versatilidade polimorfológica

VERSATILIDADE POLIMORFOLÓGICA

http://theorikondoxas.blogspot.com/

DECIFRA-TE ouTE DEVORAS!
ou dê-cifra-te /ou te-dê-voraz




POESIA sem concessões; ARTISTA autônomo; MÉRITOS sem contrafação ; PRESTÍGIO sem adulações.
O blog que a inveja não deixa ver : seu espaço ultra-seleto! Para pessoas realmente inteligentes, para uma recepção Verdadeiramente Vanguardista!

domingo, 25 de abril de 2010

Devotação

Covardes de manada
não me dizem nada
chantagem de bando
me diz tanto quanto
outra coisa aventando
cada coisa em seu canto
não sigo a vida cantando
mas sigo andando



FELLIPE KNOPP

ORAS TRANSBORDADAS


Já é excessivamente tarde;
não vou fingir que é cedo;
você derramou o tempo;
o qual teve inteiro;
soma exorbitante;
disperdiçara vezes;
escarro ao escasso;
nem raridade;
pi-pi-pi-pi-pi-pi-pi

FELLIPE KNOPP

quinta-feira, 11 de março de 2010

LÍVIDO

Tua dívida
não espere dádiva
vadia
dia-a-dia
nada me vale
tua vida
valia nada
não divido
não alivio
vá limpar o teu cu
tua carne cortada
não recomporta a minha
nem me reconforta
feche tuas pernas
putinhas pós-modernas!
viadinhos de trapos
em país de lacaios-podres
[seus filhos de putas, suas putas, viados assoviados, tuas tripas pagarão vossos crimes, pobres malandros, elite sodomita de americano, esquerda topeirizada de marxismo de galpão de oficina, artistas de lonacultural, poetas-de-algodão doce, adivinhas com chip no cu, feiticeiros de informação comprada]
nem pobres
nem gorjetas
nem amor
nem patriotismo
de ti só aceito dinheiro!


FELLIPE KNOPP,
Ateu

sábado, 27 de fevereiro de 2010

SETECISMO

19-04-03


Registro: 286.540 Livro:518 Folha:200




A William Knopp, meu saudoso pai



Às vezes a dor nos apanha
Há dias em que a vida parece estranha
Há tempos em que o tempo parece astuto
Há horas em que a vida está de luto

Há vida na vida das pessoas?
Há boas coisas nas coisas boas?
E aqueles que esperam por tantas coisas
Será que não esperam por tanto à-toa?

Nos dias de angústia meu eco ouvi
Minhas carnes tremiam, o pranto engoli
Minhas mãos sacudiam, a cor eu perdi
Meu sangue gelava, nas veias senti!

Era medo,
Medo de mais uma vez não ver a saída
De todas as chances estarem perdidas
De todas as forças estarem rendidas
De estar combatendo em uma “luta renhida”

Por mais que soubesse ter qu’ir, num instante
Tive medo, era apavorante
Por mais que soubesse quão era importante
Eu quis passar o cálice adiante

Quem tem a magia da vida eterna que me tire do sofrimento!
O grande poder da magia é o desconhecimento!
O poder que traz alívio está na inocência
E a mágica da magia na falta de ciência

Também participo contigo
Contigo faço comunhão
Também já bebi desse vinho
Também já bebi desse pão

Também já senti as chagas no corpo
O peso que carrego da vida me parece demais
Por que não termino nada sem ficar com a sensação
De deixar tanta coisa pra trás

Feri-me e sangrei com teu sangue
Andei, pois, levado em teus passos
Senti me passarem as estacas
E vi os buracos nos braços

Me envolvi em teu ideal
Agarrei-me aos sonhos que lavras
Talvez a única coisa que ainda me emociona
É ouvir tuas palavras

Assumia sabendo do preço
Sabia o quanto era difícil
Todavia não estava pronto
Pra hora do sacrifício

Sentia o sangue escorrer
Os irmãos pranteavam tal sorte
Sentia a dor do saber
Derramava a alma na morte

Cada palavra falava com lagrimas
Cada verso com sangue escrevia
Por chagas formavam-se as páginas
Dissertava o horror que se via

Prefacio de sua descrença
Prenunciava sua sorte
Por tal decretava a sentença
Da descrença à sentença de morte

Soluçava olhando calcado
Seu destino já sabia
Ninguém mais estava ao seu lado
E o espírito rendia

E o espírito rendia
E o espírito rendia
E a voz ofegava
E o corpo sentia
E as pernas andavam
E as chagas doíam
E o espírito rendia
Ninguém o sabia



FELLIPE KNOPP,
Ateu

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

FLORES AO VENTO

Registro:271.717 Livro:488 Folha:377 [FNB/EDA]
29-08-2002


A minha amiga (e ex-psicanalista) Betty Grinman




Na distância o pensamento,
a dor que há tanto sentia.
Tristeza a não revelar-se,
no coração, então, se esvairia.

Afixionava-se noite e dia,
permeado pela melodia.
O tom grave feria-lhe adentro,
labor e melancolia.

O tempo suas moléstias;
gotas não se precipitam;
marcado a ferro e fogo;
os membros, pois, se lhe agitam.

Temor ao que estava adiante,
a dor que há tanto um problema.
Pulsava veloz e constante,
irresolutível, tal, seu dilema.

Palavras levava consigo,
como pedras afogueadas,
as conhecia como ninguém,
e o vindo e suas ciladas.

A dor, que há tanto, um segredo,
Há muito era medo do nada,
Agora nem nada, nem medo,
Nem dor, nem amor, nem palavras.


FELLIPE KNOPP

PINOTES

Pensas saber sem ver
pensas que não precisa ver pra crer!
saiba não ser sufciente nem mesmo ver
"São Tomé" viu
mas a dúvida persistiu
queria de fato saber
o mais próximo fora tocar
para crer
pensar saber
Mas você afirma coisas que não leu
Aquele o engodou
e você se deu
Introjetou-lhe a mentira pelas costas
você nem viu e creu!

Um salto de burríce!

FELLIPE KNOPP

domingo, 21 de fevereiro de 2010

ARCABOCLO

não...
Grão de voz
sem dilema
não lanceis pérolas aos porcos!






FELLIPE KNOPP

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Aporão das guarnições

ou a espiral descendente do inferno

Tintila

relva maldita

canareiras empoçadas

é leve o ar que leva o doce às narinas

cólido

enjoativo dos átrios

aos pulmões

zona tórrida do âmago

brotos de vísceras solutas

leve é o doce

ar intempestivo

rubrante

a valsa de morte das estrelas

Stella

Salete

Canaleta

embruscarrada de coágulos sentimentais

mucosa áspera das doutrinas coronárias

abstortas

indiferença visceral

sagrado-sentimento

O ar leve condensou-se-lhes nas narinas:

monções!

sem alusão?

Azulão coagrulaudo

as estrelas zombaram num balé infernal

outrora

cornetas-vagabundas

sinfonia espiral

[esperial?

aporão de caraçocas

vai a moça em teias de aranha

rodando yo-yo

ao olho do furacão

acomete-se de um pranto

sem prato

sem patota

nem patavinas

ou luxúria

Não vem além

não fora

sombras de 1 kg

no mel pneumático

sem solitude alguma

nenhum destroncamento nem ossos de galinhas

se decobriu precocemente todas cínicas

valores

rebarbas de livro morno

o ranger sustenido do silêncio da noite

pedra de cal

num lote baldio

ranger

Cautério translúcido das agonias exacerbadas!

FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

SUBIMUNDOS

Bordas camélias

em pano de prato

pratas ocos

ocasião

bordesejo

pratileiras

saco-vazio

insaço

insosso

prateirogenese

pruteiria

pára-prato

SUBMUNDANO

FELLIPE KNOPP

domingo, 31 de janeiro de 2010

NÃODEGAS

Não
derrrisão Verdade
moção mínima de uma palavra
com um só sem-sentido
Nada sem angústia
augustinado
angustinada
vazio desertificado
cheio de si
grande rebelação primordial

BOOMMMMMMMMM


FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

AUPREGNASSÃONTOSE

Rascquício

resquistossosmose

zamófilosophie

sintaxmático

taximática telecomúrias

aborissão

gabirosca

biga-rosca

moscascos os mordançam

maçandalhas saladinásticas

mochilhas e bandolinhos

algaravioletas

saleta salteaodores

serodaltos soltos ao sóton

soturnasnotas nostálginosas

sasoníferas ninferáceas rascasinhas

L'
oucos-raquíticos neurasteimosíacos!

__________



FELLIPE KNOPP

domingo, 17 de janeiro de 2010

CHANCELA D'ESCAMADA

Exulteis vossa canção

no enlevo indecisivo dessa escansão

Cada contra se contém

um ponto radical

se o sentido não evolui

ao cessar descontínuo

seu modo inapreensível de Ser

ter de se ver com esse haver

que transborda à falta de arestas

falta-se assim

mim]

Vive-se-morre até o fim

FELLIPE KNOPP

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O POETA

A respeito do fazer poético e sua indeterminação,
o Ser Poético e sua condição.
À quem possa entender

23-06-2002


Você me pergunta o que é Ser Poeta, eu te respondo:
Ser poeta é num dia de chuva abrir a janela
Entrar em casa e deixar a porta aberta
Fechar os olhos e enxergar o que nos cerca
É dormir, mas estar sempre em alerta
Ser poeta é querer
É tudo desejar e nada ter
É não ser bom, é não ser mau
Apenas Ser
Ser Poeta pode ser achar os homens lindos
e as mulheres maravilhosas
Despir-se de preconceitos
E quem sabe usar roupas rosas
Ser Poeta, meu amor
É não fugir da dor
É encarar o pavor
É não ter certeza
Apenas ver a beleza
De um novo dia que aflorou
Ser Poeta não é uma escolha
Mais um destino
É estar velho e sentir-se um menino
É ver as formas deformas diferentes
Achar semelhanças em coisas divergentes-
Ser Poeta não se entende!
O Poeta não é compreendido
Quando muito é reconhecido
O Poeta não tem um caminho
O Poeta não segue um sentido
Você me pergunta e eu tento explicar,
Mas não pode acreditar
Não tem a sensibilidade
De enxergar além da verdade
Mas que verdade é essa
A quem você tanto preza?!!
Eu tento e explicar
Mas não consegues assimilar!
Você se ri, debocha
Pensa que sou viado
Pergunta por meu namorado
Não compreende, não entende
Que o Poeta apenas é gente
Não é homem nem mulher
É um ser purificado!

FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Erro exático

Não foi um erro

Helvética

apaixonar-me por ti

se tinha que ter apaixonado-me por alguém

seria mesmo você

[a pesar já do que não fiz

você, helvétika que não me quis

a pessoa certa pra eu saber

de tudo mais além

que não devia mesmo

ter-me enamorado de ninguém

além de mim

a melhor relação de todas

do início ao afim

é justo então que seja assim

quase tudo se degrada

até por ações alheias

maliciosas

qual tua imagem desbotada

agora

com gente perniciosa

Paroxítonos disjuntivos de um velcro desfiado

a soma absurda das sombras binárias

medonhas furtivas de ransos recrusdecidos

mas é sempre possível reconhecer as diferenças

entre o queijo e o mofo

entre o alho e o espantalho

e a ilusão

FELLIPE KNOPP

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Arestas luzernas

Minha casa não é tua


meus livros não são teus


meus saberes não são nosso


nossos amigos não são só teus


meus sintomas são meus


não são meus e seus


suas são tuas coisas


aquelas de que nada me deu


se porventura mas desses


seriam aquelas algo já meu!


Não são teus os meus vocábulos


são da língua que no mundo recebi


com essa língua no mundo em que nasci


meu repertório que existindo constituí.


Minha história não é tua dádiva


é dádiva do que é com que vivi


se há semelhanças ou coisas em comum


é apenas porque é


no que posto reconheci


a instância do saber não é um lugar


muito menos esse suposto lugar é teu


meu saber é com a língua que eu falo


no que comunica diferente


não é teu também o que calo


se no que há em comum


já são todos ou nenhum


minha minha casa


meus meus livros


meus saberes meus saberes


tua tuarrogância


não ponha cercados no que não são tuas instâncias!



FELLIPE KNOPP





domingo, 27 de dezembro de 2009

MANDALATO

O Silva
na selva
medonho
na relva
um manto
sem Santo
um brado
sem canto
sem cantico
sem júbilo
e sem degraus
tua escada
escaldada
de cada isca ...
manto na relva
sem santo na selva
onde já si vil!
harpa desafinada
da serafinada do trono
Silva a serpente
foste um eleito neurótico
mas agora um pagão perverso

FELLIPE KNOPP,

Ateu

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

POERSEGUIDO

O mundo-não-acabou

nem os mundos

num só natal:

um só cristo não fazem uma "Nova-Jerusalém"

fazem-Além

o mundo-não-acabou

nem o Poeta morreu

Poetas sim são eternos

desde que eles mesmos queiram

não é necessário sentimentos

se é dom não-vem de deus

não é necessário sentimentos

É POESIA QUE SE SEGUE

[também

FELLIPE KNOPP,

Ateu

sábado, 19 de dezembro de 2009

LAMALMÁ


O breu está na rua,


na alma e na lama


em volta da mala


onde está a alma


enlamiada


enlAlmiada


a cegueira a tudo alcança: nada quer ver


Libra deturpada


ascese de bacanas


pseudoascese


pseudobacanas


sou jovem e tenho calos


insensíveis


Calos são cicatrizes amalgamadas


Não tenteis sensibilizá-los


Já foram feridas cruas algum dia !


Já foram Nervo-exposto ao breu clangoroso do Sol


Foram teus velhos indolentes em si mesmos: não é minha culpa!


ascético é meu calo!


Nervos austeros


Já tive fome de adulto


Sendo menino recebi comida de criancinha


aprendi a cozer! uma papa inchada de meu voraz estômago!


Serão sempre tuas crianças infantes: não é culpa minha


vosso espelho


jamais viram o deserto


minha couraça é a própria pele que curti


não m'ambicioneis !


das flores não tive o tempo


de vossos ingênuos diários de normalismo Secundário


Teus 20 anos foram aos meus 11


nababesca-insolência de vossa cobiça sordida!


Eldoro-de-tolo


Não vos sou indulgente !


se vossas futilidades vos consumiram todo tempo útil


O meu não consumirão


porque estive alerta o tempo todo


desde moleque!


adormecerdes em berço-esplêndido


e agora alcovam ratos


brincaram sempre sem porvir


Vermes de madrugada!


Multidões de Covardes!


Jamais souberam a autoinvestigação


sem anistia!



tem a balança de se equiparar!



FELLIPE KNOPP



sábado, 12 de dezembro de 2009

EU INTERIOR, O ESTRANHEIRO

Gostam de Big B... invasão de privacidade, querem sentir-se "íntimos"? Querem algo vindo do meu interior? Comam minha merda e bebam minha urina que vêm de dentro de mim (M. Fonseca: outras situações) - participareis, assim, de minha "intimidade". E é democrático, está disponível a todos, basta fuçar os esgotos.


FELLIPE KNOPP

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A LUA NÃO FAZ O CÉU

Choraste teu soro-vertigo
cínica condolência
sotêrro ossuário
todas indulgentes fingindo chorar amor
lágrimas de colírio
requereis o que nunca destes
e jamais quiserdes
tendo sempre
não foi ira
foi glaciação
a cruz não matou ninguém
foi um beijo!
Negativo
catéteres de turbina
carburação de cata-ventos
quiserdes amor?
falaste de dor
pisaste meus átrios!



FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Órbita plurissingular

Dedicado às respectivas memórias de Guy Debord, e Jean Baudrillard



Todo ano se anuncia
nasceum
alguém faz aniversário

Nascem singularidades
totalidades incompletadas

sciclolaridades
unidades plurais

Não se despojam singularidades
suas semelhanças são imcomparáveis

todaparte
difracionário

todos partidos
apartidiários
parte de meu dia

Não se trocam identidades: identificam-se!

Não há igualdade a um mínimo desvio
a diferença produz algo mais: semelhança

Palavra é diferente da coisa-viva!

O maior tecido do corpo não revela intenção alguma
órgão-carenagem

Não se passa ao lugar do Outro:
eu vou à outro lugar

parte de um todonão-fechado

E o Pensamento

Universo particular

múltiplas variáveis infinitesemais
Quem sabe ao certo o que sonha?

Plurivariantes dicotomizadas

Indentificam-se as diferenças

Anunciação do incalculável silêncio orbital

FELLIPE KNOPP

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A terceira margem do abismo

Nos dias atuais já não se justifica falar em "poesia marginal": a Poesia mesma é agora marginal. O resíduo da produção dacantado na vida social é marginal. A produção acabou e com ela o próprio fazer poético, amiúde, tornou-se uma atopia. A Poesia faz-se extemporânea de si mesma porque tudo que se chamava por produção tornou-se anacrônico. A Arte é um trabalho, mas como todo trabalho social, foi anulada pela revolução do código na reprodução dos signos da produção. O lúdico da poesia já não consegue promover nem ludismo às impressões receptoras mais incômodas.


FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Assonância incógnita

Não se sabe ao certo
de certo modo
o que significa um silêncio
Mas um silêncio não é pecado
a quem nada fez de errado
Seja ou não
uma forma de recado
que se diga, ao menos
caso encerrado
ou obrigado
FELLIPE KNOPP

HELVÉTIKA

Remissivo ao verão de 2007/2008, um augúrio seco




Passara-se nosso tempo
teu e meutempo começam
como são
São ou temprano
temporão
contemporaneos
mundo insano

Vibração fugidia de uma luxação mnêmica
lastro irrastreável
dolor rarefeito
Pressão vertical da gelida pradaria
febre do caos

Insípida moribunda dos mananciais séquidos
vertigem e colisão

éter viscoroso em lua-de-queijo

A noite do porvir nas lacunas das hiâncias
o aceno contido
plataforma silenciosa
não se sabe quando outra vez
não se soube
não sebemos se se saberá
não sabemos
jamais o soubemos

Porque a raridade fusionou-se à escassez
fez-se uma mitologia de vertigo e sentimento
Helvecioso
Foi assim naquele tempo
eu mesmo vi
Uma lenda que nós dois criamos
para nós dois que a criamos
não a cremos
porque eu nos criamos
não crieu amor
Helveciosa
O mito que quiz lenda
humana

Meu coração gemeu nosso não
meu sentimento foi o nosso, helvética
naquele tempo, me lembro
eu vi

Magia não cri, tu fostes

Helvética, forasteira

Teu mês me durou mais de um ano
naqueles dias

Não tiveste vibração
a tivera por toda

Meus poemas não tiveram réplica
o que dizer de teu silêncio?
naquele tempo
Helvética

És-me toda em poema
Helvética

A memória apaga o tempo da memória
da memória do tempo
a distância
dinstante

Helvética

Três cds e saudade
naquele tempo

Qual neve me desliza à testa,
Helvética?

Foi-se que não fostes
Viera-me

a solenidade ríspida do real
sem prelúdio, sem sonho, sem ti

Helvética


FELLIPE KNOPP

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Registro: 286.540 Livro:488 Folha:200 [FBN/EDA]


27-05-2003


Quando uma coincidência ocorre estranhamos,
quando esse mesmo estranhamento se repete ficamos atentos




CHAMAS DO PURGATÓRIO*
(fase religiosa)


Gritos e chamas de vela
advindos do purgatório,
do inferno no consultório,
que coisa é aquela?

Chamas e gritos, da vela,
de dentro do consultório,
de fato o diabo existe,
foi criado em laboratório.

Habita zonas abissais,
no fogo que consome,
em tudo querido além mais,
nas frases, nos nomes.

Em ofensas, em mentiras,
em lágrimas de agonia,
em elementos que permeiam
nossa vã filosofia.

Adentrando zonas escuras
do querer além mais,
deram sopro à escultura,
deram vida à satanás.

Deram velas, deram gritos,
deram todos os elementos.
Deram à luz as trevas, um algo,
constituído por pensamentos.

Fica o mesmo espreitando,
tentando minar a calma,
esgotando a resistência,
tentando comprar minh’alma.

Ao inferno desceu,
no lugar onde fora forjado.
Tentaram criar a deus
e acabaram criando o Diabo.

http://vocaroo.com/?media=vCfqB6RMAXTMepFqu
FELLIPE KNOPP,
O Ateu
___________________
* A respeito da proposição atribuída a Voltaire: "se deus não existe, precisamos inventá-lo"
(A data corresponde autenticamente à produção do poema disposto acima)

sábado, 17 de outubro de 2009

OS BOBOS DO ACORTE

Croniqueta
Às vezes, na noite, nas mesas de botecos que frequentei aqui no Rio de Janeiro, observava discretamente, os jovens de minha geração, da faixa etária dos vinte aos quarenta anos. É bem engraçado por um lado, mas enfadonho de outro, os rituais de flertagem, todas as macaquíces que envolvem essa ritualística, à qual quase nunca vemos com distanciamento crítico, por se estar até o pescoço atalodo em tal cerimmonial. A maioria da pessoas fica verdadeiramente infantilóide nessa situação-paquera. E o momento é tratado, de modo idiota, socialmente como hora solene, qualquer interferência espontanea, involuntária, ou urgente torna-se uma espécie de profanação - "não interromper os pombinhos" - é uma imbecilidade tácita compartilhada, os indivíduos são solidários em suas futilidades! Mais a mais, os procedimentos do flerte não passam de uma espécie de reconhecimento de código, declamação de senhas, se presumir e dizer exatamente aquilo que o par pretendido espera ouvir mediante um menu discursivo pobretão, prescrito - a ousadia não é propriamente proposicional, é mero alvoroço animalesco de bobalhões tentando bancar palhaços de comédias baratas de Hollywood, um tipo de repertório B. As cantadas são horendas, entre o kitsche e a insolência, não são mais do que clichês vulgares a traçar alusões ou analogismo baratos entre traços de personalidade, composição estética (com esses termos eles nem reconhecem o que fazem) e frutas popularescas.

Quereis que eu prossiga?

FELLIPE KNOPP

PURGATORIUM

Repentinamente, a imagem asquerosa. Algum signo escatológico qual não percebera deve ter evocado aquela cara nauseante. Mal consigo conter a ânsia regurgitante, o sangue-pisado na parte inferior dos olhos daquela coisa, boca de sapão desembeiçado... haja estômago! Pelancas de iguana sob o queixo ou algo símile a um dragão de comodo com as carnes podres. Acho que meu estomago quase virou-se ao avesso naquele instante, daí racionalizo - é só uma imagem, mnemônica, tal bosta nem me tocará. Sinto-me aliviado, a imagem grotesca se esvai. Ufa !!! Lembro-me da necessidade de um estoque de Plasil e/ou Dramin na caixinha de remédios da minha casa. Imagem estritamente mental, mas parece até exalar um cheiro podre de foça entupida. Pele de tartaruga desidratada, corpo de cambaxirra ressequida e cara de caramujo vomitado, tanta escatologia numa só coisa... enfim, não devo temer a podridão, a bosta deve ser removida, e não temida! Eu sigo...
FELLIPE KNOPP

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

LOGOS PÓIESIS

A Poesia parte de uma simples idéia e logo a ultrapassa. A poesia mais fiel sempre trai o poeta! A poesia não é mais do que a negação das condições de sua produção! É a afirmação de seu produtor para além dessa condição - reapropria o poeta de seu além expropriado pelo trabalho social ou pela religião - é a única ilusão propriamente concreta, talvez a única transcendência individual que seja materialista e estritamente histórica. A poesia nega a produção sem suprimir seu produtor: reconcilia o Homem consigo mesmo - é o religare propriamente humanista! Há poesiA !
FELLIPE KNOPP

domingo, 20 de setembro de 2009

-10

A dívida impagável deste país para comigo !
O que fazer?
O que se fez não é nominável !
Foda-se teus velhos astênicos
e teus vermes de colo
A vida que destruíram
injustificavelmente
não foi a de um velho
que quase tudo já vivera
foi a de um jovem honesto e honrado
Quem devolverá meu tempo? [ perdido
Os anos que me arrancaram não foram os da velhice
foram os da aurora da mocidade
Sei que nem que todo sangue podre deste país
deitasse duma só vez
eu estaria compensado
A eles não seria mais do que o merecido
[se merecem algo, é só isso
Que escorra todo esse sangue vil
como minha juventude escorreu de minhas mãos
como minhas lágrimas escorreram de minha sede
como meu reflexo se escondeu de mim
e meu ódio congelou!
Derrame um turbilhão de sangue
à contramedida em que represou-se minha angústia
fez-se força
Deite todo esse sangue
como deitada fica a fome
Escorra
como de minha boca escorreu-se a sombra
a fuligem a substituir o nada
escorreu-se o beijo e o prato sem pão

O tempo acerta as coisas?

Mas com o tempo roubado furtou-se o perdão!

C'est trop tard !

Só me vale o que me é devido
Disso não abro mão,
nem uma só fagulha !




FELLIPE KNOPP

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

" Eu sou um escritor,


eu lido com coisas emblemáticas


e símbolos"




[ Ariano Suassuna

domingo, 16 de agosto de 2009

Foneplastisintaxe: escalafobia e desagradação (?)

Pouco a pouco fui criando um percurso dentro da evolução da história poético-literária, a partir da perspectiva romântica (e neo-romântica), que meus poemas hoje chegaram ao chamado "pós-modernismo". O que venho percebendo, "naturalmente", é a redução de minhas construções a uma experiência com a materialidade linguística cujo efeito estético mais evidente é eminentemente fonemático, a plástica tem se reduzido a essas nuances que privilegiam consequentemente o aspecto fonético a partir do imbricamento e fusão, arbitrária até, dessas partículas: mas quero ainda ver qual será a conseqüência máxima dessas operações em minha poesia, a tal ponto que busco reduzi-la a uma experiência (meio "esquizofrência") das materialidades puras em jogos de aposições significantes, com critérios propriamente fonéticos, obviamente, pois do contrário, recairia na perspectiva de uma "poesia visual" a que o concretismo já postulou e talvez tenha haurido. Quero ver de que maneira a sintaxe poética se evidenciará a partir dessas minhas construções, obliterando quase totalmente os padrões morfológicos (o que também não é novidade), como inerente da função de eterno retorno com a recepção - que sentido desconfortável será susceptível brotar nessa relação em que a sintaxe não comparecerá como imanente, mas como reflexão? é o que pretendo descobrir em minha poesia.
FELLIPE KNOPP

domingo, 9 de agosto de 2009

Homenagem a William Knopp

Frente a imensidão do que se tem de falar não é sempre que se consegue a proesa tão emanadora de encontrar as perfeitas e sublimes palavras para descrever ao que foge à propria limitação do termo, plenitude - essa palavra talvez seja impassível de ser compreendida e ter seu significado compartilhado. Perder-se no limiar absoluto onde tudo encontra lá sua derrisão, talvez se aproxime da "essência" radical de todas as coisas, contudo não a toca, não a exprime. Plenitude, vejo-me tão redutivamente anulado pela insuficiência da expressão que me define - aí nesse indizível tudo torna-se defnitivamente nada - a vida esvai-se junto ao paradoxo que sempre permaneceu em seus meandros e seu curso. Quem sabe a vida, na sua essência, se esta houver, não seja algo limítrofe ao paradoxo?
Colher verbos num mar de pseudo-essências fora sempre um empreendimento frustrante para designar o ser a seu próprio termo! Insuficiência, tão modesto quanto heróico, eu me abstenho em tentar inferir qualquer definição ao que seu nome não é capaz de manifestar - incognoscível. Assim me parece a morte e eu não tenho o que dizer a respeito, mas a partir dela posso falar sobre algo não-pleno e muito mais-valoroso: "falarei do que amei"¹. A morte que em sua potência me mostrou importância de quem nela foi absorvido para me oferecer seu valor integral. Escrevo nessa ocasião lado a lado com o filósofo - falarei do que amei. Falarei de meu saudoso pai cujo desaparecimento revalida o mérito verdadeiro do afeto que em vida lhe conferi e logrei demonstrar do modo como pude. Meu pai, cuja carne misturou-se à terra junto à sua alma, solo de minha peculiaridade. Meu pai em cuja vida devotei respeito leal e jamais subserviência, qual nunca me fora requisitada. Seu deixar-de-ser elevou seu fico, um modo meu de conferir enternidade de sua existência em minha própria alma: ele totalizou-se sua história e eu não compreendo tal absoluto. A instância etérea de sua figura está já inscrita na alma: minha escrituração o testemunha - escrevo aqui sobre aquilo que amei, meu Pai.


FELLIPE KNOPP





1 - Debord, Guy. PANEGÍRICO (p12). Conrad Editora do Brasil, 2002. São Paulo, SP.