Remissivo ao verão de 2007/2008, um augúrio seco
Passara-se nosso tempo
teu e meutempo começam
como são
São ou temprano
temporão
contemporaneos
mundo insano
Vibração fugidia de uma luxação mnêmica
lastro irrastreável
dolor rarefeito
Pressão vertical da gelida pradaria
febre do caos
Insípida moribunda dos mananciais séquidos
vertigem e colisão
éter viscoroso em lua-de-queijo
A noite do porvir nas lacunas das hiâncias
o aceno contido
plataforma silenciosa
não se sabe quando outra vez
não se soube
não sebemos se se saberá
não sabemos
jamais o soubemos
Porque a raridade fusionou-se à escassez
fez-se uma mitologia de vertigo e sentimento
HelveciosoFoi assim naquele tempo
eu mesmo vi
Uma lenda que nós dois criamos
para nós dois que a criamos
não a cremos
porque eu nos criamos
não crieu amor
HelveciosaO mito que quiz lenda
humana
Meu coração gemeu nosso não
meu sentimento foi o nosso, helvética
naquele tempo, me lembro
eu vi
Magia não cri, tu fostes
Helvética, forasteira
Teu mês me durou mais de um ano
naqueles dias
Não tiveste vibração
a tivera por toda
Meus poemas não tiveram réplica
o que dizer de teu silêncio?
naquele tempo
Helvética
És-me toda em poema
Helvética
A memória apaga o tempo da memória
da memória do tempo
a distância
dinstante
Helvética
Três cds e saudade
naquele tempo
Qual neve me desliza à testa,
Helvética?
Foi-se que não fostes
Viera-me
a solenidade ríspida do real
sem prelúdio, sem sonho, sem ti
Helvética
FELLIPE KNOPP