versatilidade polimorfológica

VERSATILIDADE POLIMORFOLÓGICA

http://theorikondoxas.blogspot.com/

DECIFRA-TE ouTE DEVORAS!
ou dê-cifra-te /ou te-dê-voraz




POESIA sem concessões; ARTISTA autônomo; MÉRITOS sem contrafação ; PRESTÍGIO sem adulações.
O blog que a inveja não deixa ver : seu espaço ultra-seleto! Para pessoas realmente inteligentes, para uma recepção Verdadeiramente Vanguardista!

terça-feira, 28 de abril de 2009

28-04-2009


Lacânicos e Lacônicos


Frontispício:
Quem não for "louco" vá pro hospício
nem fico nem corro
Eu não morro
Só quem morre
É o Outro
mas alguém fica aqui
já que ninguém morre pra si !

Fellipe Knopp

sexta-feira, 24 de abril de 2009

24-04-2009


Bojonojo


Tanto sacrifício não pretendido
pra nehum despojo (?)
E o pior
é ter, ainda, de suportar
a cara de quem tenho nojo !


Fellipe Knopp

quinta-feira, 23 de abril de 2009

"Nota de Rodapé"

O que ocorre com toda produção discursiva e os juízos estéticos de nossa geração? Os enunciados discorrem em analogia a partir das schematas estereotípicas configuradas conforme o determinismo da indústria cultural, cuja a heterogeneidade converge a um modelo técnico de organização e a uma estrtura formal da produção dos conteúdos - cada enunciado tem de adequar-se a uma e mesma sintaxe dos construtos culturais que condicionem o Imaginário. As variações que se dão tão somente em nível de uma morfologia superficial malogram à ilusão de variáveis em larga oferta no âmbito repertorial, mas que não produz polifonia suficiente no nível substancial do discurso - suas variantes maquiadas são apenas a confirmação plástica de suas formações basais, em autorremissão disfarçada.


Fellipe Knopp

segunda-feira, 20 de abril de 2009

AS DOZE BADALADAS (fase "religiosa")

04-11-1999
Registro: 271.717 Livro: 488 Folha: 377



O que fazemos aqui, nesse mundo voraz, nessa salva humana?
Descaso e impiedade, calúnias e falsidade
Cansamos de mentiras, queremos a verdade!
Mostram-nos o azul do mar e os encantos do verão
Mas não mostram os capatazes, não mostram a escravidão!
Fábrica de ilusões, indústria dos sonhos impossíveis
Show dos megalomaníacos, atos plausíveis.
As ondas desfizeram nosso castelo de areia
Foram-se junto com ele os sonhos de realeza.
Qual é nosso papel nesse mundo de fantasias
Onde o mais importante é desprezado
E o descartável vale mais?
Teu incensório tem cheiro de sono;
o teu altar tem sangue de bode;
teu templo é um jazigo de mortos;
teu alimento é rapina dos porcos.
Tua sabedoria é vã;
tua maturidade é infantil;
não enxerga a verdadeira beleza;
só exalta o que é podre e vil !
Estais cegos e quereis conduzir a multidão?!
O brilho de vosso ouro vos cegou;
o cheiro do vosso perfume atrai os abutres;
Fostes traídos por vossos próprios desejos (?)
não ouvirdes a décima segunda badalada;
Vossa porção fora lançada ao fogo?
Vossos atos vos condenam.



FELLIPE KNOPP
________________________
Data descrita acima corresponde à produção do Poema, cuja averbação foi lavrada em 17 de Julho de 2002 [FNB/EDA], na cidade do Rio de Janeiro, como parte do conteúdo da série intitulada "Mais-valia e outros poemas" (cf. lista de produções no menu de links).

domingo, 19 de abril de 2009

26-04-06


RATOS VOADORES


Rasgado de ponta-a-ponta
Era um tecido, um papel, ou um monte de carne?
Aspergia por todo o chão, viscoso e bruto
Como leite coalhado no bucho
Regurgitando como golfada no colo
Vestido de pano puído
Apenas “vermezinhos” dessa gente
Eles choram apontando a vossa culpa
Eles sofrem sentenciando vossos atos
Eles subsistem deplorando vossos delírios
Eles morrem lançando-vos no fogo
Eles voltam, visitando-vos à angústia

A fonte que transborda não mais deu água
O arraial está desolado
O gado vai perecendo

Não posso almejar-te à boca, oh Cristine
Meu hálito cheira tão mal, tão podre
Tem cheiro de estômago vazio há dias
Suas paredes quase se tocam
Não posso amar-te aos seios
Meus lábios estão feridos profundamente
Abertos em carne e brasa
E minha língua cola-se ao céu-da-boca
Na grossura de minha saliva
Na secura de minha gengiva
Não posso de modo amar-te, Cristine
Teu colo está sempre tapado
E teu rosto virado pra lá

Apanho bebida nos cactos
Busco uma farta refeição
Mas me entalo com torrada velha
Soluço com farinha seca

Olha da janela, Cristine!
O duro preço da paz!
Apressa-te, pois, já vêm!
Já vêm às ruínas da porta
Já chegam às ruínas do prédio
Lá embaixo o duro preço da “paz”
E chegam com milícias
Com corvos e bestas selvagens
Vêm de surpresa
Com as caras cobertas


Vê Cristine, calcanhares levantam-se alhures
E as bocas calaram-se todas
Ao bel prazer da covardia e desprezo
Há sempre gentinha lacaia
Querendo mostrar serviço
E muitos se dão à sua lábia
Falam com os membros
Mentem com os dedos
Acenam com os pés
Enganam com os olhos
Tentando me convencer de que estou louco
Querendo me enlouquecer
Mas, os que levantaram o calcanhar
Comiam comigo!


Olhe Cristine, os leitos parecem túmulos
O leite das mães envenena os filhos
Há órgãos em cada cesto de lixo
Sangue em cada copo
Em cada cuspe
Eles vomitam fezes
Espirram furúnculos
Tossem porcarias, imundícies
Seus olhos aspiram ganâncias
Seus cofres amontoam roubos
Seus bolsos transbordam subornos

Vê Cristine, temos todos paz
Vê Cristine, as bocas costuradas
Os olhos vendados, os ventres mortificados
Tudo isso é paz!

Há olhos saltando às mãos
Sangue escorrendo pelas paredes
Há feridos por todo lado
E tudo está em paz
Há farinha seca para todos
E há soluço também
Vê Cristine... Vê Cristine


FELLIPE KNOPP

Viram-me perecendo, nada fizestes ou dissestes; me vistes sedento, vos saciardes frente meus olhos; me vistes definhar faminto, vos fartardes em glutonarias diante de mim! Levantardes o calcanhar ?! ¹
1 - DENOTAÇÃO ! [ou DETONAÇÃO (?) ]
Registro: 263.279 Livro: 471 Folha:439

27-06-00


PROGRESSO NA MADRUGADA


"Chora" garoto, "chora"
"Chora" de tristeza e dor.
Não sabe o que vai ser de si
Não sabe o que deve fazer
Está perdido agora
Não tem a quem recorrer
Não tem com quem contar
"Agora é só você"
É "garoto", agora é "só você".
Tem de traçar o seu destino
Seguir um rumo na vida
Tem de ser forte agora
Sábio e maduro
É hora de se encontrar
É hora de decidir.
Lágrimas salgadas
Escorrem dos teus olhos
Contornam teu rosto
Descascando a própria pele
Saliva amarga na boca
O horror da "tragédia" te fere
Te fere e te tomba
Parece que vai te matar
Parece querer tua vida
Mas o que quer então,
não o pode tirar.
Agora você enfrenta o medo
O terror e as mazelas
Angústia e tormento
Miséria e sarcasmo.
Você está fraco, acabou sua comida
Pede ajuda quase prostrado
Mas parece não haver ninguém
Você clama aos seus semelhantes
Mas parecem ser tão diferentes
Você chama a seus próximos
Mas já parecem estar distantes.
Ar frio que vem do norte
Denso e arrasador
É a escuridão dos "últimos" dias
E um botão aflorou.
“Chora” garoto, “chora”
Teus amigos não estão mais aqui
“Chora” garoto, “chora”
Até o dia em que possa sorrir
“Chora” garoto, “chora”
Destruição é tudo o que vê
“Chora” garoto, “chora”
Isso é tudo o que pode fazer (?)


FELLIPE KNOPP


Fiz este poeminha quando acabara de completar 17 anos de idade (antecipando-me a possíveis questioamentos, afirmo que todas as datas prescritas são autênticas), numa fase muito "conturbada" da minha vida. Momentos mui difíceis! (e por mais que haja pessoas à volta e até mesmo próximas, se está só na Angústia, qualquer que seja a causa!). É pertinente apresentá-lo à quem possa interessar.
(Há muito, já "passado" e "cumprido")

sábado, 18 de abril de 2009

Euteridade





25-12-2007


Euteridade

Da série Poesia de Expurgação




Eu


Se não existe o Outro


Quem é você?





FELLIPE KNOPP
25-12-07


Sertania do Desejo

Da série Poesia de Expurgação



O que seria isso?
A escória do universo
Lugar do diverso
Ou do inverso?
Que exalta o canalha perverso
Em prosa e verso
Teus santos se corromperam
Nenhum Senhor-do-Céu apareceu nas nuvens
Teu salvador, que mataste,
Nunca retornará
Papai-noel-messias
Nos lombos dum jumento
Adentra o chão rachado do Sertão
Não levando um boneco,
Mas um balde d’água, arroz e feijão
Uma mãe que chora
Suas crianças sorrirão
Ao menos por uma noite
Homens e suas obras
Estendem aos céus colossos profanos
A um deus moribundo
Sonhado por eles para servi-los
Enquanto bocas secas e colentas
Beijam a terra quente e rasgada
Como se houvesse ali a única garantia
De uma reciprocidade sincera
Que velasse, ao menos para si,
Sua miséria
No árido ar do Sertão
Das capitanias desoladas,
Dos arrendamentos saqueados e baldios
De sua alma desidratada
E cada vez que o céu se vira
Eu penso ver aqueles olhos brilharem
Num firmamento plúmbeo,
Quando então eu corro pra janela
E espero que caia neve


FELLIPE KNOPP

domingo, 7 de setembro de 2008

31-12-07


Sintomática do Supra-Sensível


Da série Poesia de Expurgação



Flerte com o incognoscível
Sem outro significado

[ e conteúdo



Pura impossibilidade lógica
Se pudesse – grau zero do pensamento



Vai anjinho pomposo
Vai diabinho marchoso
Vai teozinho espetaculoso
Vai solzinho espalhafatoso
Já dão sentido à sua tosse

N E U R O S 3 !



FELLIPE KNOPP

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

05-04-2009
Resíduos de Algum verão

Lembranças de alguém


Vieste
Atei-me às chagas
(lazarento?)
Foste
e chorei todos os mortos

Fellipe Knopp



25-01-2003



“Alvorada”

As formiguinhas vão trabalhando
Para o inverno se prevenindo
As formiguinhas todas, marchando,
Num mesmo passo estão seguindo

Estão guardando seus alimentos
Em tempo hábil, pois, é verão
E o gafanhoto olhando atento
Está na espreita, presta atenção!

As formiguinhas vão inocentes
Levando o fruto de seu trabalho,
E o gafanhoto sorri contente
Malandro, encontra um bom atalho

Esperto, fica esperando
A hora em que vão passar
O alimento elas vão levando
E o gafanhoto foi lhes tirar

As formiguinhas, inconformadas
À sanguessuga foram falar,
A sanguessuga, também esperta
Ao gafanhoto foi-se juntar

Outros insetos souberam que
O gafanhoto se dera bem
Todos vadios e preguiçosos
Foram até lá a roubar também !

As formiguinhas foram trabalhar
Achando que tudo ia mudar
Inocentes, elas davam duro
E outros, insetos, comiam tudo !



FELLIPE KNOPP





23-04-02



O GRANDE SÁBIO



Como explicar o furor?
Como explicar o ódio ou o amor?
Essa relação de ternura e terror?
Ou uma mesma coisa causar prazer e dor?
Os olhos contemplam o horizonte;
Nosso pensamento tenta ir além dos montes;
Vacilamo-nos em nossas próprias pretensões, e,
Para tudo o que há buscamos explicações.
Combatemos numa guerra desleal,
O tempo nos prende em seus nós,
E por mais que tenhamos companhia estamos sós.
Mas o tempo que nos persegue e não tem bandeira,
Não é intruso, está em nós.
Ao presente tentamos entender – teorizamos.
Ao futuro tentamos prever – idealizamos.
Ao passado queremos saber – buscamos indício.
E o fim, do qual, tanto fugimos, começa ali, no início.
Induzimo-nos num sono profundo
E os meus olhos transpiram, pois, meu coração geme.
Chora inconsoladamente à inconsciência,
Que nos condicionava ao estado de inocência
E nos anistiava de toda penitência,
Isentando-nos à responsabilidade sobre ação e conseqüência.
Anestesiamo-nos com sexo e fábulas
E suas licitudes nos escondem as máculas.
Camuflam o engano e a prisão
E nos ajudam a suportar a separação,
De uma existência segmentar e convergente,
De uma história sem precedentes.
Toda a humanidade chora
O estado calamitoso de se ter consciência,
De se sentir a dor
Que trouxeram a sabedoria e a inteligência.
E tudo que se percebe e vê
É que então o fim chegara
E nada podemos fazer.
E que por mais que soframos com isso,
Não podemos fugir,
Pois, somos feitos disso.


FELLIPE KNOPP




28-12-07


Canção do Alívio 
(Ou Um por Todos e Todos Contra Um)


Da série Poesia de Expurgação


"Direito de Resposta"




Minha terra tem trincheiras
Onde deus não pode entrar
Se há corvos, que aqui gorjeiam,
Só gorjeiam pr'agourar

Nesse céu não há estrelas
Nessas várzeas só horrores
Nesses bosques não há vida
Quando vida, só rancores

Em cismar sozinho à noite
Que prazer encontro eu cá ?!!
Minha terra tem lugares
Onde deus não quer entrar

Minha terra tem odores
Que não dá pra suportar
Em cismar sozinho à noite
Que prazer encontro eu cá ?!!
Minha terra tem lugares
Onde o Amor nunca estará

Já permita alguém que eu saia
Sem que volte para cá
Pra que não sinta as desgraças
Que nunca mais quero olhar
Nesse esgoto de trincheiras
Onde nem o Sol quer brilhar

FELLIPE KNOPP





terça-feira, 13 de maio de 2008



10-09-02

Ode aos Knopp


Em especial a William Knopp, meu saudoso Pai, e a meu avô, Ivo Knopp


Em terra desolada,
de riquezas escassas,
criou sua história,
vingou sua casa.

Crescera estoicamente
em terra desolada,
de um cinza celeste,
de várzea gelada,

Noites infindas;
tardes sombrias;
Lua de neve;
opaca alegria;

Inverno a cortar-lhe os lábios;
o vento a ferir-lhe os olhos;
em fria jornada,
espinhos e abrolhos.

Crescera entre as pedras,
Botão da Flor Teutônica.
Surpreendeste a desgraça,
te olhou catatônica.

Suprimiu tua dor
e o pranto de tua cria,
em dias sem nada,
em noites tão frias.

Resistindo e lutando
por dias felizes.
Em terra desolada
fincou suas raízes.

Resistiu dentre pedras,
dentre lobos ferozes,
dentre garras afoitas,
dentre lanças velozes.

Vingará o grão regado
com as lágrimas de tuas crianças.
Germina germano,
germana a esperança.


FELLIPE KNOPP

segunda-feira, 12 de maio de 2008

03-10-05


AMOR-FATAL



"Sei que adiante um dia vou morrer: de susto, de bala ou vício..." 

(Caetano Veloso)



A vida é um “tumor maligno”
De dez centímetros de diâmetro
No meio do intestino
Lacera sem parâmetro
Todo organismo
E nenhum segundo a mais...
Pontual, sem atraso
Nódoa-Fatal
Rasgando todos os vasos ]
Ah! A Vida mata em longo prazo!


FELLIPE KNOPP
14-05-03

CAPITULARES



Vi aqueles homens de gravata,
sorriam e bebiam, como no Olimpo.
De cara suja, mas terno limpo,
esperavam a hora exata.
Quem são aqueles homens que se chamam Zeus,
que temem mais a mão do mercado do que a mão de Deus?
Quem são eles que decidem a vida dos outros, que se acham acima de todos?
Anunciai ao povo que o reino está em franca expansão,
não haverá tolerância pra qualquer dissolução, nem heresia, nem dissensão,
as Capitulares já estão promulgadas, anunciai à população!
Agora somos livres, podemos ir embora para qualquer lado, para qualquer condado!
Mas quem ficar vai ter de trabalhar dobrado e pelo mesmo pago!
Contudo somos livres, foi o conde quem disse!
Se ficarmos temos de obedecer, mas somos livres, o barão disse!
Nem dissensões, nem heresia, o rei dizia.
Sim ele disse, mas quem pensou tudo foi o “missi dominici”.
Quem são aqueles homens que vivem ali sentados,
que largaram as leis de Deus pra guardarem as leis de mercado?
Leis de Deus, leis de mercado, mercado de almas, decreto assinado.
Um passo em falso e as leis são aplicadas, e Deus é implacável, sua lei intolerável!
Nada pode dar errado, tudo tem de ser muito bem pensado!
Queimemos incenso, façamos uns holocaustos
à Deus, mercado!
Tudo estará pronto até que a trombeta soe
e que a mão invisível de Deus nos abençoe.


FELLIPE KNOPP
27-09-05

ARTE-INIMIGA
Da série Memórias Estéticas]

Ao Prof. Sady Bianchin

Arque inimiga
Minha própria Arte
Melhor do que morrer de solidão
É morrer de enfarte
Enfarte minha Arte!
Que me ama e que me bate
Antes me açoite do que me mate
Arque-Inimiga Arte
Arte inimiga-arque
Fumando cachimbo e ouvindo Chico Buarque
Arte que vem da vida, de Marte
Antes me assombre do que me mate
Melhor do que morrer de cinzas
É morrer de Arte

FELLIPE KNOPP
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OBS: Todas as datas encontradas nos cabeçalhos dos textos são as datas reais em que foram produzidos (os textos) pelo autor. As datas das respectivas averbações legais não correspondem (por questões logísticas) às datas exatas da redação. Todos os conteúdos aqui dispostos têm valor jurídico de uma publicação e/ou divulgação oficial, cuja responsabilidade é devida ao(s) idealizador(es).
Degustem os textos, se lhes aprazem! Aproveitem !