus semelhantes
Mas parecem ser tão diferentes
Você chama a seus próximos
Mas já parecem estar distantes.
Ar frio que vem do norte
Denso e arrasador
É a escuridão dos "últimos" dias
E um botão aflorou.
“Chora” garoto, “chora”
Teus amigos não estão mais aqui
“Chora” garoto, “chora”
Até o dia em que possa sorrir
“Chora” garoto, “chora”
Destruição é tudo o que vê
“Chora” garoto, “chora”
Isso é tudo o que pode fazer (?)
FELLIPE KNOPP
sábado, 18 de abril de 2009
Euteridade
25-12-2007
Euteridade
Da série Poesia de Expurgação
Eu
Se não existe o Outro
Quem é você?
Sertania do Desejo
Da série Poesia de Expurgação
O que seria isso?
A escória do universo
Lugar do diverso
Ou do inverso?
Que exalta o canalha perverso
Em prosa e verso
Teus santos se corromperam
Nenhum Senhor-do-Céu apareceu nas nuvens
Teu salvador, que mataste,
Nunca retornará
Papai-noel-messias
Nos lombos dum jumento
Adentra o chão rachado do Sertão
Não levando um boneco,
Mas um balde d’água, arroz e feijão
Uma mãe que chora
Suas crianças sorrirão
Ao menos por uma noite
Homens e suas obras
Estendem aos céus colossos profanos
A um deus moribundo
Sonhado por eles para servi-los
Enquanto bocas secas e colentas
Beijam a terra quente e rasgada
Como se houvesse ali a única garantia
De uma reciprocidade sincera
Que velasse, ao menos para si,
Sua miséria
No árido ar do Sertão
Das capitanias desoladas,
Dos arrendamentos saqueados e baldios
De sua alma desidratada
E cada vez que o céu se vira
Eu penso ver aqueles olhos brilharem
Num firmamento plúmbeo,
Quando então eu corro pra janela
E espero que caia neve
domingo, 7 de setembro de 2008
Sintomática do Supra-Sensível
Da série Poesia de Expurgação
Flerte com o incognoscível
Sem outro significado
[ e conteúdo
Pura impossibilidade lógica
Se pudesse – grau zero do pensamento
Vai anjinho pomposo
Vai diabinho marchoso
Vai teozinho espetaculoso
Vai solzinho espalhafatoso
Já dão sentido à sua tosse
N E U R O S 3 !
FELLIPE KNOPP
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Atei-me às chagas
(lazarento?)
Foste
e chorei todos os mortos
Fellipe Knopp
25-01-2003
“Alvorada”
As formiguinhas vão trabalhando
Para o inverno se prevenindo
As formiguinhas todas, marchando,
Num mesmo passo estão seguindo
Estão guardando seus alimentos
Em tempo hábil, pois, é verão
E o gafanhoto olhando atento
Está na espreita, presta atenção!
As formiguinhas vão inocentes
Levando o fruto de seu trabalho,
E o gafanhoto sorri contente
Malandro, encontra um bom atalho
Esperto, fica esperando
A hora em que vão passar
O alimento elas vão levando
E o gafanhoto foi lhes tirar
As formiguinhas, inconformadas
À sanguessuga foram falar,
A sanguessuga, também esperta
Ao gafanhoto foi-se juntar
Outros insetos souberam que
O gafanhoto se dera bem
Todos vadios e preguiçosos
Foram até lá a roubar também !
As formiguinhas foram trabalhar
Achando que tudo ia mudar
Inocentes, elas davam duro
E outros, insetos, comiam tudo !
FELLIPE KNOPP
23-04-02
O GRANDE SÁBIO
Como explicar o furor?
Como explicar o ódio ou o amor?
Essa relação de ternura e terror?
Ou uma mesma coisa causar prazer e dor?
Os olhos contemplam o horizonte;
Nosso pensamento tenta ir além dos montes;
Vacilamo-nos em nossas próprias pretensões, e,
Para tudo o que há buscamos explicações.
Combatemos numa guerra desleal,
O tempo nos prende em seus nós,
E por mais que tenhamos companhia estamos sós.
Mas o tempo que nos persegue e não tem bandeira,
Não é intruso, está em nós.
Ao presente tentamos entender – teorizamos.
Ao futuro tentamos prever – idealizamos.
Ao passado queremos saber – buscamos indício.
E o fim, do qual, tanto fugimos, começa ali, no início.
Induzimo-nos num sono profundo
E os meus olhos transpiram, pois, meu coração geme.
Chora inconsoladamente à inconsciência,
Que nos condicionava ao estado de inocência
E nos anistiava de toda penitência,
Isentando-nos à responsabilidade sobre ação e conseqüência.
Anestesiamo-nos com sexo e fábulas
E suas licitudes nos escondem as máculas.
Camuflam o engano e a prisão
E nos ajudam a suportar a separação,
De uma existência segmentar e convergente,
De uma história sem precedentes.
Toda a humanidade chora
O estado calamitoso de se ter consciência,
De se sentir a dor
Que trouxeram a sabedoria e a inteligência.
E tudo que se percebe e vê
É que então o fim chegara
E nada podemos fazer.
E que por mais que soframos com isso,
Não podemos fugir,
Pois, somos feitos disso.
FELLIPE KNOPP
28-12-07
Canção do Alívio
(Ou Um por Todos e Todos Contra Um)
Da série Poesia de Expurgação
"Direito de Resposta"
Minha terra tem trincheiras
Onde deus não pode entrar
Se há corvos, que aqui gorjeiam,
Só gorjeiam pr'agourar
Nesse céu não há estrelas
Nessas várzeas só horrores
Nesses bosques não há vida
Quando vida, só rancores
Em cismar sozinho à noite
Que prazer encontro eu cá ?!!
Minha terra tem lugares
Onde deus não quer entrar
Minha terra tem odores
Que não dá pra suportar
Em cismar sozinho à noite
Que prazer encontro eu cá ?!!
Minha terra tem lugares
Onde o Amor nunca estará
Já permita alguém que eu saia
Sem que volte para cá
Pra que não sinta as desgraças
Que nunca mais quero olhar
Nesse esgoto de trincheiras
Onde nem o Sol quer brilhar
FELLIPE KNOPP
terça-feira, 13 de maio de 2008

Ode aos Knopp
Em especial a William Knopp, meu saudoso Pai, e a meu avô, Ivo Knopp
Em terra desolada,
de riquezas escassas,
criou sua história,
vingou sua casa.
Crescera estoicamente
em terra desolada,
de um cinza celeste,
de várzea gelada,
Noites infindas;
tardes sombrias;
Lua de neve;
opaca alegria;
Inverno a cortar-lhe os lábios;
o vento a ferir-lhe os olhos;
em fria jornada,
espinhos e abrolhos.
Crescera entre as pedras,
Botão da Flor Teutônica.
Surpreendeste a desgraça,
te olhou catatônica.
Suprimiu tua dor
e o pranto de tua cria,
em dias sem nada,
em noites tão frias.
Resistindo e lutando
por dias felizes.
Em terra desolada
fincou suas raízes.
Resistiu dentre pedras,
dentre lobos ferozes,
dentre garras afoitas,
dentre lanças velozes.
Vingará o grão regado
com as lágrimas de tuas crianças.
Germina germano,
germana a esperança.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
AMOR-FATAL
A vida é um “tumor maligno”
De dez centímetros de diâmetro
No meio do intestino
Lacera sem parâmetro
Todo organismo
E nenhum segundo a mais...
Pontual, sem atraso
Nódoa-Fatal
Rasgando todos os vasos ]
Ah! A Vida mata em longo prazo!
FELLIPE KNOPP
CAPITULARES
Vi aqueles homens de gravata,
sorriam e bebiam, como no Olimpo.
De cara suja, mas terno limpo,
esperavam a hora exata.
Quem são aqueles homens que se chamam Zeus,
que temem mais a mão do mercado do que a mão de Deus?
Quem são eles que decidem a vida dos outros, que se acham acima de todos?
Anunciai ao povo que o reino está em franca expansão,
não haverá tolerância pra qualquer dissolução, nem heresia, nem dissensão,
as Capitulares já estão promulgadas, anunciai à população!
Agora somos livres, podemos ir embora para qualquer lado, para qualquer condado!
Mas quem ficar vai ter de trabalhar dobrado e pelo mesmo pago!
Contudo somos livres, foi o conde quem disse!
Se ficarmos temos de obedecer, mas somos livres, o barão disse!
Nem dissensões, nem heresia, o rei dizia.
Sim ele disse, mas quem pensou tudo foi o “missi dominici”.
Quem são aqueles homens que vivem ali sentados,
que largaram as leis de Deus pra guardarem as leis de mercado?
Leis de Deus, leis de mercado, mercado de almas, decreto assinado.
Um passo em falso e as leis são aplicadas, e Deus é implacável, sua lei intolerável!
Nada pode dar errado, tudo tem de ser muito bem pensado!
Queimemos incenso, façamos uns holocaustos
à Deus, mercado!
Tudo estará pronto até que a trombeta soe
e que a mão invisível de Deus nos abençoe.