versatilidade polimorfológica

VERSATILIDADE POLIMORFOLÓGICA

http://theorikondoxas.blogspot.com/

DECIFRA-TE ouTE DEVORAS!
ou dê-cifra-te /ou te-dê-voraz




POESIA sem concessões; ARTISTA autônomo; MÉRITOS sem contrafação ; PRESTÍGIO sem adulações.
O blog que a inveja não deixa ver : seu espaço ultra-seleto! Para pessoas realmente inteligentes, para uma recepção Verdadeiramente Vanguardista!

domingo, 7 de setembro de 2008

31-12-07


Sintomática do Supra-Sensível


Da série Poesia de Expurgação



Flerte com o incognoscível
Sem outro significado

[ e conteúdo



Pura impossibilidade lógica
Se pudesse – grau zero do pensamento



Vai anjinho pomposo
Vai diabinho marchoso
Vai teozinho espetaculoso
Vai solzinho espalhafatoso
Já dão sentido à sua tosse

N E U R O S 3 !



FELLIPE KNOPP

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

05-04-2009
Resíduos de Algum verão

Lembranças de alguém


Vieste
Atei-me às chagas
(lazarento?)
Foste
e chorei todos os mortos

Fellipe Knopp



25-01-2003



“Alvorada”

As formiguinhas vão trabalhando
Para o inverno se prevenindo
As formiguinhas todas, marchando,
Num mesmo passo estão seguindo

Estão guardando seus alimentos
Em tempo hábil, pois, é verão
E o gafanhoto olhando atento
Está na espreita, presta atenção!

As formiguinhas vão inocentes
Levando o fruto de seu trabalho,
E o gafanhoto sorri contente
Malandro, encontra um bom atalho

Esperto, fica esperando
A hora em que vão passar
O alimento elas vão levando
E o gafanhoto foi lhes tirar

As formiguinhas, inconformadas
À sanguessuga foram falar,
A sanguessuga, também esperta
Ao gafanhoto foi-se juntar

Outros insetos souberam que
O gafanhoto se dera bem
Todos vadios e preguiçosos
Foram até lá a roubar também !

As formiguinhas foram trabalhar
Achando que tudo ia mudar
Inocentes, elas davam duro
E outros, insetos, comiam tudo !



FELLIPE KNOPP





23-04-02



O GRANDE SÁBIO



Como explicar o furor?
Como explicar o ódio ou o amor?
Essa relação de ternura e terror?
Ou uma mesma coisa causar prazer e dor?
Os olhos contemplam o horizonte;
Nosso pensamento tenta ir além dos montes;
Vacilamo-nos em nossas próprias pretensões, e,
Para tudo o que há buscamos explicações.
Combatemos numa guerra desleal,
O tempo nos prende em seus nós,
E por mais que tenhamos companhia estamos sós.
Mas o tempo que nos persegue e não tem bandeira,
Não é intruso, está em nós.
Ao presente tentamos entender – teorizamos.
Ao futuro tentamos prever – idealizamos.
Ao passado queremos saber – buscamos indício.
E o fim, do qual, tanto fugimos, começa ali, no início.
Induzimo-nos num sono profundo
E os meus olhos transpiram, pois, meu coração geme.
Chora inconsoladamente à inconsciência,
Que nos condicionava ao estado de inocência
E nos anistiava de toda penitência,
Isentando-nos à responsabilidade sobre ação e conseqüência.
Anestesiamo-nos com sexo e fábulas
E suas licitudes nos escondem as máculas.
Camuflam o engano e a prisão
E nos ajudam a suportar a separação,
De uma existência segmentar e convergente,
De uma história sem precedentes.
Toda a humanidade chora
O estado calamitoso de se ter consciência,
De se sentir a dor
Que trouxeram a sabedoria e a inteligência.
E tudo que se percebe e vê
É que então o fim chegara
E nada podemos fazer.
E que por mais que soframos com isso,
Não podemos fugir,
Pois, somos feitos disso.


FELLIPE KNOPP




28-12-07


Canção do Alívio 
(Ou Um por Todos e Todos Contra Um)


Da série Poesia de Expurgação


"Direito de Resposta"




Minha terra tem trincheiras
Onde deus não pode entrar
Se há corvos, que aqui gorjeiam,
Só gorjeiam pr'agourar

Nesse céu não há estrelas
Nessas várzeas só horrores
Nesses bosques não há vida
Quando vida, só rancores

Em cismar sozinho à noite
Que prazer encontro eu cá ?!!
Minha terra tem lugares
Onde deus não quer entrar

Minha terra tem odores
Que não dá pra suportar
Em cismar sozinho à noite
Que prazer encontro eu cá ?!!
Minha terra tem lugares
Onde o Amor nunca estará

Já permita alguém que eu saia
Sem que volte para cá
Pra que não sinta as desgraças
Que nunca mais quero olhar
Nesse esgoto de trincheiras
Onde nem o Sol quer brilhar

FELLIPE KNOPP





terça-feira, 13 de maio de 2008



10-09-02

Ode aos Knopp


Em especial a William Knopp, meu saudoso Pai, e a meu avô, Ivo Knopp


Em terra desolada,
de riquezas escassas,
criou sua história,
vingou sua casa.

Crescera estoicamente
em terra desolada,
de um cinza celeste,
de várzea gelada,

Noites infindas;
tardes sombrias;
Lua de neve;
opaca alegria;

Inverno a cortar-lhe os lábios;
o vento a ferir-lhe os olhos;
em fria jornada,
espinhos e abrolhos.

Crescera entre as pedras,
Botão da Flor Teutônica.
Surpreendeste a desgraça,
te olhou catatônica.

Suprimiu tua dor
e o pranto de tua cria,
em dias sem nada,
em noites tão frias.

Resistindo e lutando
por dias felizes.
Em terra desolada
fincou suas raízes.

Resistiu dentre pedras,
dentre lobos ferozes,
dentre garras afoitas,
dentre lanças velozes.

Vingará o grão regado
com as lágrimas de tuas crianças.
Germina germano,
germana a esperança.


FELLIPE KNOPP

segunda-feira, 12 de maio de 2008

03-10-05


AMOR-FATAL



"Sei que adiante um dia vou morrer: de susto, de bala ou vício..." 

(Caetano Veloso)



A vida é um “tumor maligno”
De dez centímetros de diâmetro
No meio do intestino
Lacera sem parâmetro
Todo organismo
E nenhum segundo a mais...
Pontual, sem atraso
Nódoa-Fatal
Rasgando todos os vasos ]
Ah! A Vida mata em longo prazo!


FELLIPE KNOPP
14-05-03

CAPITULARES



Vi aqueles homens de gravata,
sorriam e bebiam, como no Olimpo.
De cara suja, mas terno limpo,
esperavam a hora exata.
Quem são aqueles homens que se chamam Zeus,
que temem mais a mão do mercado do que a mão de Deus?
Quem são eles que decidem a vida dos outros, que se acham acima de todos?
Anunciai ao povo que o reino está em franca expansão,
não haverá tolerância pra qualquer dissolução, nem heresia, nem dissensão,
as Capitulares já estão promulgadas, anunciai à população!
Agora somos livres, podemos ir embora para qualquer lado, para qualquer condado!
Mas quem ficar vai ter de trabalhar dobrado e pelo mesmo pago!
Contudo somos livres, foi o conde quem disse!
Se ficarmos temos de obedecer, mas somos livres, o barão disse!
Nem dissensões, nem heresia, o rei dizia.
Sim ele disse, mas quem pensou tudo foi o “missi dominici”.
Quem são aqueles homens que vivem ali sentados,
que largaram as leis de Deus pra guardarem as leis de mercado?
Leis de Deus, leis de mercado, mercado de almas, decreto assinado.
Um passo em falso e as leis são aplicadas, e Deus é implacável, sua lei intolerável!
Nada pode dar errado, tudo tem de ser muito bem pensado!
Queimemos incenso, façamos uns holocaustos
à Deus, mercado!
Tudo estará pronto até que a trombeta soe
e que a mão invisível de Deus nos abençoe.


FELLIPE KNOPP
27-09-05

ARTE-INIMIGA
Da série Memórias Estéticas]

Ao Prof. Sady Bianchin

Arque inimiga
Minha própria Arte
Melhor do que morrer de solidão
É morrer de enfarte
Enfarte minha Arte!
Que me ama e que me bate
Antes me açoite do que me mate
Arque-Inimiga Arte
Arte inimiga-arque
Fumando cachimbo e ouvindo Chico Buarque
Arte que vem da vida, de Marte
Antes me assombre do que me mate
Melhor do que morrer de cinzas
É morrer de Arte

FELLIPE KNOPP
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OBS: Todas as datas encontradas nos cabeçalhos dos textos são as datas reais em que foram produzidos (os textos) pelo autor. As datas das respectivas averbações legais não correspondem (por questões logísticas) às datas exatas da redação. Todos os conteúdos aqui dispostos têm valor jurídico de uma publicação e/ou divulgação oficial, cuja responsabilidade é devida ao(s) idealizador(es).
Degustem os textos, se lhes aprazem! Aproveitem !