04-11-1999
Registro: 271.717 Livro: 488 Folha: 377
O que fazemos aqui, nesse mundo voraz, nessa salva humana?
Descaso e impiedade, calúnias e falsidade
Cansamos de mentiras, queremos a verdade!
Mostram-nos o azul do mar e os encantos do verão
Mas não mostram os capatazes, não mostram a escravidão!
Fábrica de ilusões, indústria dos sonhos impossíveis
Show dos megalomaníacos, atos plausíveis.
As ondas desfizeram nosso castelo de areia
Foram-se junto com ele os sonhos de realeza.
Qual é nosso papel nesse mundo de fantasias
Onde o mais importante é desprezado
E o descartável vale mais?
Teu incensório tem cheiro de sono;
o teu altar tem sangue de bode;
teu templo é um jazigo de mortos;
teu alimento é rapina dos porcos.
Tua sabedoria é vã;
tua maturidade é infantil;
não enxerga a verdadeira beleza;
só exalta o que é podre e vil !
Estais cegos e quereis conduzir a multidão?!
O brilho de vosso ouro vos cegou;
o cheiro do vosso perfume atrai os abutres;
Fostes traídos por vossos próprios desejos (?)
não ouvirdes a décima segunda badalada;
Vossa porção fora lançada ao fogo?
Vossos atos vos condenam.
FELLIPE KNOPP
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Data descrita acima corresponde à produção do Poema, cuja averbação foi lavrada em 17 de Julho de 2002 [FNB/EDA], na cidade do Rio de Janeiro, como parte do conteúdo da série intitulada "Mais-valia e outros poemas" (cf. lista de produções no menu de links).
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