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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A terceira margem do abismo

Nos dias atuais já não se justifica falar em "poesia marginal": a Poesia mesma é agora marginal. O resíduo da produção dacantado na vida social é marginal. A produção acabou e com ela o próprio fazer poético, amiúde, tornou-se uma atopia. A Poesia faz-se extemporânea de si mesma porque tudo que se chamava por produção tornou-se anacrônico. A Arte é um trabalho, mas como todo trabalho social, foi anulada pela revolução do código na reprodução dos signos da produção. O lúdico da poesia já não consegue promover nem ludismo às impressões receptoras mais incômodas.


FELLIPE KNOPP

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