28-04-2009
Lacânicos e Lacônicos
Frontispício:
Quem não for "louco" vá pro hospício
nem fico nem corro
Eu não morro
Só quem morre
É o Outro
mas alguém fica aqui
já que ninguém morre pra si !
Fellipe Knopp
Este se pretende um espaço destinado a exposição de produções poético-literárias e crítico-filosóficas.Pretende-se ampliar os horizontes do pensamento e do fazer poético, bem como problematizar deliberadamente suas proposições inerentes, de tal forma palatável e prazeroza para quem produz e para quem lê. O que se verá é mais que uma espécie de "poesia de artesanato".Mas tamBem
terça-feira, 28 de abril de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
"Nota de Rodapé"
O que ocorre com toda produção discursiva e os juízos estéticos de nossa geração? Os enunciados discorrem em analogia a partir das schematas estereotípicas configuradas conforme o determinismo da indústria cultural, cuja a heterogeneidade converge a um modelo técnico de organização e a uma estrtura formal da produção dos conteúdos - cada enunciado tem de adequar-se a uma e mesma sintaxe dos construtos culturais que condicionem o Imaginário. As variações que se dão tão somente em nível de uma morfologia superficial malogram à ilusão de variáveis em larga oferta no âmbito repertorial, mas que não produz polifonia suficiente no nível substancial do discurso - suas variantes maquiadas são apenas a confirmação plástica de suas formações basais, em autorremissão disfarçada.
Fellipe Knopp
Fellipe Knopp
segunda-feira, 20 de abril de 2009
AS DOZE BADALADAS (fase "religiosa")
04-11-1999
Registro: 271.717 Livro: 488 Folha: 377
O que fazemos aqui, nesse mundo voraz, nessa salva humana?
Descaso e impiedade, calúnias e falsidade
Cansamos de mentiras, queremos a verdade!
Mostram-nos o azul do mar e os encantos do verão
Mas não mostram os capatazes, não mostram a escravidão!
Fábrica de ilusões, indústria dos sonhos impossíveis
Show dos megalomaníacos, atos plausíveis.
As ondas desfizeram nosso castelo de areia
Foram-se junto com ele os sonhos de realeza.
Qual é nosso papel nesse mundo de fantasias
Onde o mais importante é desprezado
E o descartável vale mais?
Teu incensório tem cheiro de sono;
o teu altar tem sangue de bode;
teu templo é um jazigo de mortos;
teu alimento é rapina dos porcos.
Tua sabedoria é vã;
tua maturidade é infantil;
não enxerga a verdadeira beleza;
só exalta o que é podre e vil !
Estais cegos e quereis conduzir a multidão?!
O brilho de vosso ouro vos cegou;
o cheiro do vosso perfume atrai os abutres;
Fostes traídos por vossos próprios desejos (?)
não ouvirdes a décima segunda badalada;
Vossa porção fora lançada ao fogo?
Vossos atos vos condenam.
FELLIPE KNOPP
________________________
Data descrita acima corresponde à produção do Poema, cuja averbação foi lavrada em 17 de Julho de 2002 [FNB/EDA], na cidade do Rio de Janeiro, como parte do conteúdo da série intitulada "Mais-valia e outros poemas" (cf. lista de produções no menu de links).
domingo, 19 de abril de 2009
26-04-06
RATOS VOADORES
Rasgado de ponta-a-ponta
Era um tecido, um papel, ou um monte de carne?
Aspergia por todo o chão, viscoso e bruto
Como leite coalhado no bucho
Regurgitando como golfada no colo
Vestido de pano puído
Apenas “vermezinhos” dessa gente
Eles choram apontando a vossa culpa
Eles sofrem sentenciando vossos atos
Eles subsistem deplorando vossos delírios
Eles morrem lançando-vos no fogo
Eles voltam, visitando-vos à angústia
A fonte que transborda não mais deu água
O arraial está desolado
O gado vai perecendo
Não posso almejar-te à boca, oh Cristine
Meu hálito cheira tão mal, tão podre
Tem cheiro de estômago vazio há dias
Suas paredes quase se tocam
Não posso amar-te aos seios
Meus lábios estão feridos profundamente
Abertos em carne e brasa
E minha língua cola-se ao céu-da-boca
Na grossura de minha saliva
Na secura de minha gengiva
Não posso de modo amar-te, Cristine
Teu colo está sempre tapado
E teu rosto virado pra lá
Apanho bebida nos cactos
Busco uma farta refeição
Mas me entalo com torrada velha
Soluço com farinha seca
Olha da janela, Cristine!
O duro preço da paz!
Apressa-te, pois, já vêm!
Já vêm às ruínas da porta
Já chegam às ruínas do prédio
Lá embaixo o duro preço da “paz”
E chegam com milícias
Com corvos e bestas selvagens
Vêm de surpresa
Com as caras cobertas
Vê Cristine, calcanhares levantam-se alhures
E as bocas calaram-se todas
Ao bel prazer da covardia e desprezo
Há sempre gentinha lacaia
Querendo mostrar serviço
E muitos se dão à sua lábia
Falam com os membros
Mentem com os dedos
Acenam com os pés
Enganam com os olhos
Tentando me convencer de que estou louco
Querendo me enlouquecer
Mas, os que levantaram o calcanhar
Comiam comigo!
Olhe Cristine, os leitos parecem túmulos
O leite das mães envenena os filhos
Há órgãos em cada cesto de lixo
Sangue em cada copo
Em cada cuspe
Eles vomitam fezes
Espirram furúnculos
Tossem porcarias, imundícies
Seus olhos aspiram ganâncias
Seus cofres amontoam roubos
Seus bolsos transbordam subornos
Vê Cristine, temos todos paz
Vê Cristine, as bocas costuradas
Os olhos vendados, os ventres mortificados
Tudo isso é paz!
Há olhos saltando às mãos
Sangue escorrendo pelas paredes
Há feridos por todo lado
E tudo está em paz
Há farinha seca para todos
E há soluço também
Vê Cristine... Vê Cristine
FELLIPE KNOPP
RATOS VOADORES
Rasgado de ponta-a-ponta
Era um tecido, um papel, ou um monte de carne?
Aspergia por todo o chão, viscoso e bruto
Como leite coalhado no bucho
Regurgitando como golfada no colo
Vestido de pano puído
Apenas “vermezinhos” dessa gente
Eles choram apontando a vossa culpa
Eles sofrem sentenciando vossos atos
Eles subsistem deplorando vossos delírios
Eles morrem lançando-vos no fogo
Eles voltam, visitando-vos à angústia
A fonte que transborda não mais deu água
O arraial está desolado
O gado vai perecendo
Não posso almejar-te à boca, oh Cristine
Meu hálito cheira tão mal, tão podre
Tem cheiro de estômago vazio há dias
Suas paredes quase se tocam
Não posso amar-te aos seios
Meus lábios estão feridos profundamente
Abertos em carne e brasa
E minha língua cola-se ao céu-da-boca
Na grossura de minha saliva
Na secura de minha gengiva
Não posso de modo amar-te, Cristine
Teu colo está sempre tapado
E teu rosto virado pra lá
Apanho bebida nos cactos
Busco uma farta refeição
Mas me entalo com torrada velha
Soluço com farinha seca
Olha da janela, Cristine!
O duro preço da paz!
Apressa-te, pois, já vêm!
Já vêm às ruínas da porta
Já chegam às ruínas do prédio
Lá embaixo o duro preço da “paz”
E chegam com milícias
Com corvos e bestas selvagens
Vêm de surpresa
Com as caras cobertas
Vê Cristine, calcanhares levantam-se alhures
E as bocas calaram-se todas
Ao bel prazer da covardia e desprezo
Há sempre gentinha lacaia
Querendo mostrar serviço
E muitos se dão à sua lábia
Falam com os membros
Mentem com os dedos
Acenam com os pés
Enganam com os olhos
Tentando me convencer de que estou louco
Querendo me enlouquecer
Mas, os que levantaram o calcanhar
Comiam comigo!
Olhe Cristine, os leitos parecem túmulos
O leite das mães envenena os filhos
Há órgãos em cada cesto de lixo
Sangue em cada copo
Em cada cuspe
Eles vomitam fezes
Espirram furúnculos
Tossem porcarias, imundícies
Seus olhos aspiram ganâncias
Seus cofres amontoam roubos
Seus bolsos transbordam subornos
Vê Cristine, temos todos paz
Vê Cristine, as bocas costuradas
Os olhos vendados, os ventres mortificados
Tudo isso é paz!
Há olhos saltando às mãos
Sangue escorrendo pelas paredes
Há feridos por todo lado
E tudo está em paz
Há farinha seca para todos
E há soluço também
Vê Cristine... Vê Cristine
FELLIPE KNOPP
Viram-me perecendo, nada fizestes ou dissestes; me vistes sedento, vos saciardes frente meus olhos; me vistes definhar faminto, vos fartardes em glutonarias diante de mim! Levantardes o calcanhar ?! ¹
1 - DENOTAÇÃO ! [ou DETONAÇÃO (?) ]
Registro: 263.279 Livro: 471 Folha:439
27-06-00
PROGRESSO NA MADRUGADA
"Chora" garoto, "chora"
"Chora" de tristeza e dor.
Não sabe o que vai ser de si
Não sabe o que deve fazer
Está perdido agora
Não tem a quem recorrer
Não tem com quem contar
"Agora é só você"
É "garoto", agora é "só você".
Tem de traçar o seu destino
Seguir um rumo na vida
Tem de ser forte agora
Sábio e maduro
É hora de se encontrar
É hora de decidir.
Lágrimas salgadas
Escorrem dos teus olhos
Contornam teu rosto
Descascando a própria pele
Saliva amarga na boca
O horror da "tragédia" te fere
Te fere e te tomba
Parece que vai te matar
Parece querer tua vida
Mas o que quer então,
não o pode tirar.
Agora você enfrenta o medo
O terror e as mazelas
Angústia e tormento
Miséria e sarcasmo.
Você está fraco, acabou sua comida
Pede ajuda quase prostrado
Mas parece não haver ninguém
Você clama aos seus semelhantes
Mas parecem ser tão diferentes
Você chama a seus próximos
Mas já parecem estar distantes.
Ar frio que vem do norte
Denso e arrasador
É a escuridão dos "últimos" dias
E um botão aflorou.
“Chora” garoto, “chora”
Teus amigos não estão mais aqui
“Chora” garoto, “chora”
Até o dia em que possa sorrir
“Chora” garoto, “chora”
Destruição é tudo o que vê
“Chora” garoto, “chora”
Isso é tudo o que pode fazer (?)
FELLIPE KNOPP
27-06-00
PROGRESSO NA MADRUGADA
"Chora" garoto, "chora"
"Chora" de tristeza e dor.
Não sabe o que vai ser de si
Não sabe o que deve fazer
Está perdido agora
Não tem a quem recorrer
Não tem com quem contar
"Agora é só você"
É "garoto", agora é "só você".
Tem de traçar o seu destino
Seguir um rumo na vida
Tem de ser forte agora
Sábio e maduro
É hora de se encontrar
É hora de decidir.
Lágrimas salgadas
Escorrem dos teus olhos
Contornam teu rosto
Descascando a própria pele
Saliva amarga na boca
O horror da "tragédia" te fere
Te fere e te tomba
Parece que vai te matar
Parece querer tua vida
Mas o que quer então,
não o pode tirar.
Agora você enfrenta o medo
O terror e as mazelas
Angústia e tormento
Miséria e sarcasmo.
Você está fraco, acabou sua comida
Pede ajuda quase prostrado
Mas parece não haver ninguém
Você clama aos seus semelhantes
Mas parecem ser tão diferentes
Você chama a seus próximos
Mas já parecem estar distantes.
Ar frio que vem do norte
Denso e arrasador
É a escuridão dos "últimos" dias
E um botão aflorou.
“Chora” garoto, “chora”
Teus amigos não estão mais aqui
“Chora” garoto, “chora”
Até o dia em que possa sorrir
“Chora” garoto, “chora”
Destruição é tudo o que vê
“Chora” garoto, “chora”
Isso é tudo o que pode fazer (?)
FELLIPE KNOPP
Fiz este poeminha quando acabara de completar 17 anos de idade (antecipando-me a possíveis questioamentos, afirmo que todas as datas prescritas são autênticas), numa fase muito "conturbada" da minha vida. Momentos mui difíceis! (e por mais que haja pessoas à volta e até mesmo próximas, se está só na Angústia, qualquer que seja a causa!). É pertinente apresentá-lo à quem possa interessar.
(Há muito, já "passado" e "cumprido")
sábado, 18 de abril de 2009
Euteridade
25-12-2007
Euteridade
Da série Poesia de Expurgação
Eu
Se não existe o Outro
Quem é você?
FELLIPE KNOPP
25-12-07
Sertania do Desejo
Da série Poesia de Expurgação
O que seria isso?
A escória do universo
Lugar do diverso
Ou do inverso?
Que exalta o canalha perverso
Em prosa e verso
Teus santos se corromperam
Nenhum Senhor-do-Céu apareceu nas nuvens
Teu salvador, que mataste,
Nunca retornará
Papai-noel-messias
Nos lombos dum jumento
Adentra o chão rachado do Sertão
Não levando um boneco,
Mas um balde d’água, arroz e feijão
Uma mãe que chora
Suas crianças sorrirão
Ao menos por uma noite
Homens e suas obras
Estendem aos céus colossos profanos
A um deus moribundo
Sonhado por eles para servi-los
Enquanto bocas secas e colentas
Beijam a terra quente e rasgada
Como se houvesse ali a única garantia
De uma reciprocidade sincera
Que velasse, ao menos para si,
Sua miséria
No árido ar do Sertão
Das capitanias desoladas,
Dos arrendamentos saqueados e baldios
De sua alma desidratada
E cada vez que o céu se vira
Eu penso ver aqueles olhos brilharem
Num firmamento plúmbeo,
Quando então eu corro pra janela
E espero que caia neve
Sertania do Desejo
Da série Poesia de Expurgação
O que seria isso?
A escória do universo
Lugar do diverso
Ou do inverso?
Que exalta o canalha perverso
Em prosa e verso
Teus santos se corromperam
Nenhum Senhor-do-Céu apareceu nas nuvens
Teu salvador, que mataste,
Nunca retornará
Papai-noel-messias
Nos lombos dum jumento
Adentra o chão rachado do Sertão
Não levando um boneco,
Mas um balde d’água, arroz e feijão
Uma mãe que chora
Suas crianças sorrirão
Ao menos por uma noite
Homens e suas obras
Estendem aos céus colossos profanos
A um deus moribundo
Sonhado por eles para servi-los
Enquanto bocas secas e colentas
Beijam a terra quente e rasgada
Como se houvesse ali a única garantia
De uma reciprocidade sincera
Que velasse, ao menos para si,
Sua miséria
No árido ar do Sertão
Das capitanias desoladas,
Dos arrendamentos saqueados e baldios
De sua alma desidratada
E cada vez que o céu se vira
Eu penso ver aqueles olhos brilharem
Num firmamento plúmbeo,
Quando então eu corro pra janela
E espero que caia neve
FELLIPE KNOPP
Assinar:
Postagens (Atom)